Traqueostomia percutânea versus aberta na exacerbação de DPOC: análise do National Inpatient Sample (2016-2022) mostra queda de volumes e desfechos de curto prazo semelhantes
Traqueostomia percutânea versus aberta na exacerbação de DPOC: volumes caem e desfechos de curto prazo não diferem
Em análise do National Inpatient Sample (2016-2022) com cerca de 2.970 internações de adultos por exacerbação de DPOC submetidos a traqueostomia, os volumes anuais caíram tanto para a traqueostomia dilatacional percutânea (PDT; de 215 para 115) quanto para a traqueostomia cirúrgica aberta (OST; de 480 para 165).
Análise do National Inpatient Sample (2016-2022) mostra queda anual nos dois tipos de traqueostomia e mortalidade semelhante entre as técnicas, com estimativas imprecisas.
Um estudo com dados do National Inpatient Sample dos Estados Unidos avaliou cerca de 2.970 internações de adultos por exacerbação de DPOC em que se realizou traqueostomia entre 2016 e 2022, das quais 36,5% envolveram traqueostomia dilatacional percutânea (PDT). Os volumes anuais caíram tanto para PDT (de 215 para 115; p de tendência = 0,023) quanto para traqueostomia cirúrgica aberta (OST; de 480 para 165; p de tendência = 0,003). A mortalidade hospitalar foi de 13,5% no total (14,3% na PDT versus 13,0% na OST; p = 0,662) e, após ajuste, a PDT não se associou a mortalidade, tempo de internação ou custos.
Contexto
Os autores partem da incerteza sobre o uso nacional e os desfechos de curto prazo da traqueostomia cirúrgica aberta em comparação com a traqueostomia dilatacional percutânea em adultos internados por exacerbação de DPOC. O estudo buscou descrever tendências de utilização e comparar mortalidade hospitalar, tempo de internação e custos ajustados pela inflação entre as duas abordagens nessa população específica.
Como foi feito
Trata-se de análise do U.S. National Inpatient Sample, base de internações hospitalares dos Estados Unidos, referente ao período de 2016 a 2022. Foram incluídas internações de adultos não codificadas como eletivas, com diagnóstico principal de exacerbação de DPOC e com traqueostomia, classificadas como OST ou PDT conforme os códigos de abordagem do ICD-10-PCS. O estudo estimou 2.970 internações (594 amostradas). Compararam-se tendências de utilização, mortalidade hospitalar, tempo de internação e custos ajustados pela inflação por meio de modelos multivariáveis ponderados pelo desenho amostral e de ponderação por probabilidade inversa de tratamento (IPTW), com ajuste adicional para momento da traqueostomia, gravidade codificada e período pandêmico.
O que encontraram
Entre as internações estimadas, 36,5% envolveram PDT. Os volumes anuais diminuíram para a PDT (de 215 para 115; p de tendência = 0,023) e para a OST (de 480 para 165; p de tendência = 0,003). A mortalidade hospitalar foi de 13,5%, sendo 14,3% na PDT e 13,0% na OST (p = 0,662). A mortalidade foi maior no período de 2020-2022 do que em 2016-2019 entre as internações com OST (21,3% versus 10,2%; p = 0,006), mas não entre as com PDT (18,3% versus 12,7%; p = 0,29); as tendências anuais não diferiram significativamente entre as abordagens (p de interação = 0,061). Após ajuste, a PDT não se associou a mortalidade (RR, 1,06; IC 95%, 0,68-1,66), tempo de internação (-0,63 dias; IC 95%, -4,19 a 2,94) nem custos (razão, 0,98; IC 95%, 0,85-1,12). As estimativas foram consistentes na análise com IPTW, no ajuste para momento e gravidade, na exclusão de 2020 e dentro de ambos os períodos.
Limitações
Os autores reconhecem que as estimativas são imprecisas. O aumento da mortalidade observado dentro das internações com OST, concentrado no período pandêmico, exige interpretação cautelosa diante de possíveis mudanças na composição de casos, na seleção de tratamento, nas práticas relacionadas à pandemia e na gravidade não mensurada. Por se tratar de análise de base administrativa, com dados retrospectivos e classificação por códigos, os resultados refletem associações e não causalidade.
Para o especialista
Em adultos internados por exacerbação de DPOC, o estudo sugere que a escolha entre traqueostomia aberta e percutânea não se associou a diferenças detectáveis em mortalidade hospitalar, tempo de internação ou custos após ajuste, ainda que com intervalos de confiança amplos que não excluem efeitos clinicamente relevantes. O desenho observacional, baseado em códigos administrativos, limita a inferência causal e não captura gravidade não codificada, de modo que os achados devem ser lidos como geradores de hipótese e não como definição de superioridade de uma técnica.
Referência
Francis Morel G, Katyal A, Patolia S et al.. National Trends in Open vs Percutaneous Tracheostomy Among U.S. Hospitalizations for COPD Exacerbation, 2016-2022. Respiration 2026.
DOI: 10.1159/res/aepag024 · PubMed: 42911886
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org