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PubMed · matérias do Fôlego· Kanchustambham V·· há 13 dias

Broncoscopia robótica em lesões pulmonares periféricas: revisão narrativa aponta rendimento diagnóstico estrito de 69,6% em meta-análise e 61,6% no estudo TARGET

Broncoscopia robótica em lesões pulmonares periféricas: rendimento diagnóstico real fica perto de 70%, não de 85%

Resumo por IA

Revisão narrativa publicada na Diagnostics mostra que, pela definição estrita do ATS/ACCP, a broncoscopia robótica tem rendimento diagnóstico de 69,6% (IC 95% 61,8–76,8%) em meta-análise com mais de 2.000 lesões e de 61,6% no estudo prospectivo multicêntrico TARGET, com 679 pacientes.

Texto

Revisão narrativa mostra que, pela definição estrita do ATS/ACCP, o rendimento da broncoscopia robótica é de 69,6% em meta-análise e 61,6% no estudo TARGET, com pneumotórax em cerca de 2%.

Revisão narrativa publicada na Diagnostics reuniu a evidência disponível até setembro de 2026 sobre broncoscopia robótica no diagnóstico de lesões pulmonares periféricas. Pela definição estrita recomendada pelo ATS/ACCP, a meta-análise mais abrangente apontou rendimento diagnóstico agrupado de 69,6% (IC 95% 61,8–76,8%), e o estudo prospectivo multicêntrico TARGET, com 679 pacientes, relatou rendimento estrito adjudicado de 61,6%. Estimativas mais altas, em torno de 84–87%, usam definições intermediárias que o próprio ATS/ACCP desaconselha como medida principal. O pneumotórax ocorre em cerca de 2% dos casos, contra 20–25% na biópsia transtorácica guiada por TC.

Contexto

A avaliação de lesões pulmonares periféricas é um desafio clínico persistente, ampliado pela expansão do rastreamento com TC de baixa dose. A broncoscopia convencional e as primeiras plataformas de navegação, incluindo a navegação eletromagnética, historicamente alcançavam rendimentos de cerca de 60–70%, com a divergência entre a TC e o corpo (CT-to-body divergence) contribuindo para amostras não diagnósticas. A biópsia transtorácica guiada por TC chega a 80–90% em lesões acessíveis, mas com pneumotórax em 20–25% e necessidade de dreno torácico em 7–8%. A broncoscopia robótica integra controle robótico do cateter a tecnologias de navegação por fibra óptica com sensoriamento de forma ou por eletromagnetismo, além de compatibilidade com imagem intraprocedimento, principalmente tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT).

Como foi feito

Trata-se de revisão narrativa conduzida com a escala SANRA, sem protocolo registrado e sem avaliação formal do risco de viés, com busca estruturada em PubMed/MEDLINE, Embase, Web of Science e Cochrane Library de janeiro de 2018 a setembro de 2026, complementada por ClinicalTrials.gov, ICTRP e resumos de congressos da ATS, CHEST, ERS e AABIP de 2022 a 2025. Foram incluídos estudos em humanos que avaliaram as plataformas Ion, Monarch ou Galaxy e relataram rendimento diagnóstico, segurança, adequação de tecido para análise molecular ou efetividade clínica; relatos de caso com menos de cinco sujeitos e editoriais sem dados originais foram excluídos. A triagem foi feita por um único revisor, sem adjudicação duplicada, e a síntese foi narrativa, sem pooling meta-analítico próprio.

O que encontraram

Na meta-análise mais abrangente, com 27 estudos de coorte e mais de 2.000 lesões, o rendimento estrito agrupado foi de 69,6% (IC 95% 61,8–76,8%), com pneumotórax em 2,0% e dreno torácico em 0,5%. O TARGET, maior estudo prospectivo multicêntrico de braço único, com 679 pacientes e mediana de lesão de 1,85 cm, relatou rendimento estrito adjudicado de 61,6%, sensibilidade para malignidade de 78,8% e taxa de eventos adversos de 3,8%. Estimativas intermediárias chegam a 84,3% (IC 95% 81,1–87,2%) e 86,6% (IC 95% 83,7–89,2%), mas incorporam informações de seguimento ao resultado do exame índice.

No ensaio randomizado RELIANT, com 411 pacientes, a broncoscopia robótica foi não inferior à navegação eletromagnética corrigida por tomossíntese digital, com rendimento de 77,8% versus 75,5% (p = 0,007 para não inferioridade), sem superioridade. No VERITAS, com 234 pacientes e nódulos de 10–30 mm, a broncoscopia navegacional como categoria foi não inferior à biópsia transtorácica guiada por TC para acurácia diagnóstica em 12 meses (79,0% versus 73,6%; p = 0,003 para não inferioridade, p = 0,17 para superioridade), com pneumotórax em 3,3% versus 28,3% e dreno torácico ou internação em 0,8% versus 11,5%.

No estudo prospectivo de Bashour e colegas, com 67 pacientes e lesões de 9–30 mm, a confirmação de ferramenta dentro da lesão subiu de 34,3% antes da CBCT móvel para 98,6% após imagem e reposicionamento (p < 0,0001). Já em estudo retrospectivo com a plataforma Monarch, o rendimento estrito foi de 70,9% sem CBCT móvel e 71,7% com CBCT móvel (p = 0,976), com aumento da dose de radiação de 7,4 para 285,9 mGy. No FRONTIER, primeiro estudo em humanos com o sistema Galaxy, 19 nódulos em 18 pacientes tiveram 100% de confirmação de ferramenta na lesão por tomossíntese integrada, com rendimento de 89,5% estrito e 94,7% intermediário.

Em comparação randomizada apresentada no congresso da ERS de 2025 e ainda não revisada por pares, a broncoscopia robótica com CBCT alcançou rendimento de 84,6% contra 23,1% da broncoscopia ultrafina com fluoroscopia bidimensional (78 pacientes, 127 lesões, mediana de 11 mm; diferença absoluta de 61,5 pontos percentuais; IC 95% 44,1–78,9; p < 0,001). Em análise de curva de aprendizado com 9 operadores e 551 lesões, o rendimento global foi de 72% e o tempo de procedimento caiu de 62 minutos nas primeiras 10 casos para 39 minutos após o caso 40, com cerca de metade dos procedimentos dominados em até 25 lesões.

Limitações

Os autores reconhecem que a triagem e a seleção de estudos foram feitas por um único revisor, sem adjudicação duplicada nem avaliação formal de risco de viés, de modo que vieses de seleção e de confirmação são possíveis; a escala SANRA melhora a qualidade do relato, mas não confere controle de viés de nível de revisão sistemática. Por ser revisão narrativa, não houve protocolo registrado nem gradação formal da evidência, e a certeza dos achados foi descrita apenas qualitativamente. Grande parte da evidência de base é observacional ou indireta, e as comparações entre plataformas e entre definições de rendimento não permitem ranking. O estudo randomizado de broncoscopia robótica com CBCT era, até a atualização da busca, apenas resumo de congresso não revisado por pares, e os dados de custo por caso entre plataformas são limitados.

Para o pediatra

Este estudo é de adultos e não aborda população pediátrica, portanto não traz informação aplicável diretamente ao acompanhamento de crianças. O achado central que dialoga com a prática pediátrica é o do nódulo pulmonar: a probabilidade de malignidade e o tamanho da lesão orientam quando a investigação tecidual se justifica, e a diretriz citada (ACCP) indica amostragem para nódulos de risco intermediário, com probabilidade de malignidade entre 5% e 65% pelo modelo de Mayo. O texto também registra que lesões menores que 6–8 mm têm menor rendimento e que, quando o resultado da biópsia não mudaria a conduta, o procedimento não está indicado.

Para o especialista

Para quem indica e executa broncoscopia, a revisão reforça que o rendimento da broncoscopia robótica deve ser lido pela definição usada: o padrão estrito do ATS/ACCP situa o desempenho em cerca de 62–70%, e as cifras de 84–87% refletem definições intermediárias que incorporam seguimento. A divergência TC-corpo, com deslocamento típico de 5–15 mm, segue como principal explicação para a diferença entre sucesso de navegação acima de 95% e obtenção efetiva de tecido, e a CBCT móvel melhora a confirmação de ferramenta na lesão sem garantia de ganho equivalente em rendimento, com custo de radiação. Preditores de sucesso incluem lesão maior que 20 mm, sinal do brônquio na TC, visão concêntrica no EBUS radial e experiência do centro; lesões com menos de 10 mm, vidro fosco puro e ausência de sinal do brônquio têm menor rendimento. O desenho da evidência disponível, em grande parte observacional e com apenas dois ensaios randomizados que não mostram superioridade sobre a navegação eletromagnética, sustenta a broncoscopia robótica como opção em lesões periféricas selecionadas, não como padrão superior estabelecido.

Referência

Kanchustambham V. Robotic-Assisted Bronchoscopy for Peripheral Pulmonary Lesions: Current Evidence, Clinical Applications, and Future Directions. Diagnostics (Basel) 2026.

DOI: 10.3390/diagnostics16193151 · PubMed: 42882306

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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