Ultrassom de via aérea à beira-leito facilita suspeita rápida de agenesia traqueal em recém-nascido com falha de ventilação: relato de caso
Ultrassom de via aérea à beira-leito levanta suspeita rápida de agenesia traqueal em recém-nascido com falha de ventilação
Em relato de caso único, ultrassom de via aérea à beira-leito mostrou descontinuidade traqueal e levantou a suspeita de agenesia traqueal em recém-nascido de 35 semanas com cianose grave, bradicardia e falha de intubação após o parto, orientando intubação esofágica que permitiu ventilação eficaz e estabilização.
Em neonato de 35 semanas com cianose e bradicardia ao nascer, a descontinuidade traqueal vista no ultrassom orientou intubação esofágica e estabilização; agenesia traqueal Floyd tipo II foi confirmada por tomografia.
Um relato de caso descreve um recém-nascido do sexo masculino, nascido de 35 semanas e 1 dia por cesariana de emergência por sofrimento fetal, que evoluiu imediatamente após o parto com cianose grave e bradicardia. A ventilação com máscara e bolsa foi ineficaz e as tentativas de intubação falharam apesar da visualização da glote. O ultrassom de via aérea à beira-leito mostrou descontinuidade traqueal, levantando a suspeita de agenesia traqueal; a intubação esofágica permitiu ventilação eficaz e estabilização. A agenesia traqueal Floyd tipo II foi depois confirmada por tomografia computadorizada, e o paciente sobrevive aos 23 meses com ventilação de longo prazo por esofagostomia cervical.
Contexto
A agenesia traqueal é uma malformação congênita rara da via aérea que pode provocar eventos inesperados de incapacidade de ventilar e de intubar (cannot ventilate, cannot intubate, CVCI) no nascimento. O reconhecimento precoce é considerado crítico, mas, segundo os autores, o papel do ultrassom de via aérea à beira-leito nesse cenário permanecia indefinido.
Como foi feito
Trata-se de um relato de caso de um recém-nascido do sexo masculino, com idade gestacional de 35 semanas e 1 dia, nascido por cesariana de emergência por sofrimento fetal. Os achados pré-natais sugeriam atresia duodenal. O desfecho descrito é a sequência de atendimento logo após o nascimento, marcada por cianose grave e bradicardia, falha da ventilação com máscara e bolsa e falha das tentativas de intubação apesar da visualização da glote. O ultrassom de via aérea à beira-leito foi usado para investigar a via aérea, e o diagnóstico foi posteriormente confirmado por tomografia computadorizada. O seguimento relatado é de 23 meses.
O que encontraram
Imediatamente após o nascimento, o recém-nascido apresentou cianose grave e bradicardia. A ventilação com máscara e bolsa foi ineficaz, e as tentativas de intubação falharam mesmo com visualização da glote.
O ultrassom de via aérea à beira-leito demonstrou descontinuidade traqueal, o que levantou a suspeita de agenesia traqueal. A partir dessa suspeita, foi realizada intubação esofágica, que resultou em ventilação eficaz e estabilização do paciente.
A agenesia traqueal foi classificada como Floyd tipo II e confirmada por tomografia computadorizada. Segundo o resumo, o paciente sobrevive aos 23 meses, com ventilação de longo prazo por meio de esofagostomia cervical.
Limitações
O material disponível é apenas o resumo de um relato de caso único, desenho que não permite avaliar a acurácia do ultrassom de via aérea à beira-leito nem estabelecer superioridade em relação a outras formas de avaliação. Não há grupo comparador, e o seguimento, embora descrito até os 23 meses, é de um único paciente. O resumo não informa detalhes do exame ultrassonográfico, como janelas utilizadas, tempo até a suspeita ou experiência do operador, o que limita a generalização do achado.
Para o pediatra
O caso lembra que a agenesia traqueal pode se manifestar logo após o nascimento com cianose grave e bradicardia, com falha da ventilação com máscara e bolsa e falha de intubação mesmo quando a glote é visualizada. Nesse recém-nascido de 35 semanas, os achados pré-natais sugeriam atresia duodenal, e o ultrassom de via aérea à beira-leito mostrou descontinuidade traqueal, orientando a suspeita. O resumo não traz orientações sobre quando encaminhar ou sobre condutas para casos suspeitos.
Para o especialista
O relato sugere que o ultrassom de via aérea à beira-leito pode facilitar a suspeita rápida de agenesia traqueal em um neonato com CVCI e orientar o manejo da via aérea, neste caso com intubação esofágica para ventilação eficaz e estabilização. O diagnóstico foi classificado como Floyd tipo II e confirmado por tomografia computadorizada, com sobrevida aos 23 meses em ventilação de longo prazo por esofagostomia cervical. Por se tratar de um caso único, o achado é gerador de hipótese e não permite afirmar acurácia diagnóstica nem superioridade sobre outras estratégias.
Referência
Shindo A, Kanda H, Maruyama T et al.. Rapid postnatal suspicion of tracheal agenesis facilitated by point-of-care airway ultrasound: a case report. JA Clin Rep 2026.
DOI: 10.1186/s40981-026-00870-8 · PubMed: 42955139
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org