Atraso na alta de crianças traqueostomizadas na UTI neonatal: estudo de coorte retrospectiva em Minnesota aponta espera por enfermagem domiciliar como principal fator
Atraso na alta de crianças traqueostomizadas na UTI neonatal: falta de enfermagem domiciliar é o principal fator
Em coorte retrospectiva de 16 crianças traqueostomizadas em UTI neonatal de um centro em Minnesota, apenas uma não teve atraso na alta e a mediana foi de 15 dias (intervalo interquartil 13–24; variação 0–49). A espera por enfermagem domiciliar respondeu por 10 dos 16 casos (63%; p = 0,065), e raça (p = 0,045) e sexo feminino (p = 0,039) associaram-se ao atraso, mas a amostra pequena e o desenho retrospectivo limitam as conclusões.
Em coorte retrospectiva de 16 crianças traqueostomizadas em UTI neonatal de Minnesota, a mediana de atraso na alta foi de 15 dias e a espera por enfermagem domiciliar respondeu por 63% dos casos.
Um estudo retrospectivo revisou os prontuários de 16 crianças submetidas a traqueostomia na UTI neonatal de um centro em Minnesota ao longo de cinco anos, para verificar se determinantes sociais de saúde, como nível socioeconômico, raça e sexo, e fatores médicos, como idade gestacional, influenciavam o atraso na alta hospitalar. Apenas uma criança não teve atraso; a mediana foi de 15 dias (intervalo interquartil de 13 a 24; variação de 0 a 49). A causa mais frequente foi a espera por enfermagem domiciliar, em 10 dos 16 casos (63%; p = 0,065). Raça (p = 0,045) e sexo feminino (p = 0,039) associaram-se ao atraso, enquanto peso ao nascer (p = 0,19) e o índice HOUSES (p = 0,49) não.
Contexto
Com a melhora da sobrevida na UTI neonatal, cresce o número de crianças com traqueostomia e daquelas que precisam de enfermagem domiciliar. O atraso na alta é um problema que impõe custo emocional e financeiro às crianças, às famílias e ao sistema de saúde. Os autores buscaram investigar se determinantes sociais de saúde, como nível socioeconômico, raça e sexo, e fatores médicos, como idade gestacional, influenciavam esse atraso em crianças com traqueostomia.
Como foi feito
Trata-se de revisão retrospectiva de prontuários de crianças submetidas a traqueostomia na UTI neonatal durante um período de cinco anos, em um único centro. Quatro autores revisaram os registros eletrônicos para dados demográficos, informações clínicas e atraso na alta. O nível socioeconômico foi determinado pelo índice HOUSES (HOUsing-based SocioEconomic Status). O teste de Kruskal-Wallis e a correlação de Spearman foram usados para avaliar a associação entre o atraso na alta, em dias, e as variáveis independentes. A coorte também foi dividida em dois grupos conforme atraso ≥30 dias, para exploração descritiva dos fatores associados.
O que encontraram
Foram incluídas 16 crianças, 10 do sexo feminino e 6 do masculino. Dez foram identificadas como brancas, 3 como negras e 3 como de outra raça. Apenas uma criança não apresentou atraso na alta. A mediana de atraso foi de 15 dias (intervalo interquartil de 13 a 24; variação de 0 a 49). Três crianças tiveram atraso clinicamente significativo, definido como maior que 30 dias. A causa mais comum de atraso foi a espera por enfermagem domiciliar, em 10 dos 16 casos (63%; p = 0,065). A raça (branca versus negra versus outra) associou-se ao atraso na alta (p = 0,045). O sexo feminino associou-se a atraso significativo (p = 0,039), enquanto peso ao nascer (p = 0,19) e índice HOUSES (p = 0,49) não se associaram.
Limitações
O estudo é retrospectivo, de centro único, com amostra pequena de 16 crianças, o que limita a precisão das estimativas e a capacidade de ajustar para fatores de confusão. A análise descritiva do subgrupo com atraso ≥30 dias envolveu apenas três crianças. O período de seguimento e os critérios de inclusão não são detalhados no resumo. Os próprios autores apontam que a escassez de enfermagem domiciliar e outras causas de atraso na alta devem ser mais estudadas e abordadas.
Para o pediatra
O estudo descreve que, entre crianças que receberam traqueostomia ainda na UTI neonatal, o atraso na alta foi quase universal: apenas uma das 16 crianças saiu sem atraso, e a mediana foi de 15 dias. A espera por enfermagem domiciliar foi a causa mais frequente, respondendo por 10 dos 16 casos. Raça e sexo feminino apareceram associados ao atraso nesta amostra, mas o número pequeno de pacientes limita conclusões. O material não traz orientações sobre quando encaminhar ou sobre manejo clínico.
Para o especialista
Para quem acompanha crianças traqueostomizadas na UTI neonatal, o estudo sugere que o atraso na alta é fenômeno frequente e que a indisponibilidade de enfermagem domiciliar é o principal gargalo identificado, em 63% dos casos. As associações com raça e sexo feminino, embora estatisticamente significativas neste grupo, vêm de uma amostra de 16 crianças em um único centro e não permitem inferência causal. O desenho retrospectivo e a ausência de grupo controle limitam a força da evidência; os achados servem para levantar hipóteses e justificar estudos maiores sobre a escassez de enfermagem domiciliar e outros determinantes do atraso.
Referência
Arslan M, Behl S, Maynard RC et al.. The Association of Social Drivers of Health and Neonatal Intensive Care Unit Discharge Delays in Children with Tracheostomy in a Single Center in Rural Minnesota. Pediatr Allergy Immunol Pulmonol 2026.
DOI: 10.1177/2151321x261499086 · PubMed: 42925237
Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org