Schwannoma traqueal diagnosticado por biópsia com pinça intranodal guiada por EBUS em lesão submucosa: relato de caso
Schwannoma traqueal diagnosticado por biópsia com pinça intranodal guiada por EBUS em lesão submucosa
Em homem de 72 anos com nódulo traqueal de 14 mm na porção membranosa da traqueia média, a EBUS-TBNA foi inconclusiva, mas a EBUS-IFB preservou a arquitetura tecidual e confirmou schwannoma traqueal por imuno-histoquímica positiva para S-100 e SOX10, sem complicações.
Em homem de 72 anos com nódulo traqueal de 14 mm, a EBUS-TBNA foi inconclusiva, mas a EBUS-IFB preservou a arquitetura tecidual e confirmou o tumor por S-100 e SOX10.
Um relato de caso descreve o diagnóstico de schwannoma traqueal em um homem de 72 anos com nódulo de 14 mm na porção membranosa da traqueia média, descoberto incidentalmente na tomografia. A broncoscopia mostrou lesão elevada de base ampla e superfície lisa, com comprometimento das camadas subepiteliais profundas. A punção aspirativa por agulha guiada por EBUS (EBUS-TBNA) foi inconclusiva, mas a biópsia com pinça intranodal guiada por EBUS (EBUS-IFB), feita pelo trajeto da punção, preservou a arquitetura do tecido e confirmou o diagnóstico por imuno-histoquímica. Não houve complicações.
Contexto
O diagnóstico definitivo de lesões da via aérea central depende de biópsia broncoscópica. A biópsia convencional com pinça tem rendimento de cerca de 88% nos tumores epiteliais, mas cai para cerca de 50% nas lesões predominantemente submucosas ou peribrônquicas, porque a pinça desliza sobre a mucosa íntegra ou não alcança o tecido profundo. A EBUS-IFB, associada à EBUS-TBNA, melhora o rendimento diagnóstico em linfonodos mediastinais e hilares e complementa a citologia quando a arquitetura tecidual é essencial, como em linfoma, sarcoidose, lesões benignas e tumores mesenquimais. Segundo os autores, o uso da EBUS-IFB em lesões predominantemente submucosas da via aérea ainda não havia sido relatado.
Como foi feito
Trata-se de um relato de caso de um homem de 72 anos, sem histórico médico relevante e sem tabagismo, internado por perda transitória de consciência, quando a tomografia identificou incidentalmente um tumor traqueal. Ele foi encaminhado ao centro dos autores para avaliação. A tomografia mostrou nódulo de partes moles de 14 mm de diâmetro, protruindo hemisfericamente para a luz a partir da porção membranosa da traqueia média. A broncoscopia confirmou lesão elevada de base ampla, superfície lisa e leve dilatação dos vasos subepiteliais. Com probe convexa (CP-EBUS, BF-UC290F; Olympus), foi realizada primeiro EBUS-TBNA com três passagens de agulha 22-G (ViziShot 2; Olympus); em seguida, pinça de 1,8 mm (Radial Jaw4; Boston Scientific) foi inserida no trajeto da punção e a EBUS-IFB foi feita quatro vezes a partir da porção profunda da lesão. O sítio de punção foi escolhido após o Doppler excluir lesão vascular.
O que encontraram
A EBUS-TBNA produziu material com abundantes componentes sanguíneos e poucas células fusiformes, insuficiente para avaliar a arquitetura tecidual e fechar o diagnóstico. A EBUS-IFB, por sua vez, preservou claramente a arquitetura, mostrando fascículos densamente proliferados de células fusiformes com arranjo nuclear em paliçada. A imuno-histoquímica foi positiva para proteína S-100 e SOX10, confirmando schwannoma traqueal. Não houve sangramento nem complicações durante ou após o procedimento. Após a ressecção cirúrgica ser apresentada como opção, o paciente optou por não tratar e seguir com seguimento por imagem.
Limitações
Trata-se de um relato de caso único, sem grupo comparador, o que não permite estabelecer a superioridade ou a taxa de sucesso da EBUS-IFB em lesões submucosas da via aérea. Os próprios autores observam que a evidência para criobiopsia em tumores intramurais benignos da via aérea se limita a relatos de caso e que o sangramento é uma complicação reconhecida; no caso descrito, não houve sangramento. O seguimento do paciente não é detalhado no material.
Para o especialista
O caso sugere que a EBUS-IFB, já usada em linfonodos mediastinais e hilares, pode ser opção factível para amostrar lesões predominantemente submucosas da via aérea quando a coleta convencional é inconclusiva. A CP-EBUS permite avaliar em tempo real o interior da lesão e o fluxo sanguíneo intralesional pelo Doppler, o que pode reduzir o risco de lesão vascular, e a técnica usa pinça de biópsia padrão, sem dispositivos dedicados adicionais, em serviços que já dispõem de CP-EBUS. O grau de confiança é o de um relato de caso isolado, sem comparação sistemática com biópsia convencional ou criobiopsia nesse cenário.
Referência
Baba T, Oki M, Ohama T et al.. Tracheal Schwannoma Diagnosed by Endobronchial Ultrasound-Guided Intranodal Forceps Biopsy (EBUS-IFB). Respirol Case Rep 2026.
DOI: 10.1002/rcr2.70790 · PubMed: 42903714
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org