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Thoracic Cancer· Rao MS, Bradley E, Haddad A et al.·· há 2 diasSeleção

Seguimento de 129 crianças com malformações pulmonares congênitas não encontra câncer, e adultos com adenocarcinoma não têm CPAM de fundo

Malignidade em malformações pulmonares congênitas: seguimento de 129 crianças não encontra câncer e revisão de adultos com adenocarcinoma não acha CPAM de fundo

Resumo por IA

Uma coorte de centro único em Belfast acompanhou prospectivamente 129 crianças com malformações pulmonares congênitas, 61% delas com CPAM, por mediana de 6,7 anos, e nenhuma desenvolveu neoplasia no cruzamento com o registro regional de câncer da Irlanda do Norte.

Por que importa

O seguimento de 129 crianças com malformações pulmonares congênitas manejadas de forma conservadora não encontrou câncer, o que ajuda a ponderar o risco de malignidade na indicação de ressecção.

Texto

Coorte pediátrica acompanhada por mediana de 6,7 anos não teve nenhum caso registrado de câncer; em 323 adultos com adenocarcinoma, nenhuma CPAM foi identificada na imagem.

Um estudo de centro único em Belfast acompanhou prospectivamente 129 crianças com malformações pulmonares congênitas diagnosticadas no pré-natal ou no início da vida, com mediana de seguimento de 6,7 anos, e cruzou os dados com o registro regional de câncer da Irlanda do Norte: nenhuma criança desenvolveu neoplasia. Em paralelo, os autores revisaram retrospectivamente 323 adultos com adenocarcinoma pulmonar diagnosticado entre 2021 e 2024 e não encontraram malformação pulmonar congênita de fundo em nenhuma imagem pré-operatória, inclusive entre os 37 com adenocarcinoma mucinoso. O trabalho questiona o peso do argumento de risco de malignidade como indicação para ressecar lesões assintomáticas.

Contexto

As malformações pulmonares congênitas, entre elas as malformações congênitas das vias aéreas pulmonares (CPAM), os sequestros broncopulmonares, o enfisema lobar congênito e os cistos broncogênicos, são em grande parte identificadas no ultrassom ou na ressonância magnética fetal. A transformação maligna é citada como indicação de ressecção precoce, e uma revisão sistemática de adultos com CPAM sintomática mencionada pelos autores sugeriu até 24,1% de alteração maligna na ressecção, com risco 3,2 vezes maior de tumor pulmonar em quem tem CPAM. Os tipos I e IV de CPAM foram associados, respectivamente, a adenocarcinoma bronquioloalveolar mucinoso com mutação KRAS e a blastoma pleuropulmonar. Faltam, porém, dados de seguimento de longo prazo de lesões assintomáticas manejadas sem cirurgia, e o centro de Belfast oferece manejo conservador para CPAM assintomáticas selecionadas desde 1995.

Como foi feito

Trata-se de estudo de coorte de centro único com crianças com malformações pulmonares congênitas diagnosticadas no pré-natal ou no início do período pós-natal entre 1995 e 2023 no Royal Belfast Hospital for Sick Children, sendo as CPAM o grupo principal. Foram coletados dados demográficos, idade ao diagnóstico, métodos de imagem, sintomas, indicações cirúrgicas e tempo de seguimento sob manejo conservador, e todos os pacientes foram buscados no Northern Ireland Cancer Registry. Em paralelo, foi feita revisão retrospectiva de todos os adultos com adenocarcinoma e blastoma pleuropulmonar diagnosticados entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024 no centro de referência regional, identificados por laudos de patologia, com coleta de diagnóstico, tabagismo, sintomas, imagem, tratamento e análise genética do tumor; laudos e imagens de tomografia, FDG PET e radiografia de tórax foram revistos à procura de CPAM de fundo, com revisão por radiologista. A análise estatística usou RStudio e GraphPad, com teste de Shapiro-Wilk para normalidade e teste exato de Fisher 2 × 2.

O que encontraram

Entre as 129 crianças, 79 (61%) tinham CPAM, 26 (20%) sequestro broncopulmonar, 11 (9%) enfisema lobar congênito, 10 (8%) lesões resolvidas, 2 (2%) cisto broncogênico e 1 (1%) lesão não identificada; 72 (56%) eram do sexo feminino e 114 (88%) foram diagnosticadas no pré-natal. O seguimento mediano foi de 6,7 anos (IQR 3,4–10,5; variação 0,08–20,6), e as idades atuais variaram de 2 a 31 anos. Nenhum paciente pediátrico foi identificado no registro regional de câncer. Das 79 CPAM, 72 (91%) foram diagnosticadas no pré-natal e 15 (19%) eram lesões híbridas; a localização mais comum foi o pulmão direito (47; 59%), sobretudo o lobo inferior direito (32; 40%), enquanto as CPAM sintomáticas (19; 24%) predominaram no lobo superior esquerdo (6; 8%).

Entre as CPAM, 60 (76%) eram assintomáticas; 46 permaneceram em seguimento conservador e 13 inicialmente conservadoras foram operadas, com idade média de 19,1 ± 15,9 meses, por efeito de massa (1), desvio de mediastino (1), preocupações radiológicas (3) e indicação não documentada (8). As abordagens incluíram lobectomia por toracotomia (4), lobectomia por videotoracoscopia (2), segmentectomia convertida de videotoracoscopia para toracotomia (1), lobectomia convertida (1) e método não especificado (2); houve duas complicações pós-operatórias, pneumotórax (1) e enfisema cirúrgico (1). A histologia de sete das 13 peças mostrou CPAM tipo I (4) e tipo II (3), com classificação indisponível em seis; o seguimento mediano desse grupo foi de 7,7 anos (IQR 4,5–10,6).

Das 19 CPAM sintomáticas, 10 foram operadas e uma aguardava cirurgia; as indicações foram comprometimento respiratório (5), infecções de vias aéreas (3), localização do cisto (1), tamanho do cisto (1) e não documentada (1). Nove lobectomias e uma excisão de cisto por toracotomia foram realizadas, com idade média de 1,9 ± 3,1 anos, e cinco pacientes tiveram complicações: pneumotórax (4) e pectus excavatum (1); a histologia identificou CPAM tipo I em dois. Entre as 40 crianças com malformações não CPAM assintomáticas, cinco foram operadas por hipertensão pulmonar (1), hiperinsuflação lobar (1) e indicação desconhecida (3), com um caso de pectus excavatum pós-operatório, e 35 seguiram em manejo conservador.

Na coorte adulta, 323 pacientes com adenocarcinoma foram diagnosticados com mediana de 69 anos (IQR 62–75), 179 (56%) do sexo feminino e 277 (86%) fumantes ou ex-fumantes; nenhum tinha diagnóstico pré-natal de CPAM. O adenocarcinoma mucinoso correspondeu a 37 casos (11%), com 21 (57%) portando mutação KRAS, contra 54 (19%) no grupo não mucinoso (p < 0,0001); nenhum espécime adulto foi testado para DICER-1. O subtipo lepidico foi mais frequente no mucinoso (27; 73% versus 68; 24%; p < 0,0001), assim como o padrão sólido (p = 0,0257), e a presença de sintomas foi maior no grupo mucinoso (p = 0,01638), enquanto o tabagismo foi mais frequente no não mucinoso (p = 0,009817). Lesões cavitárias ocorreram em 6 (16,2%) dos mucinosos e 33 (11,5%) dos não mucinosos, e nenhuma CPAM de fundo foi identificada em qualquer exame de imagem pré-operatório, nem na análise histológica.

Limitações

Os autores reconhecem que, apesar do seguimento prospectivo, as coortes pediátrica e adulta do centro são pequenas; as CPAM identificadas não foram classificadas rotineiramente por tipo; e os avanços da imagem antenatal identificam hoje lesões que antes passariam despercebidas, de modo que a população adulta com adenocarcinoma não tem seguimento longitudinal de lesões pulmonares que porventura existissem no pré-natal. Não se oferece rotineiramente genética para DICER-1 às crianças assintomáticas com CPAM, o que pode levar a perder pacientes de alto risco. Na coorte adulta, a revisão de imagem foi feita no momento do diagnóstico do câncer e em exames torácicos anteriores, e a distorção anatômica pode ter limitado o reconhecimento de uma CPAM preexistente; além disso, os pacientes foram identificados a partir de espécimes com histologia positiva, sem casos de CPAM identificada incidentalmente em adultos. A análise genética do tumor foi a única forma de obter dados genéticos nos adultos. Trata-se de estudo observacional de centro único, com componente retrospectivo na coorte adulta e sem grupo controle, o que permite associação, não causalidade.

Referência

Rao MS, Bradley E, Haddad A et al.. Predicting for Malignancy in Congenital Lung Malformations: A Single-Center Study of the "At Risk" Pediatric and Adult Population. Thorac Cancer 2026.

DOI: 10.1111/1759-7714.70410 · PubMed: 42962714

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: Thoracic Cancer · doi.org

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