Sobrevida de lactentes com hérnia diafragmática congênita grave tratados com FETO subiu de 44,1% para 70,8% em duas décadas
Sobrevida de lactentes com hérnia diafragmática congênita grave tratados com FETO sobe de 44% para 71% em duas décadas
Uma revisão retrospectiva de 58 lactentes com hérnia diafragmática congênita grave submetidos a oclusão traqueal fetal endoscópica (FETO) no King's College Hospital, em Londres, mostrou sobrevida de 44,1% entre 2002 e 2007 e de 70,8% entre 2020 e 2025 (p = 0,044).
A série mostra que a melhora de sobrevida na HDC grave tratada com FETO veio acompanhada de mudanças no manejo pós-natal, o que ajuda a discutir o timing cirúrgico e o fechamento abdominal.
Em revisão de 58 lactentes submetidos a oclusão traqueal fetal endoscópica, correção cirúrgica mais tardia e fechamento abdominal em dois tempos acompanharam a melhora, sem aumento de recidiva.
Uma revisão retrospectiva de 58 lactentes com hérnia diafragmática congênita (HDC) grave submetidos a oclusão traqueal fetal endoscópica (FETO) no King's College Hospital, em Londres, mostrou que a sobrevida subiu de 44,1% no período de 2002 a 2007 para 70,8% entre 2020 e 2025 (p = 0,044). No período mais recente, a correção cirúrgica foi feita mais tarde (4,0 versus 6,5 dias, p = 0,018), o fechamento abdominal em dois tempos passou de 0% para 77,8% (p < 0,001) e a recidiva caiu de 33% para 0% (p = 0,042). Os defeitos à direita tornaram-se mais frequentes na segunda época (9% versus 54%, p < 0,001).
Contexto
A FETO é descrita no material como capaz de melhorar a sobrevida na HDC grave à esquerda, mas o manejo pós-natal mudou substancialmente desde a sua introdução. O estudo foi desenhado para avaliar justamente essas mudanças de desfecho e de conduta ao longo do tempo, além de comparar os resultados conforme o lado do defeito na última década.
Como foi feito
Trata-se de revisão retrospectiva de lactentes nascidos vivos com HDC grave — relação entre pulmão observado e esperado para a cabeça (O/E LHR) < 0,25 à esquerda e < 0,45 à direita — submetidos a FETO no King's College Hospital, em Londres, e que sobreviveram até o parto. Foram incluídos 58 lactentes em dois períodos de cinco anos (2002–2007 e 2020–2025). Os desfechos comparados entre as épocas incluíram sobrevida, momento da correção cirúrgica, tipo de fechamento abdominal, recidiva e duração de ventilação mecânica, oxigenoterapia e internação. Na análise dos 31 lactentes nascidos entre 2015 e 2025, os desfechos foram comparados conforme o lado do defeito.
O que encontraram
A sobrevida passou de 44,1% para 70,8% entre as duas épocas (p = 0,044). Os defeitos à direita foram mais comuns no segundo período (9% versus 54%, p < 0,001). Todos os lactentes da segunda época receberam manejo inotrópico e ventilatório guiado por ecocardiografia, recurso que não estava universalmente disponível antes. A correção cirúrgica ocorreu mais tarde no período recente (4,0 versus 6,5 dias, p = 0,018), e o fechamento abdominal em dois tempos (laparostomia) subiu de 0% para 77,8% (p < 0,001). A recidiva caiu de 33% para 0% (p = 0,042). Em contrapartida, ventilação mecânica, oxigenoterapia e internação foram mais prolongadas na segunda época. Entre os 31 lactentes nascidos entre 2015 e 2025, a ruptura prematura de membranas pré-termo (PPROM) ocorreu em 67% dos casos à esquerda e em 92% dos casos à direita, mas em idade gestacional mais precoce nos defeitos à esquerda (p = 0,032). Lactentes com HDC à esquerda tiveram maior duração de ventilação mecânica (p = 0,04) e de internação (p = 0,006), sem diferença de mortalidade nessa análise exploratória.
Limitações
O estudo é retrospectivo, de centro único e com amostra pequena (58 lactentes), comparando duas épocas separadas por mais de uma década, o que confunde a evolução do manejo com outras mudanças de prática e de população atendida. A maior frequência de defeitos à direita no período recente indica que os grupos comparados não são equivalentes. A comparação por lado do defeito foi explicitamente descrita como exploratória pelos autores. O material disponível é apenas o resumo, sem detalhamento de critérios de seleção, seguimento ou análise estatística.
Para o pediatra
O estudo descreve lactentes com HDC grave, definida por O/E LHR < 0,25 à esquerda e < 0,45 à direita, que foram submetidos a FETO ainda na vida fetal e sobreviveram até o parto. Nesses casos, a sobrevida pós-natal chegou a 70,8% no período mais recente, com correção cirúrgica realizada em média mais tarde e fechamento abdominal frequentemente em dois tempos. A ruptura prematura de membranas pré-termo foi frequente nos dois lados (67% à esquerda e 92% à direita). O material não traz orientações sobre quando suspeitar ou encaminhar.
Para o especialista
O material sugere que, em lactentes com HDC grave tratados com FETO, a melhora de sobrevida de 44,1% para 70,8% ocorreu junto com estabilização hemodinâmica e respiratória guiada por ecocardiografia, correção cirúrgica mais tardia e fechamento abdominal em dois tempos na maioria dos casos recentes, com queda da recidiva de 33% para 0%. O desenho retrospectivo de centro único e as diferenças de casuística entre as épocas, incluindo mais defeitos à direita no período recente, limitam a atribuição causal a qualquer componente isolado do manejo. A comparação por lado do defeito é exploratória e aponta maior morbidade respiratória e tempo de internação à esquerda, sem diferença de mortalidade.
Referência
Jeffreys E, Jenkinson A, Kronfli R et al.. Changes in management of FETO-treated infants with severe CDH. Eur J Pediatr 2026.
DOI: 10.1007/s00431-026-07526-w · PubMed: 42925425
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org