Stent metálico coberto por via traqueoscópica em fístula traqueoesofágica alta pós-operatória: relato comparativo de dois casos com desfechos opostos
Stent metálico coberto por via traqueoscópica em fístula traqueoesofágica alta pós-operatória: dois casos com desfechos opostos
Em dois homens idosos (67 e 78 anos) com fístula traqueoesofágica alta após cirurgia de câncer de esôfago, a colocação traqueoscópica de stent metálico autoexpansível coberto (CSEMS) cicatrizou a fístula em um caso, mas exigiu troca por stent customizado com extremidade em bola, biogel, esponjas de gelatina e fixação percutânea externa no outro, por deslocamentos repetidos.
Em dois homens idosos com fístula alta após cirurgia de câncer de esôfago, o stent coberto funcionou em um caso e exigiu troca, reforços e fixação percutânea no outro.
Dois casos de fístula traqueoesofágica alta após ressecção de câncer de esôfago foram tratados com colocação traqueoscópica de stent metálico autoexpansível coberto (CSEMS), com desfechos divergentes. No primeiro, um homem de 67 anos com fístula de 0,6 cm, situada 4 cm abaixo das pregas vocais, o stent reto foi implantado com sucesso e removido após quatro meses, quando se confirmaram cicatrização completa da mucosa e epitelização, apesar de hiperplasia de tecido de granulação. No segundo, um homem de 78 anos com diabetes e fístula grande (12×8 mm) a 3 cm das pregas vocais, o stent reto deslocou-se repetidamente; a equipe passou a um stent customizado com extremidade em bola, associado a biogel e esponjas de gelatina, e por fim recorreu a fixação percutânea externa.
Contexto
A fístula traqueoesofágica após ressecção de câncer de esôfago é complicação rara, mas potencialmente fatal. Segundo os autores, o tratamento das fístulas altas pós-operatórias, sobretudo na região subglótica, impõe dificuldades técnicas relevantes por causa das restrições anatômicas e do risco de migração do stent. O relato avalia a eficácia da colocação traqueoscópica de CSEMS nesse cenário.
Como foi feito
Trata-se de relato comparativo de dois casos de fístula traqueoesofágica alta complicando cirurgia de câncer de esôfago, tratados com colocação traqueoscópica de stent metálico autoexpansível coberto. O material descreve os dois pacientes, as características das fístulas, a escolha e o posicionamento do stent, os recursos adjuvantes usados e a evolução de cada caso. Não são informados o período, o local do atendimento nem a duração total do seguimento.
O que encontraram
No caso 1, um homem de 67 anos apresentava fístula de 0,6 cm de diâmetro localizada 4 cm distal às pregas vocais. Um CSEMS reto foi implantado com sucesso. Quatro meses depois, após confirmação de cicatrização completa da mucosa e epitelização, o stent foi removido, decisão tomada após a observação de hiperplasia de tecido de granulação.
No caso 2, um homem de 78 anos com diabetes tinha fístula grande, medindo 12×8 mm, situada 3 cm distal às pregas vocais. Um CSEMS reto inicial falhou por deslocamentos repetidos. Foi substituído por um CSEMS customizado com extremidade em bola, associado a biogel e esponjas de gelatina.
Diante de deslocamento refratário e cicatrização prejudicada, a equipe recorreu por fim a fixação percutânea externa para estabilizar o stent.
Limitações
O estudo é um relato de dois casos, sem grupo controle e sem comparação sistemática entre estratégias, o que não permite estabelecer superioridade de um tipo de stent ou de um recurso adjuvante sobre outro. As conclusões vêm de dois pacientes com características distintas, incluindo diabetes e tamanhos e alturas de fístula diferentes, de modo que os desfechos divergentes podem refletir particularidades individuais. Os próprios autores apontam que estudos maiores são necessários para definir algoritmos de tratamento ideais. O resumo não informa o período, o centro nem a duração do seguimento.
Para o especialista
Para o especialista que maneja via aérea, o relato sugere que a colocação traqueoscópica de CSEMS é uma estratégia viável em fístula traqueoesofágica alta pós-operatória, mas que o sucesso na região subglótica depende de seleção individualizada do stent e de medidas adjuvantes. A experiência dos dois casos ilustra a necessidade de adaptação técnica, incluindo stent customizado com extremidade em bola, biogel e esponjas de gelatina e, em último caso, fixação percutânea externa diante de deslocamento refratário. O desenho de relato de caso comparativo limita a força da evidência e não define algoritmo de manejo.
Referência
Pang X, Chen Y, Liu Y et al.. Tracheoscopic Management of Postoperative High Tracheoesophageal Fistula Using Covered Self-Expanding Metallic Stents: A Comparative Report of 2 Cases With Divergent Outcomes. Am J Case Rep 2026.
DOI: 10.12659/ajcr.953942 · PubMed: 42955890
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org