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PubMed · matérias do Fôlego· Krupic F, Heljic J, Green A et al.·· há 22 h

Experiência, comunicação e planejamento na extubação anestésica: revisão integrativa de 13 estudos

Experiência, comunicação e planejamento: revisão integrativa sobre a extubação na prática anestésica

Resumo por IA

Revisão integrativa de 13 estudos (2006–2022) mostra que a extubação anestésica é guiada sobretudo por conhecimento tácito, com falhas de comunicação, pressão de tempo e adesão irregular a protocolos.

Texto

Revisão de 13 estudos mostra que a extubação é guiada sobretudo por conhecimento tácito, com falhas de comunicação, pressão de tempo e adesão irregular a protocolos.

Uma revisão sistemática com abordagem integrativa reuniu 13 estudos publicados entre 2006 e 2022 para explorar as experiências de anestesiologistas e enfermeiros anestesistas com a extubação no perioperatório. A experiência profissional apareceu como fator central para desfechos seguros, enquanto comunicação deficiente, restrições de tempo e falta de respeito entre colegas foram descritas como prejudiciais ao desempenho. Planejamento e preparação adequados foram apontados como componentes essenciais. Os autores concluem que experiência, comunicação efetiva e planejamento estruturado são fundamentais para uma extubação segura.

Contexto

A manutenção da via aérea pérvia e de ventilação e oxigenação adequadas é responsabilidade fundamental do enfermeiro anestesista e componente essencial da prática anestésica segura. Historicamente, a indução e a intubação receberam mais atenção, com diretrizes e algoritmos bem estabelecidos, de modo que as complicações da intubação foram mais estudadas que as da extubação. A extubação, porém, é cada vez mais reconhecida como fase de alto risco, associada a hipóxia, obstrução de via aérea, laringoespasmo, broncoespasmo, aspiração pulmonar, hipertensão e taquicardia. Segundo o artigo, complicações relacionadas à extubação podem ocorrer até três vezes mais que as da intubação, cerca de 23% das complicações graves de via aérea em anestesia ocorrem na extubação e até 50% desses eventos estão associados a antecipação e planejamento inadequados. Apesar disso, a prática de extubação costuma se apoiar em julgamento clínico individual, com adesão inconsistente a checklists ou protocolos padronizados.

Como foi feito

Trata-se de revisão sistemática da literatura com abordagem integrativa, seguindo as diretrizes PRISMA, com buscas em PubMed, Medline, CINAHL, Embase e Cochrane Library realizadas entre março e dezembro de 2023, abrangendo estudos publicados de 2006 a 2022. Foram incluídos artigos originais, revisados por pares, em inglês, com abordagem qualitativa ou quantitativa; foram excluídos estudos de métodos mistos, revisões sistemáticas e publicações em outros idiomas. A seleção foi guiada pelos frameworks PICO e PEO, com triagem de títulos, revisão de resumos e avaliação de textos completos, resultando em 13 dos 348 estudos identificados. A coleta de dados envolveu principalmente entrevistas semiestruturadas em grupos focais, com 13 a 122 participantes. A análise seguiu um modelo estruturado de cinco etapas, com revisão independente por todos os autores e extração de dados em Excel.

O que encontraram

A análise dos 13 estudos gerou três categorias principais e oito subcategorias: competência clínica, vulnerabilidade na prática e prontidão clínica. Os participantes incluíram enfermeiros anestesistas com 5 a 41 anos de experiência e anestesiologistas com 3 a 34 anos, em ambientes de hospitais universitários e rurais. Nos estudos qualitativos, o número de participantes variou de 7 a 21; nos quantitativos, de 23 a 345.

Na categoria de competência clínica, menor tempo de experiência profissional associou-se a extubação difícil (P = 0,027) e ventilação inadequada (P = 0,011), além de complicações perioperatórias. Cerca de 29% dos enfermeiros anestesistas relataram ao menos uma complicação relacionada à extubação por mês. A decisão de extubar baseou-se principalmente na experiência prévia, e anestesiologistas menos experientes relataram apoiar-se na intuição por conta de diretrizes limitadas, enquanto os mais experientes demonstravam melhor antecipação de complicações e adaptabilidade.

Na categoria de vulnerabilidade, 8% dos respondentes relataram sempre se sentir sozinhos durante a extubação e 54% relataram isso com frequência. A interação com anestesiologistas durante a extubação representou 2,1% do tempo total de interação observado. Aumento da carga de trabalho (P = 0,015) e anos de experiência (P = 0,020) associaram-se a extubações difíceis. A extubação pediátrica foi associada a maior risco percebido e a complicações como laringoespasmo e sangramento, exigindo mais cautela pelas diferenças anatômicas.

Na categoria de prontidão clínica, entre enfermeiros com menos de 2 anos de experiência, 12% relataram sempre ter preparo para ação, 64% frequentemente e 24% às vezes. Sobre diretrizes, 37% relataram sua existência, 31% disseram não haver nenhuma e 32% as desconheciam. A documentação de complicações foi sempre ou frequentemente feita por 85% dos enfermeiros anestesistas, contra 62% dos homens; 16% dos homens relataram documentação rara ou ausente, contra nenhuma das mulheres. Ao todo, 75% não realizavam seguimento pós-operatório e 79% relataram feedback limitado ou ausente das unidades pós-operatórias.

Limitações

Os autores reconhecem que a análise qualitativa tem natureza interpretativa e pode introduzir subjetividade, o que buscaram mitigar com análise de conteúdo independente por todos os autores; um revisor externo poderia ter acrescentado validação. Como todos os estudos incluídos foram publicados em inglês, a tradução durante a análise pode ter gerado deslocamentos interpretativos. A própria revisão excluiu estudos de métodos mistos e com grupos controle, e a síntese se apoia em experiências autorrelatadas, sem medida objetiva de desfechos clínicos.

Para o pediatra

O estudo não é pediátrico, mas traz um achado que interessa a quem cuida de crianças: a extubação pediátrica foi descrita pelos profissionais como fase de maior risco percebido, com complicações como laringoespasmo e sangramento, exigindo mais cautela por causa das diferenças anatômicas. Os autores também relatam que a decisão de extubar se apoia sobretudo em experiência clínica e que diretrizes formais muitas vezes estão ausentes ou são desconhecidas pelos profissionais.

Para o especialista

Para quem atua em via aérea, a revisão reforça que a extubação é uma decisão clínica complexa, guiada por conhecimento tácito e vigilância contínua, e não apenas um gesto técnico. Os dados sugerem que menor experiência se associa a extubação difícil e ventilação inadequada, que a presença de ao menos dois profissionais treinados em anestesia foi descrita como fator de segurança e que a adesão a protocolos é irregular. Por se tratar de revisão integrativa de estudos qualitativos e quantitativos, sem grupo controle nem desfechos clínicos objetivos, os achados são geradores de hipótese e não estabelecem superioridade de condutas.

Referência

Krupic F, Heljic J, Green A et al.. Extubation in anesthetic practice: A systematic integrative review of anesthesiologists' and nurse anesthetists' experiences. Saudi J Anaesth 2026.

DOI: 10.4103/sja.sja_433_26 · PubMed: 42960068

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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