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PubMed · matérias do Fôlego· Ali K, Aljarbou T, Algarni S et al.·· há 4 diasSeleção

Falha de extubação em prematuros com menos de 32 semanas cai de 22,5% para 4,9% conforme avança a idade gestacional

Falha de extubação em prematuros extremos: incidência cai com a idade gestacional e se associa a displasia broncopulmonar

Resumo por IA

Em coorte retrospectiva de 877 prematuros ventilados em uma UTI neonatal terciária em Riade, a falha de extubação em até 72 horas ocorreu em 89 crianças (10,1%), com incidência de 22,5% abaixo de 26 semanas e 4,9% entre 30 e 31 semanas e 6 dias.

Por que importa

A coorte de nove anos quantifica a carga da falha de extubação em prematuros extremos e mostra que a idade gestacional, sozinha, não decide a reintubação.

Texto

Em coorte de 877 prematuros ventilados, a falha de extubação ocorreu em 10,1% e foi associada a mais displasia broncopulmonar moderada a grave, mais dias de ventilação invasiva e internação mais longa.

Um estudo retrospectivo de coorte conduzido em uma UTI neonatal terciária em Riade, Arábia Saudita, avaliou 877 prematuros nascidos com menos de 32 semanas que passaram por ao menos uma tentativa de extubação planejada. A falha de extubação, definida como necessidade de reintubação em até 72 horas, ocorreu em 89 crianças (10,1%), com incidência que caiu de 22,5% abaixo de 26 semanas para 4,9% entre 30 e 31 semanas e 6 dias. Na análise multivariada, a idade gestacional foi o único preditor independente de falha entre as variáveis disponíveis (OR ajustado 0,78 por semana; IC 95% 0,65–0,94). Entre os sobreviventes, a falha de extubação associou-se a displasia broncopulmonar moderada a grave (50,6% vs. 18,7%; OR ajustado 3,07), a mais dias de ventilação invasiva e a internação mais longa.

Contexto

Prematuros frequentemente precisam de ventilação mecânica invasiva por deficiência de surfactante, imaturidade respiratória e doença pulmonar em evolução. A extubação precoce é um objetivo central do manejo respiratório neonatal, mas a falha de extubação é complicação comum, descrita em taxas de 10% a 30%, com os valores mais altos entre os recém-nascidos de menor idade gestacional e peso. Diversos fatores clínicos já foram associados ao desfecho da extubação, e a falha tem sido ligada a suporte respiratório prolongado, internação mais longa e maior risco de displasia broncopulmonar. Como as crianças que falham costumam ser mais prematuras e ter doença respiratória basal mais grave, permanecia incerto se a falha contribui de forma independente para esses desfechos ou se apenas identifica quem já tinha risco maior.

Como foi feito

Coorte retrospectiva em UTI neonatal nível III do King Abdulaziz Medical City, em Riade, Arábia Saudita, entre janeiro de 2017 e dezembro de 2025. Foram incluídos prematuros com menos de 32 semanas que necessitaram de ventilação mecânica invasiva na internação e passaram por ao menos uma extubação planejada; crianças sem desfecho de extubação documentado foram excluídas. A falha foi definida como reintubação em até 72 horas da extubação planejada, e a prontidão para extubar e a decisão de reintubar ficaram a cargo da equipe assistente, sem protocolo padronizado. A gravidade da displasia broncopulmonar foi classificada em graus 0 a 3, com moderada a grave definida como grau ≥ 2. Os desfechos secundários incluíram duração cumulativa da ventilação invasiva, tempo de internação, oxigênio domiciliar na alta, morbidades neonatais maiores e o desfecho composto de óbito antes da alta ou displasia broncopulmonar moderada a grave. Foram feitos modelos multivariados de regressão logística e linear, com ajuste para idade gestacional, peso ao nascer e sexo nos desfechos posteriores.

O que encontraram

A coorte final teve 877 crianças ventiladas, das quais 89 (10,1%) falharam na extubação. A incidência caiu com o avançar da idade gestacional: 22,5% abaixo de 26 semanas, 10,3% entre 26 e 27 semanas e 6 dias, 6,0% entre 28 e 29 semanas e 6 dias e 4,9% entre 30 e 31 semanas e 6 dias (p < 0,001 para tendência). As crianças que falharam tinham idade gestacional menor (26,3 ± 2,4 vs. 27,8 ± 2,4 semanas; p < 0,001) e peso ao nascer menor (904 ± 330 vs. 1.099 ± 363 g; p < 0,001), e receberam mais frequentemente duas ou mais doses de surfactante (52,8% vs. 38,8%; p = 0,011). Sexo, exposição a corticoide antenatal, ruptura prolongada de membranas, via de parto, hemorragia pulmonar e pneumotórax não diferiram entre os grupos.

No modelo multivariado (n = 858), a idade gestacional foi o único preditor independente de falha de extubação entre as variáveis analisadas (OR ajustado 0,78 por semana; IC 95% 0,65–0,94; p = 0,007). Peso ao nascer, Apgar de 5 minutos, exposição a corticoide antenatal, duas ou mais doses de surfactante, hemorragia pulmonar, pneumotórax e estratégia de suporte respiratório imediatamente antes da extubação não se associaram de forma independente. O modelo teve discriminação aceitável (AUC 0,706), boa calibração (Hosmer-Lemeshow p = 0,146) e poder explicativo modesto (Nagelkerke R² = 0,099).

Entre os sobreviventes (n = 811), a falha de extubação associou-se a displasia broncopulmonar moderada a grave (50,6% vs. 18,7%; OR ajustado 3,07; IC 95% 1,79–5,24; p < 0,001) e ao desfecho composto de óbito antes da alta ou displasia moderada a grave (53,9% vs. 24,7%; p < 0,001). A mortalidade antes da alta não diferiu (6,7% vs. 7,4%; p = 0,999). As crianças com falha tiveram maior exposição cumulativa à ventilação invasiva (mediana 31 vs. 6 dias; razão ajustada 2,01; IC 95% 1,64–2,45; p < 0,001) e internação mais longa (mediana 97 vs. 59 dias; razão ajustada 1,40; IC 95% 1,21–1,63; p < 0,001). O tempo até a primeira extubação planejada foi semelhante (6 vs. 5 dias; p = 0,329).

No curso posterior, o grupo com falha usou mais ventilação oscilatória de alta frequência (61,4% vs. 35,2%), óxido nítrico inalatório (36,0% vs. 19,5%) e corticoide pós-natal (60,7% vs. 30,8%), todos com p < 0,001. As morbidades infecciosas e outras complicações também foram mais frequentes: sepse de início tardio (37,1% vs. 18,1%), pneumonia associada à ventilação mecânica (28,1% vs. 10,0%), tratamento de persistência do canal arterial (51,7% vs. 32,5%) e leucomalácia periventricular (16,9% vs. 8,7%; p = 0,022). Hemorragia intraventricular grave foi mais comum no grupo com falha, sem significância estatística (19,1% vs. 12,8%; p = 0,136). Oxigênio domiciliar na alta foi pouco frequente e sem diferença entre os grupos (3,6% vs. 1,4%; p = 0,139).

Limitações

Os autores reconhecem que o desenho retrospectivo impede inferência causal e que os critérios de prontidão para extubação não foram padronizados, variando entre os clínicos, o que pode ter influenciado o momento da extubação e da reintubação. Ajustes detalhados de ventilador, necessidade de oxigênio e outros marcadores fisiológicos de prontidão não estavam disponíveis de forma consistente, limitando a avaliação da prontidão fisiológica e deixando confundimento residual por marcadores não medidos de gravidade respiratória. Por isso, o trabalho deve ser lido como identificação de fatores associados, e não como modelo de predição validado clinicamente. As práticas de manejo respiratório podem ter mudado ao longo dos nove anos, incluindo a introdução da administração menos invasiva de surfactante (LISA) no fim de 2023, mas apenas 43 crianças receberam LISA, o que impediu avaliar seu efeito. Sendo estudo de centro único, os achados podem não ser plenamente generalizáveis a unidades com populações ou abordagens diferentes.

Para o pediatra

O estudo mostra que, entre prematuros com menos de 32 semanas que precisaram de ventilação invasiva, cerca de 1 em cada 10 falhou na primeira extubação planejada, ou seja, precisou ser reintubado em até 72 horas. O risco foi muito maior nos menores: 22,5% abaixo de 26 semanas, contra 4,9% entre 30 e 31 semanas e 6 dias. As crianças que falharam evoluíram com mais displasia broncopulmonar moderada a grave, mais dias de ventilação invasiva e internação aproximadamente 40% mais longa, além de mais sepse de início tardio e pneumonia associada à ventilação mecânica. A idade gestacional foi o único fator independentemente associado à falha entre as variáveis analisadas, o que reforça que a imaturidade deve pesar na avaliação, mas os autores ressaltam que ela não basta sozinha para decidir a extubação.

Para o especialista

O trabalho acrescenta, segundo os próprios autores, dados contemporâneos de uma coorte grande de nove anos, com 877 prematuros ventilados, e quantifica a carga respiratória associada à falha de extubação: razão ajustada de 2,01 para dias de ventilação invasiva, 1,40 para tempo de internação e OR de 3,07 para displasia broncopulmonar moderada a grave entre sobreviventes. A mensagem para a decisão de extubar é que a idade gestacional é componente relevante do risco, mas não determinante isolado, e que a prontidão deve seguir sendo avaliada de forma mais ampla, incorporando estado fisiológico, necessidade ventilatória e estabilidade clínica. O grau de confiança é limitado pelo desenho retrospectivo, de centro único, sem protocolo padronizado de extubação e sem marcadores fisiológicos consistentes no momento da extubação; o modelo preditivo teve AUC 0,706 e Nagelkerke R² de 0,099, insuficiente para uso clínico validado. Os autores apontam que a falha de extubação pode servir como marcador de morbidade respiratória posterior e de maior uso de recursos, e não como métrica isolada de desempenho, e que estudos prospectivos com variáveis fisiológicas imediatamente antes da extubação são necessários para desenvolver e validar externamente modelos de prontidão.

Referência

Ali K, Aljarbou T, Algarni S et al.. Extubation failure in very preterm infants: associations with respiratory outcomes in a nine-year cohort study. BMC Pediatr 2026.

DOI: 10.1186/s12887-026-07399-w · PubMed: 42897501

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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