Relato de caso: transformação para pequenas células em lesão endobrônquica durante osimertinibe, com controle prolongado após broncoscopia rígida e quimiorradioterapia
Transformação para pequenas células em lesão endobrônquica durante osimertinibe: controle prolongado com broncoscopia rígida e quimiorradioterapia
Em um paciente com adenocarcinoma pulmonar EGFR mutado (deleção no éxon 19) em uso de osimertinibe, uma nova lesão endobrônquica no brônquio principal esquerdo com obstrução crítica foi ressecada por broncoscopia rígida com stent temporário, confirmando-se carcinoma de pequenas células.
Relato de caso descreve ressecção broncoscópica rígida e stent temporário como ponte para quimiorradioterapia sequencial e retomada do osimertinibe, com controle de doença superior a quatro anos.
Relato de caso publicado no In vivo descreve um paciente com adenocarcinoma pulmonar EGFR mutado (deleção no éxon 19) que vinha em controle prolongado com osimertinibe para recidiva em linfonodos mediastinais e desenvolveu nova lesão endobrônquica no brônquio principal esquerdo. A ressecção por broncoscopia rígida e a colocação temporária de stent de via aérea aliviaram a obstrução crítica. O exame anatomopatológico confirmou carcinoma de pequenas células, e a imuno-histoquímica do adenocarcinoma inicial e da lesão endobrônquica mostrou superexpressão de p53 e perda de Rb concordantes, sustentando o diagnóstico clínico de provável transformação histológica. O paciente foi conduzido a quimiorradioterapia sequencial, com retirada bem-sucedida do stent e retomada do osimertinibe, alcançando controle de doença por mais de quatro anos.
Contexto
O osimertinibe proporciona sobrevida livre de progressão durável no câncer de pulmão não pequenas células (NSCLC) com mutação de EGFR, mas a resistência adquirida é inevitável. A transformação histológica para carcinoma de pequenas células (SCLC) é um mecanismo de resistência reconhecido, que costuma se apresentar com doença metastática disseminada e prognóstico ruim. Segundo os autores, as melhores estratégias de tratamento após a transformação não estão estabelecidas.
Como foi feito
Trata-se de relato de caso de um paciente com adenocarcinoma pulmonar positivo para deleção no éxon 19 de EGFR, que vinha em uso de osimertinibe com controle prolongado de recidiva em linfonodos mediastinais. O paciente desenvolveu nova lesão endobrônquica no brônquio principal esquerdo, submetida a ressecção por broncoscopia rígida e stent de via aérea temporário. O material foi examinado por anatomopatologia e imuno-histoquímica, comparando-se o adenocarcinoma inicial e a lesão endobrônquica. O texto disponível não informa o período do seguimento nem detalhes do esquema de quimiorradioterapia utilizado.
O que encontraram
A lesão endobrônquica no brônquio principal esquerdo causava obstrução crítica, aliviada pela ressecção por broncoscopia rígida e pela colocação temporária de stent de via aérea. A análise anatomopatológica confirmou SCLC. A imuno-histoquímica do adenocarcinoma inicial e da lesão endobrônquica mostrou superexpressão de p53 e perda de expressão de Rb concordantes, o que, segundo os autores, sustenta o diagnóstico clínico de provável transformação histológica. Após a desobstrução, o paciente foi conduzido a quimiorradioterapia sequencial, seguida de retirada bem-sucedida do stent e retomada do osimertinibe. O resultado foi controle de doença de longo prazo, superior a quatro anos.
Limitações
Por ser relato de caso único, o desenho não permite estabelecer que a sequência de ressecção broncoscópica rígida, stent temporário, quimiorradioterapia e retomada do osimertinibe seja superior a outras condutas, nem generalizar o desfecho para outros pacientes com transformação para SCLC. O diagnóstico de transformação histológica foi clínico, apoiado pela concordância imuno-histoquímica, e não por caracterização genômica adicional descrita no material. Os próprios autores afirmam que o acúmulo de mais casos é necessário para definir estratégias ótimas de tratamento.
Para o especialista
O relato sugere que, em transformação para SCLC locorregionalmente confinada surgida durante o uso de osimertinibe, uma abordagem individualizada e multidisciplinar com ressecção por broncoscopia rígida, stent de via aérea temporário, quimiorradioterapia e retomada do osimertinibe pode alcançar controle prolongado da doença, superior a quatro anos neste caso. A confiança é limitada por se tratar de caso único, sem grupo comparador, e os autores consideram necessário acumular mais casos para estabelecer a estratégia ideal.
Referência
Murayama N, Inomata M, Matsumoto M et al.. Long-term Disease Control After Probable Endobronchial Small-cell Transformation During Osimertinib Therapy for EGFR-mutant Lung Adenocarcinoma. In Vivo 2026.
DOI: 10.21873/invivo.14531 · PubMed: 42957218
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org