Treino vocal computadorizado em paralisia bilateral de pregas vocais pós-trauma craniano: relato de caso com seguimento de 26 meses
Treino vocal computadorizado em paralisia bilateral de pregas vocais pós-trauma craniano: seguimento de 26 meses
Em um relato de caso único, três meses de treino vocal computadorizado com biofeedback visual (cinco sessões semanais de 20 minutos) foram seguidos de melhora sustentada em uma mulher de 27 anos com paralisia bilateral de pregas vocais após traumatismo cranioencefálico grave e decanulação.
Relato de caso mostra ganho sustentado no índice de gravidade da disfonia e na escala de penetração-aspiração após três meses de treino com biofeedback visual.
Um relato de caso acompanhou por 26 meses uma mulher de 27 anos com traumatismo cranioencefálico grave que desenvolveu paralisia bilateral de pregas vocais após a decanulação da traqueostomia. Ela fez três meses de treino vocal computadorizado, com cinco sessões semanais de 20 minutos voltadas ao tempo máximo de fonação e à intensidade vocal por biofeedback visual. O Dysphonia Severity Index (DSI) passou de -22,28 para +0,73 aos 26 meses, o tempo máximo de fonação subiu 191% (de 8,60 s para 25,02 s) e o VHI-10 caiu 64,7% (de 34 para 12). A avaliação endoscópica da deglutição mostrou melhora da adução das pregas vocais, com a Penetration-Aspiration Scale indo de 6 para 1.
Contexto
Segundo os autores, não existe protocolo não cirúrgico padronizado para a paralisia bilateral de pregas vocais e faltam dados objetivos de desfecho em longo prazo nessa população. O artigo descreve o caso como essa complicação rara após traumatismo cranioencefálico e afirma que o seguimento de 26 meses representa o maior período de dados objetivos de desfecho já relatado para esse grupo.
Como foi feito
Trata-se de um relato de caso de uma paciente de 27 anos com traumatismo cranioencefálico grave que desenvolveu paralisia bilateral de pregas vocais após a decanulação da traqueostomia. Ela foi submetida a três meses de treino vocal computadorizado, com cinco sessões por semana de 20 minutos, direcionado ao tempo máximo de fonação e à intensidade vocal por meio de biofeedback visual. Os desfechos foram avaliados pelo Dysphonia Severity Index (DSI), tempo máximo de fonação, jitter, shimmer e Voice Handicap Index-10 (VHI-10), com seguimento em 6 e 26 meses. Também foi realizada avaliação endoscópica fibro-óptica da deglutição (FEES).
O que encontraram
O DSI melhorou de -22,28 na avaliação inicial para +0,73 aos 26 meses, ganho de 23,01 pontos. O tempo máximo de fonação aumentou 191%, de 8,60 s para 25,02 s, ultrapassando os valores normativos segundo o resumo. O jitter normalizou para 0,43%, e o VHI-10 melhorou 64,7%, de 34 para 12. Na FEES, houve melhora da adução das pregas vocais, com a Penetration-Aspiration Scale passando de 6 para 1.
Limitações
Por ser um relato de caso único, sem grupo controle, o estudo não permite atribuir a melhora ao treino vocal computadorizado nem descartar recuperação espontânea ao longo dos 26 meses. O resumo não informa detalhes sobre a avaliação inicial, a adesão ao protocolo ou a presença de outras intervenções concomitantes. Os resultados descrevem uma única paciente e não podem ser generalizados para outras crianças ou adultos com paralisia bilateral de pregas vocais pós-trauma craniano.
Para o especialista
O relato descreve um protocolo de treino vocal computadorizado com biofeedback visual, de três meses e cinco sessões semanais de 20 minutos, aplicado a uma paciente adulta com paralisia bilateral de pregas vocais após traumatismo cranioencefálico e decanulação. Os dados objetivos de DSI, tempo máximo de fonação, jitter, VHI-10 e Penetration-Aspiration Scale, com seguimento de 26 meses, são apresentados pelos autores como os mais longos já relatados nessa população. O desenho de caso único, sem controle, limita a conclusão a uma possibilidade de reabilitação não cirúrgica a ser explorada, não a uma indicação estabelecida.
Referência
Fang G, Zhou Q, Wang C et al.. Computer-assisted voice training for bilateral vocal fold paralysis following traumatic brain injury: a 26-month follow-up case report. Brain Inj 2026.
DOI: 10.1080/02699052.2026.2748376 · PubMed: 42899512
Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org