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PubMed · matérias do Fôlego· Onodera K, Watanabe T, Takei Y et al.·· há 2 dias

Transplante pulmonar unilateral: balanço hídrico intraoperatório ≥70 mL/kg associado a disfunção primária grave do enxerto em 48 horas

Transplante pulmonar unilateral: balanço hídrico intraoperatório alto associado a disfunção grave do enxerto em 48 horas

Resumo por IA

Em 88 receptores de transplante pulmonar unilateral com doador em morte encefálica, balanço hídrico intraoperatório ≥70 mL/kg associou-se a disfunção primária do enxerto (PGD) grau 3 em 48 horas (34,1% vs.

Texto

Em 88 receptores, carga hídrica ≥70 mL/kg associou-se a PGD grau 3 em 48 horas (34,1% vs. 6,8%), mais traqueostomia e maior tempo de ventilação e de UTI.

Estudo retrospectivo avaliou 88 receptores de transplante pulmonar unilateral com doador em morte encefálica, divididos pelo balanço hídrico intraoperatório ajustado ao peso (mediana de 70,3 mL/kg) em grupo de baixo volume (<70 mL/kg) e alto volume (≥70 mL/kg). O grupo de alto volume apresentou taxa significativamente maior de disfunção primária do enxerto (PGD) grau 3 em 48 horas (34,1% vs. 6,8%; p = 0,003), mais traqueostomias (36,4% vs. 9,1%; p = 0,004) e tempos maiores de ventilação mecânica (4 vs. 2 dias; p = 0,016) e de permanência em UTI (10 vs. 6 dias; p = 0,011). Na análise multivariada, o balanço hídrico alto permaneceu associado à PGD grau 3 em 48 horas (OR 4,91; p = 0,039).

Contexto

Receptores de transplante pulmonar unilateral mantêm no tórax o pulmão nativo doente, o que os torna vulneráveis à sobrecarga hídrica durante a operação, segundo os autores. O estudo parte dessa premissa para examinar se o balanço hídrico intraoperatório ajustado ao peso se relaciona com os desfechos pós-operatórios nesse grupo específico de receptores.

Como foi feito

Série retrospectiva de 88 receptores de transplante pulmonar unilateral com doador em morte encefálica, categorizados pelo balanço hídrico intraoperatório ajustado ao peso em dois grupos de 44 pacientes cada, tendo como corte a mediana de 70,3 mL/kg: baixo volume (<70 mL/kg) e alto volume (≥70 mL/kg). Foram aplicadas análises de regressão logística e linear multivariadas, com transformação logarítmica natural para a duração da ventilação mecânica e da permanência em UTI, ajustadas para duração da operação, perda sanguínea e uso de suporte circulatório extracorpóreo (ECLS). Os desfechos incluíram PGD grau 3 em 48 horas, traqueostomia, tempo de ventilação mecânica, tempo de UTI e continuidade de ECLS no pós-operatório. O período e o local do estudo não são informados no resumo.

O que encontraram

As características dos doadores foram comparáveis entre os grupos. O grupo com balanço hídrico ≥70 mL/kg apresentou taxa de PGD grau 3 em 48 horas de 34,1%, contra 6,8% no grupo de baixo volume (p = 0,003). A taxa de traqueostomia foi de 36,4% versus 9,1% (p = 0,004).

O tempo de ventilação mecânica foi maior no grupo de alto volume (4 vs. 2 dias; p = 0,016), assim como a permanência em UTI (10 vs. 6 dias; p = 0,011). A continuidade de ECLS às 48 horas foi idêntica nos dois grupos (2,3% vs. 2,3%).

Na análise multivariada ajustada para duração da operação, perda sanguínea e uso de ECLS, o balanço hídrico alto permaneceu significativamente associado à PGD grau 3 em 48 horas (OR 4,91; p = 0,039).

Limitações

Trata-se de estudo retrospectivo, de centro único e com amostra de 88 pacientes, sem grupo controle não transplantado; a divisão em grupos pela mediana do balanço hídrico é arbitrária e a análise ajusta apenas para duração da operação, perda sanguínea e uso de ECLS, de modo que fatores de confusão residuais não podem ser excluídos. O resumo não informa o período do estudo nem o tempo de seguimento, e a associação observada não estabelece relação causal.

Para o especialista

O estudo sugere que, em receptores de transplante pulmonar unilateral, um balanço hídrico intraoperatório ≥70 mL/kg associa-se de forma independente a PGD grau 3 em 48 horas, além de mais traqueostomia e maior tempo de ventilação e de UTI. Por ser retrospectivo e de centro único, o achado apoia a atenção ao manejo hídrico intraoperatório, mas não demonstra que restringir volume melhore desfechos.

Referência

Onodera K, Watanabe T, Takei Y et al.. Impact of Intraoperative Fluid Balance on Postoperative Clinical Outcomes after Single-Lung Transplantation. Ann Thorac Cardiovasc Surg 2026.

DOI: 10.5761/atcs.oa.26-00152 · PubMed: 42907377

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org