Stent laríngeo-traqueal adaptado de tubo T de Montgomery para ressecção cricotraqueal ampliada: descrição técnica de cirurgiões do National Research Institute of Tuberculosis and Lung Diseases (Irã)
Stent laríngeo-traqueal adaptado de tubo T de Montgomery para ressecção cricotraqueal ampliada
Cirurgiões do National Research Institute of Tuberculosis and Lung Diseases, no Irã, descreveram a confecção de um stent laríngeo-traqueal a partir de um tubo T de Montgomery tamanho 12 para ressecção cricotraqueal ampliada com fissura laríngea e enxerto de cartilagem costal, quando o molde laríngeo-traqueal não está disponível.
Técnica descreve como confeccionar, a partir de um tubo T de Montgomery tamanho 12, um stent intraluminal para reconstruções complexas de via aérea quando o molde laríngeo-traqueal não está disponível.
Cirurgiões do National Research Institute of Tuberculosis and Lung Diseases, no Irã, descrevem uma técnica para confeccionar um stent laríngeo-traqueal a partir de um tubo T de Montgomery padrão, destinado a pacientes submetidos a ressecção cricotraqueal ampliada com fissura laríngea posterior e/ou anterior e enxerto de cartilagem costal. O stent é modelado conforme a anatomia do paciente, com a extremidade proximal posicionada cerca de 2 a 3 mm abaixo das pregas vocais e fechada com fios de seda 2-0 ou 3-0 para reduzir o risco de aspiração. O ramo externo do tubo T permanece fora da via aérea, o que, segundo os autores, evita a migração do stent e dispensa fixação adicional. A retirada do stent intraluminal costuma ocorrer após 8 a 12 semanas, e a decanulação é geralmente tentada após cerca de 6 a 9 meses.
Contexto
A estenose subglótica decorrente de intubação prolongada, malignidade, doença idiopática ou outras causas continua sendo um desafio, sobretudo quando a cartilagem cricoide está envolvida. Nesses casos, a ressecção cricotraqueal parcial isolada pode não deixar lúmen adequado, exigindo fissura laríngea posterior e/ou anterior com enxerto de cartilagem costal para restabelecer a perviedade. O stent temporário é considerado essencial nesse cenário porque estabiliza a reconstrução, favorece a cicatrização do enxerto e mantém o lúmen pérvio durante o período de cicatrização. Os stents disponíveis, porém, muitas vezes se adaptam mal à anatomia laríngea complexa e podem se associar a migração e formação de tecido de granulação. O molde laríngeo-traqueal (LT mold) tem bons resultados descritos em reconstruções complexas, mas não é comercializado em muitos centros, o que motivou o desenvolvimento da alternativa a partir do tubo T de Montgomery.
Como foi feito
Trata-se da descrição de uma técnica cirúrgica, sem série de pacientes com números apresentados no texto. A via de acesso é uma incisão cervical em colar, com exposição do arcabouço laríngeo-traqueal, mobilização da traqueia e ressecção do segmento estenótico, incluindo todo o tecido fibrótico ou tumoral. A ressecção parcial da cricoide é ajustada à extensão e à localização da estenose; se o lúmen subglótico residual for inadequado, realiza-se fissura laríngea posterior e, quando se julga que a expansão posterior isolada não basta, acrescenta-se fissura anterior. Enxerto autólogo de cartilagem costal é interposto nos defeitos cricoideos e fixado com fios absorvíveis, seguindo-se anastomose cricotraqueal com pontos absorvíveis interrompidos, reconstruindo primeiro a parede posterior e depois a anterior, com manobras limitadas de liberação laríngea quando necessário. Para o stent, mede-se a distância do traqueostoma até cerca de 2 a 3 mm abaixo das pregas vocais, define-se o comprimento do ramo proximal de um tubo T de Montgomery tamanho 12, divide-se longitudinalmente o ramo horizontal externo em dois retalhos hemicilíndricos, estende-se a incisão inferiormente com curva suave e arredondam-se as bordas proximais. O stent é inserido pelo traqueostoma e uma cânula de traqueostomia fenestrada com balonete Shiley tamanho 6 ou 8 é posicionada em seguida, com o ramo externo do tubo T saindo entre a cânula e sua flange.
O que encontraram
O texto não relata série de casos, número de pacientes, taxas de sucesso ou complicações com valores. Descreve que o stent proximal mantém a perviedade da via aérea e evita o colapso do segmento reconstruído ou a formação de granulação intraluminal até a epitelização completa do enxerto. A retirada do stent intraluminal costuma ocorrer após 8 a 12 semanas, quando há estabilização e epitelização adequadas; a partir daí, o manejo segue com cânula de traqueostomia sem balonete ou com tubo T de Montgomery tamanho 13, cujo ramo proximal é ajustado ao comprimento do stent original e cujo ramo distal mede tipicamente 3 a 4 cm. A decanulação é geralmente tentada após cerca de 6 a 9 meses. Como o ramo externo do stent permanece fora da via aérea, os autores afirmam que a migração é prevenida e não é necessária fixação adicional.
Limitações
Os autores apontam como principal limitação a necessidade de stent prolongado, o que torna essenciais a seleção criteriosa do paciente, o aconselhamento e o seguimento. Também alertam para o cuidado de evitar lesão das pregas vocais durante a colocação e a retirada do stent. O material é uma descrição técnica, sem casuística, sem grupo comparativo e sem dados de desfecho, de modo que não permite avaliar superioridade ou segurança em relação ao molde laríngeo-traqueal ou a outros stents. A duração ideal do stent, segundo o texto, permanece controversa.
Para o pediatra
O artigo é uma descrição técnica de cirurgia de via aérea, sem dados pediátricos próprios, e não traz informações sobre apresentação clínica, frequência de achados ou momento de encaminhamento. O que se pode extrair é o cenário descrito: crianças com estenose subglótica extensa, inclusive por intubação prolongada, em que a ressecção isolada não deixa lúmen suficiente e é preciso reconstruir com enxerto de cartilagem e stent temporário, com retirada do stent em torno de 8 a 12 semanas e decanulação tentada por volta de 6 a 9 meses.
Para o especialista
Para quem faz reconstrução laringotraqueal complexa, a técnica oferece uma alternativa reprodutível e de baixo custo ao molde laríngeo-traqueal quando este não está disponível, usando um tubo T de Montgomery tamanho 12 modificado: ramo horizontal dividido em dois retalhos, incisão estendida com curva suave, extremidade proximal arredondada e fechada com seda 2-0 ou 3-0, posicionada 2 a 3 mm abaixo das pregas vocais. O ramo externo exteriorizado entre a cânula e a flange impede a migração sem fixação adicional, e a permanência de 8 a 12 semanas acomoda a epitelização do enxerto. O grau de confiança é o de uma nota técnica de um único serviço, sem casuística nem comparação, o que não permite afirmar superioridade sobre outras estratégias de stent.
Referência
Pejhan S, Hasanzade A, Zargarani M et al.. A modified T-tube-based laryngotracheal stent for extended cricotracheal resection and anastomosis. JTCVS Tech 2026.
DOI: 10.1016/j.xjtc.2026.102580 · PubMed: 42891255
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org