Em simulação de via aérea difícil, C-MAC reduz atividade muscular e carga de trabalho em comparação com Macintosh e King Vision
Em simulação de via aérea difícil, videolaringoscópios reduzem atividade muscular do membro superior, mas carga percebida varia com o dispositivo
Em ensaio cruzado randomizado com 35 anestesiologistas em manequim de alta fidelidade, o videolaringoscópio C-MAC combinou menor atividade do braquiorradial, menor carga percebida no NASA-TLX e maior taxa de sucesso na primeira tentativa nos três cenários simulados.
Ensaio cruzado randomizado com 35 anestesiologistas em manequim de alta fidelidade comparou Macintosh, C-MAC e King Vision quanto a eletromiografia, força nos incisivos, tempo e carga de trabalho.
Ensaio cruzado randomizado com 35 anestesiologistas experientes comparou a intubação traqueal com laringoscópio direto Macintosh, videolaringoscópio C-MAC (lâmina C) e King Vision com canal em manequim de alta fidelidade, em três cenários: via aérea normal, trismo e rigidez cervical. A atividade do músculo braquiorradial, medida por eletromiografia de superfície, foi maior com laringoscopia direta do que com C-MAC nos três cenários (16 vs 13 µV na via aérea normal; 18 vs 12 µV no trismo; 16 vs 13 µV na rigidez cervical). A laringoscopia direta foi o método mais rápido, mas aplicou a maior força sobre os incisivos superiores (P < 0,001). O King Vision teve a maior carga de trabalho percebida pelo NASA-TLX (P < 0,001 vs laringoscopia direta), enquanto o C-MAC foi o menos exigente e o que apresentou maior taxa de sucesso na primeira tentativa em todos os cenários.
Contexto
A intubação traqueal exige do anestesiologista controle motor fino, precisão técnica, decisão rápida e atenção situacional, sendo física e mentalmente demandante. Os videolaringoscópios reduzem a tensão muscular em vias aéreas normais, mas o impacto ergonômico durante o manejo da via aérea difícil ainda é pouco estabelecido, segundo os autores.
Como foi feito
Ensaio cruzado randomizado conduzido com 35 anestesiologistas experientes, que realizaram intubação traqueal em manequim de alta fidelidade em três cenários: via aérea normal, trismo (locked jaw) e rigidez cervical. Cada participante usou o laringoscópio direto Macintosh, o videolaringoscópio C-MAC (lâmina C) e o King Vision com canal. O desfecho primário foi a atividade muscular do membro superior, medida por eletromiografia dinâmica de superfície. Os desfechos secundários incluíram tempo de intubação, força sobre os incisivos superiores, taxa de sucesso na primeira tentativa e carga de trabalho percebida pelo escore NASA-TLX. O estudo foi registrado no Clinical Trials Registry of India (CTRI/2021/11/038305).
O que encontraram
A laringoscopia direta produziu atividade significativamente maior do braquiorradial do que o C-MAC na via aérea normal simulada (16 vs 13 µV; diferença de medianas [DM], 3 µV; IC 95%, 0 a 5; P = 0,04), no trismo (18 vs 12 µV; DM, 6 µV; IC 95%, 1 a 11; P = 0,02) e na rigidez cervical (16 vs 13 µV; DM, 4 µV; IC 95%, 0 a 9; P = 0,03).
A laringoscopia direta foi o método mais rápido, porém exerceu a maior força sobre os incisivos (P < 0,001).
O King Vision associou-se à maior carga de trabalho percebida no NASA-TLX (P < 0,001 em comparação com a laringoscopia direta), enquanto o C-MAC foi o menos exigente.
Entre os dispositivos testados, o C-MAC apresentou o equilíbrio ergonômico mais favorável, combinando menor tensão muscular, menor carga percebida e a maior taxa de sucesso na primeira tentativa em todos os cenários de via aérea, segundo a conclusão dos autores.
Limitações
Trata-se de estudo em manequim de alta fidelidade, e não em pacientes, de modo que os achados de eletromiografia, força sobre os incisivos e sucesso na primeira tentativa refletem simulação. O resumo não informa o seguimento nem detalhes sobre a randomização e o cegamento. A amostra de 35 anestesiologistas experientes limita a generalização a profissionais menos treinados, e os resultados se restringem aos três dispositivos e aos cenários simulados avaliados.
Para o pediatra
O estudo não foi feito em crianças nem em pacientes: avaliou anestesiologistas intubando um manequim em cenários simulados de via aérea normal, trismo e rigidez cervical. Por isso, não traz dados sobre apresentação clínica pediátrica, frequência de achados ou momento de encaminhamento que possam orientar a prática do pediatra geral.
Para o especialista
Para quem indica e executa o manejo da via aérea, o ensaio sugere que, em cenários simulados de dificuldade, o C-MAC combinou menor atividade do braquiorradial, menor carga percebida no NASA-TLX e maior sucesso na primeira tentativa, enquanto o King Vision, apesar de também ser videolaringoscópio, impôs carga percebida maior que a laringoscopia direta. A laringoscopia direta foi mais rápida, mas com maior força sobre os incisivos. Por serem dados de manequim, com 35 participantes e desfechos substitutos, os resultados apoiam uma discussão ergonômica na escolha do dispositivo, sem estabelecer superioridade clínica em pacientes.
Referência
Reddy KS, Gupta A, Gupta N et al.. Comparison of upper limb muscle activity and workload during intubation with the Macintosh direct laryngoscope versus C-MAC® and King Vision® videolaryngoscopes in simulated difficult airway scenarios: a randomized crossover trial. Can J Anaesth 2026.
DOI: 10.1007/s12630-026-03204-5 · PubMed: 42932145
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org