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PubMed · matérias do Fôlego· Papathanasiou AE, Bullard Elias D, Bellew L et al.·· há 1 dia

Em prematuros com displasia broncopulmonar, a queda anual do FEV1/FVC triplicou nas coortes nascidas entre 2010 e 2019

Função pulmonar após parto prematuro: queda mais rápida do FEV1/FVC e piora da disanapse nas coortes mais recentes

Resumo por IA

Um estudo retrospectivo de centro único analisou 2.216 provas de função pulmonar de 707 pessoas nascidas com menos de 33 semanas, das quais 319 (45,1%) tiveram displasia broncopulmonar pelos critérios de 2019 do NICHD.

Texto

Em 707 prematuros com menos de 33 semanas, a função pulmonar caiu com a gravidade da displasia broncopulmonar e a inclinação anual do FEV1/FVC triplicou da época anterior a 2000 para 2010-2019.

Um estudo retrospectivo analisou 2.216 provas de função pulmonar de 707 pessoas nascidas com menos de 33 semanas, das quais 319 (45,1%) tiveram displasia broncopulmonar (DBP) classificada pelos critérios de 2019 do NICHD. A função pulmonar caiu conforme aumentou a gravidade da DBP, com FEV1 de 92,0% (80,1–102,0) no prematuro sem DBP até 73,1% (57,7–84,9) no grau 3. Com o avançar da idade, a inclinação anual de queda do FEV1/FVC nos pacientes com DBP passou de -0,4%/ano (IC -0,8 a 0,05) na época anterior a 2000 para -1,4%/ano (IC -1,8 a -0,9) em 2010-2019, e a razão de disanapse (DR) também caiu mais rápido nas épocas mais recentes.

Contexto

Segundo os autores, sobreviventes do parto prematuro, com ou sem displasia broncopulmonar, apresentam função pulmonar reduzida e declínio progressivo ao longo da vida. Com a melhora dos cuidados neonatais e o aumento da sobrevida, poucos estudos compararam as trajetórias de função pulmonar entre diferentes épocas de nascimento.

Como foi feito

Estudo retrospectivo de pessoas nascidas com menos de 33 semanas que realizaram pelo menos uma prova de função pulmonar. A DBP foi classificada pelos critérios de 2019 do NICHD. Foram analisados valores de espirometria e a razão de disanapse (DR). Os participantes foram agrupados por época de nascimento: época A (antes de 2000), B (2000-2009) e C (2010-2019).

O que encontraram

Foram analisadas 2.216 provas de função pulmonar de 707 participantes; 319 (45,1%) tiveram DBP. A função pulmonar diminuiu com o aumento da gravidade da DBP. O FEV1 caiu de forma monotônica, de 92,0% (80,1–102,0) nos prematuros sem DBP para 73,1% (57,7–84,9) no grau 3, com quedas consistentes da capacidade vital forçada (FVC), de 99,0% (87,0–110,0) para 85,2% (71,5–93,4). O FEV1/FVC permaneceu em grande parte constante, com pequena redução no grau 3.

Com a divergência entre as tendências de FEV1 e FVC ao longo da idade, a inclinação anual de queda do FEV1/FVC triplicou nas épocas mais recentes entre os participantes com DBP: época A -0,4%/ano (IC -0,8 a 0,05), época B -0,8%/ano (IC -1,1 a -0,5) e época C -1,4%/ano (IC -1,8 a -0,9).

A DR também diminuiu com a idade, com declínio mais acentuado nas épocas mais recentes: época A -0,01/ano (IC -0,02 a -0,0004), época B -0,02/ano (IC -0,03 a -0,01) e época C -0,04/ano (IC -0,05 a -0,03). Declínios semelhantes de FEV1/FVC e DR foram observados nas crianças sem DBP.

Os autores concluem que, nos sobreviventes do parto prematuro, a função pulmonar declinou com o aumento da gravidade da DBP e da idade, e que a função pulmonar também estava reduzida e em declínio nas crianças prematuras sem DBP.

Limitações

Trata-se de estudo retrospectivo, de centro único, baseado em provas de função pulmonar realizadas na rotina, sem grupo de comparação de nascidos a termo. O resumo não informa o seguimento individual, a idade nas provas, os critérios de indicação do exame nem a distribuição dos participantes entre as épocas de nascimento, o que limita a interpretação das comparações entre coortes.

Para o pediatra

O estudo reforça que a prematuridade, mesmo sem displasia broncopulmonar, associa-se a função pulmonar reduzida, e que a queda é maior quanto mais grave a DBP. Nas crianças com DBP, o FEV1 caiu de forma monotônica conforme o grau, e o declínio anual do FEV1/FVC foi mais acentuado nas coortes nascidas mais recentemente, o que os autores interpretam como descompasso crescente entre o crescimento das vias aéreas e do parênquima. O resumo não informa a idade das provas nem o seguimento, e não traz orientações sobre quando encaminhar.

Para o especialista

Para quem acompanha prematuros, o dado que mais acrescenta é a comparação entre épocas de nascimento: apesar da melhora dos cuidados neonatais, as coortes mais recentes mostraram inclinação anual de queda do FEV1/FVC cerca de três vezes maior nos participantes com DBP e declínio mais acentuado da DR, sugerindo piora do descompasso entre crescimento de vias aéreas e parênquima. Por ser retrospectivo e baseado em provas de função pulmonar de rotina, o desenho permite associação, não causalidade, e não estabelece a contribuição de fatores pós-natais. Os autores defendem seguimento longitudinal e intervenções direcionadas para melhorar os desfechos de longo prazo.

Referência

Papathanasiou AE, Bullard Elias D, Bellew L et al.. Trajectories of Pulmonary Function and Dysanapsis after Premature Birth. Neonatology 2026.

DOI: 10.1159/neo/adsag024 · PubMed: 42925528

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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