Gestação em mulheres com fibrose cística e infecção crônica por complexo Burkholderia cepacia ou micobactérias não tuberculosas: série de dez casos de um único centro
Gestação em mulheres com fibrose cística e infecção crônica por Burkholderia cepacia ou micobactérias não tuberculosas: série de dez casos
Em série de casos de um único centro, dez gestações de mulheres com fibrose cística e infecção crônica por complexo Burkholderia cepacia (quatro) ou micobactérias não tuberculosas (seis) resultaram todas em nascidos vivos, nove a termo e um parto prematuro espontâneo aos 32+5 semanas, única internação em UTI neonatal.
Todas as dez gestações terminaram em nascidos vivos, com um parto prematuro aos 32+5 semanas; nove usaram moduladores de CFTR e não houve mortes maternas.
Uma série de casos de um único centro descreveu desfechos de dez gestações em mulheres com fibrose cística e infecção crônica por patógenos de alto risco: quatro com complexo Burkholderia cepacia (BCC) e seis com micobactérias não tuberculosas (NTM). Todas as gestações resultaram em nascidos vivos, sendo nove a termo e um parto espontâneo prematuro aos 32+5 semanas, que gerou a única internação em UTI neonatal. Moduladores de CFTR foram usados em nove gestações, houve duas internações por exacerbação infecciosa da fibrose cística e não se registraram mortes maternas nem admissões maternas em UTI.
Contexto
A ampla disponibilidade dos moduladores de CFTR melhorou a saúde e a qualidade de vida de muitas pessoas com fibrose cística, com aumento consequente do número de gestações em mulheres com a doença. Cada vez mais gestações ocorrem em mulheres com infecção crônica por patógenos respiratórios clinicamente significativos, em especial o complexo Burkholderia cepacia e as micobactérias não tuberculosas, incluindo o complexo Mycobacterium abscessus (MABC). Esses patógenos associam-se a declínio pulmonar acelerado, resistência antimicrobiana a múltiplas drogas e esquemas terapêuticos complexos e prolongados, o que os torna considerações importantes no manejo da gestação.
Historicamente, a infecção crônica por BCC foi ligada a piores desfechos obstétricos e perinatais em mulheres com fibrose cística, mas boa parte das evidências disponíveis antecede a era dos moduladores de CFTR e pode não refletir o cenário clínico atual. Da mesma forma, embora a infecção por NTM, sobretudo MABC, permaneça um grande desafio clínico e uma contraindicação ao transplante pulmonar em pessoas com fibrose cística, há poucos dados publicados sobre desfechos gestacionais em mulheres com infecção crônica por NTM. Como os moduladores de CFTR mudaram a trajetória da doença e ampliaram as possibilidades reprodutivas, evidências atualizadas sobre riscos e desfechos são necessárias.
Como foi feito
Trata-se de uma série de casos de um único centro, descrita como case series, que examinou desfechos específicos da fibrose cística, obstétricos e neonatais em dez gestações: quatro em mulheres com infecção crônica por BCC e seis com infecção por NTM. O resumo disponível não informa o período do estudo, os critérios de inclusão, a idade das pacientes nem o tempo de seguimento.
O que encontraram
Todas as dez gestações terminaram em nascidos vivos. Nove recém-nascidos nasceram a termo e um nasceu com 32+5 semanas, após trabalho de parto prematuro espontâneo, sendo a única admissão em UTI neonatal relatada.
Moduladores de CFTR foram usados em nove das dez gestações. Duas gestações exigiram internação hospitalar por exacerbações infecciosas da fibrose cística.
Não houve mortes maternas nem admissões maternas em UTI. O resumo não detalha desfechos por patógeno (BCC versus NTM), função pulmonar, peso ao nascer ou outras complicações.
Limitações
O desenho é uma série de casos de um único centro, com apenas dez gestações, sem grupo controle e sem comparação entre os patógenos ou com gestantes sem infecção crônica. O resumo não informa o período do estudo nem o tempo de seguimento, e o número pequeno de casos limita qualquer inferência sobre frequência de desfechos ou sobre fatores associados. Estudos retrospectivos e séries sem controle mostram associação, não relação causal.
Para o pediatra
O estudo descreve dez gestações em mulheres com fibrose cística e infecção crônica por BCC ou NTM, patógenos associados a declínio pulmonar acelerado e a esquemas antimicrobianos complexos. Nove das dez gestações evoluíram para nascimento a termo e uma para parto prematuro aos 32+5 semanas, com necessidade de UTI neonatal; duas gestantes precisaram de internação por exacerbação infecciosa e não houve mortes maternas. O material não traz dados sobre apresentação clínica na infância nem sobre momento de encaminhamento, e não permite orientar conduta individual.
Para o especialista
A série acrescenta, segundo os autores, dados atualizados sobre desfechos de gestação em mulheres com fibrose cística e infecção crônica por BCC ou NTM na era dos moduladores de CFTR, contexto em que a evidência disponível é escassa e em grande parte anterior a essa terapia. Os achados de dez nascidos vivos, nove a termo, uma internação em UTI neonatal e nenhuma morte ou admissão materna em UTI podem contribuir para aconselhamento, avaliação de risco e manejo multidisciplinar. O desenho de série de casos, porém, não permite comparar riscos entre patógenos nem estabelecer superioridade de qualquer estratégia, e o resumo não informa período, critérios de inclusão nem seguimento.
Referência
Downes A, Weitnauer L, Robinson R et al.. Pregnancy in females with cystic fibrosis and chronic Burkholderia cepacia complex or non-tuberculous mycobacteria infection: A single centre case series. Ther Adv Respir Dis 2026.
DOI: 10.1177/17534666261493710 · PubMed: 42929453
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org