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PubMed · matérias do Fôlego· Ottomeyer M, Hillman N, Josephsen J et al.·· há 1 dia

Lactentes com e sem displasia broncopulmonar têm prazos semelhantes de transição do ventilador hospitalar para suporte respiratório domiciliar após traqueostomia

Bebês com e sem displasia broncopulmonar têm prazos semelhantes de transição do ventilador hospitalar para o suporte respiratório domiciliar após traqueostomia

Resumo por IA

Em coorte retrospectiva de centro único com 76 lactentes traqueostomizados antes de 1 ano, 69% com displasia broncopulmonar (DBP), a mediana entre traqueostomia e início da transição foi de 55 dias e até a alta, de 106 dias, sem diferença na idade corrigida entre os grupos.

Texto

Em coorte retrospectiva de 76 lactentes, a mediana entre traqueostomia e início da transição foi de 55 dias e até a alta, de 106 dias; o modo ventilatório inicial associou-se ao tempo até a alta.

Um estudo retrospectivo de centro único acompanhou 76 lactentes submetidos a traqueostomia antes de 1 ano de idade, 69% deles com displasia broncopulmonar (DBP), para descrever os prazos da passagem do ventilador hospitalar para alguma forma de suporte respiratório invasivo domiciliar. A mediana de idade gestacional ao nascer foi de 28,9 semanas e o peso mediano ao nascer, de 1.095 g. A mediana entre a traqueostomia e o início da transição foi de 55 dias, e entre a traqueostomia e a alta, de 106 dias. Crianças com e sem DBP tiveram idade corrigida semelhante na traqueostomia, no início da transição, na estabilidade e na alta, e a mortalidade hospitalar também não diferiu (23,6% no total). Entre os que foram para casa em ventilador portátil, o uso de ventilação com pressão controlada no início da transição associou-se a menor tempo entre a estabilidade e a alta (29 vs. 47 dias).

Contexto

A população de lactentes com traqueostomia e ventilação mecânica prolongada vem crescendo, e os prematuros representam parcela importante desses casos; a DBP é o diagnóstico mais comum entre os prematuros que recebem traqueostomia, e até 37% dos prematuros com DBP grave são submetidos ao procedimento. Após a traqueostomia, as crianças vão para casa em diferentes modalidades de suporte, como oxigênio suplementar por traqueostomia ou ventilador portátil, mas não há diretrizes de consenso para a transição do ventilador hospitalar para o domiciliar, e essa etapa costuma ser complicada e prolongar a internação. Ventilar adequadamente lactentes em ventiladores portáteis é difícil por limitações de compensação de vazamento, entrega de PEEP, volume corrente mínimo e sensibilidade de disparo, dificuldades que a hiperinsuflação da DBP pode agravar. Estudos anteriores descreveram principalmente marcos alcançados após a alta, e poucos investigaram os marcos da transição ainda durante a internação, em geral limitados a pequenos estudos-piloto ou de melhoria de qualidade.

Como foi feito

Coorte retrospectiva conduzida em uma UTI neonatal de nível IV de um grande centro acadêmico do Meio-Oeste dos Estados Unidos, com aprovação do comitê de ética institucional. Foram revisados prontuários de pacientes internados entre janeiro de 2010 e setembro de 2021 que foram submetidos a traqueostomia na UTI neonatal antes de 1 ano de idade. Foram coletados peso ao nascer, idade gestacional, diagnósticos relevantes (como hipertensão pulmonar e obstrução de via aérea superior), mortalidade, destino da alta, modos ventilatórios e marcos temporais da traqueostomia e da transição. A DBP foi definida pelo critério do National Institute of Child Health and Human Development, e o suporte respiratório invasivo domiciliar incluiu qualquer suporte via traqueostomia, como traqueostomia com umidificação aquecida ou ventilação por pressão positiva em ventilador portátil. O início da transição foi definido como o dia em que a criança foi colocada pela primeira vez em um modo de suporte domiciliar, e a estabilidade na transição, como o dia em que completou 24 horas consecutivas nesse modo. A prontidão para a transição não seguia critério de consenso e era decidida caso a caso pela equipe após consulta formal ao serviço de pneumologia pediátrica, que mantinha uma lista de considerações recomendadas (peso acima de 5 kg, fração inspirada de oxigênio abaixo de 40%, pressão inspiratória de pico abaixo de 35 cmH2O, frequência respiratória abaixo de 30 incursões por minuto e PEEP menor ou igual a 10 cmH2O). A análise estatística usou qui-quadrado ou teste exato de Fisher para variáveis categóricas, teste de Mann-Whitney para contínuas e regressão linear múltipla não ajustada.

O que encontraram

A população teve mediana de idade gestacional ao nascer de 28,9 semanas e de peso ao nascer de 1.095 g; 58,7% eram do sexo masculino e 52 (69%) tinham DBP. A mediana de idade cronológica na traqueostomia foi de 110 dias, sendo significativamente maior no grupo com DBP (121 vs. 65 dias; p < 0,001), sem diferença no peso (4.000 g no total) nem na idade corrigida (44,7 semanas) entre os grupos. A mediana de idade cronológica no início da transição foi de 173 dias, também maior com DBP (199 vs. 95 dias; p < 0,001), e o intervalo entre traqueostomia e início da transição foi de 66 dias com DBP e 41 dias sem DBP (p = 0,02); o peso no início da transição foi maior no grupo com DBP (p = 0,048), mas a idade corrigida não diferiu. A mediana de idade cronológica na alta foi maior com DBP (p < 0,001), assim como o peso (p = 0,038), enquanto a idade corrigida na alta não diferiu (61,7 vs. 57 semanas). O intervalo entre traqueostomia e alta foi de 119 dias com DBP e 77 dias sem DBP (p = 0,046), e o intervalo entre estabilidade e alta foi de 37 e 25 dias, respectivamente (p = 0,22).

Dos 76 lactentes, 16 morreram antes do início da transição, todos mais de 7 dias após a traqueostomia e sem relação atribuída ao procedimento; um foi transferido para outra UTI neonatal antes do início da transição. Dos 59 que iniciaram a transição, 58 alcançaram a estabilidade, e um morreu após o início, antes de completar a estabilidade, tendo ficado apenas 2 horas no modo domiciliar por intolerância. Dos 58 que atingiram a estabilidade, um morreu antes da alta, um foi transferido e um permanecia internado ao fim da coleta, restando 55 para as análises de destino e modo de suporte na alta. A mortalidade total foi de 23,6%, sem diferença entre os grupos (25% com DBP e 20,8% sem DBP; p = 0,63).

Entre as 45 crianças que foram para casa em ventilador, menor idade cronológica na traqueostomia previu menor tempo entre a estabilidade e a alta na regressão linear não ajustada (B 0,40; IC 95% 0,01–0,78; R2 = 0,09), enquanto o intervalo entre traqueostomia e início da transição não teve efeito significativo (B 0,12; IC 95% −0,19–0,44; R2 = 0,02). A proporção de altas para casa foi menor com DBP (26,9% vs. 65,2%; p = 0,0015), e a transferência para hospital de reabilitação pediátrica foi mais frequente com DBP (44,2% vs. 13%; p = 0,0015). Das 59 crianças que iniciaram a transição, 11 passaram diretamente do ventilador hospitalar para circuito de traqueostomia com umidificação aquecida sem pressão positiva; 10 foram para casa em traqueostomia e uma em ventilação mecânica. Na alta, 45 usavam ventilador portátil, e a traqueostomia foi o modo de 33,3% das crianças sem DBP e de 10,8% das com DBP (p = 0,06).

Crianças que alcançaram a estabilidade em traqueostomia tiveram intervalo menor entre traqueostomia e início da transição que as que foram para casa em ventilador (24 vs. 61 dias; p = 0,001), mas o tempo entre início e estabilidade foi maior (6 vs. 1 dia; p = 0,01), sem diferença no destino da alta nem no intervalo entre estabilidade e alta. Entre as 45 que atingiram estabilidade em ventilador portátil e sobreviveram à alta, não houve diferença de PEEP (p = 0,54) nem de modo ventilatório na alta (p = 0,98) entre os grupos com e sem DBP. Nesse grupo, a ventilação com pressão controlada no início da transição associou-se a menor intervalo entre estabilidade e alta (29 vs. 47 dias; IC 95% 4,3–108,8; p = 0,04), e o número de crianças em pressão controlada aumentou do início da transição para a alta (p = 0,02).

Limitações

Os autores reconhecem o desenho retrospectivo e de centro único, com práticas clínicas e características populacionais específicas do centro e da região, além do uso de documentação em prontuário, e não de critérios diagnósticos estritos, para determinar diagnósticos, o que dificulta avaliar o peso das comorbidades. Há viés de sobrevivência, pois só foram analisadas crianças que sobreviveram até o início da transição, subconjunto possivelmente com doença respiratória e estado clínico menos graves. Durante o período do estudo houve evolução da tecnologia dos ventiladores, dos modelos de cuidado multidisciplinar, dos recursos de coordenação de alta, da defesa do cuidado domiciliar e da própria definição de DBP, mudanças que os autores não conseguiram medir de forma discreta. A determinação da estabilidade na transição não foi protocolizada e provavelmente variou entre os clínicos. O tamanho pequeno da amostra limita o poder estatístico, e a ausência de randomização do modo ventilatório e a presença de múltiplos fatores de confusão fazem com que a diferença associada à pressão controlada deva ser lida como geradora de hipóteses.

Referência

Ottomeyer M, Hillman N, Josephsen J et al.. Relative timelines for transition from a hospital ventilator to invasive home respiratory support after tracheostomy in infants with chronic respiratory failure. Front Pediatr 2026.

DOI: 10.3389/fped.2026.1887686 · PubMed: 42920678

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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