Pectus excavatum em nadador adolescente: deformidade torácica sem limitação cardiopulmonar ao esforço máximo
Um relato de caso de um nadador competitivo de 16 anos com pectus excavatum assimétrico (Park tipo 2A, índice de Haller 3,3) mostrou função pulmonar acima do previsto e resposta cardiopulmonar integrada preservada ao esforço máximo, sem limitação ventilatória.
Relato integra morfologia torácica, função pulmonar, ecocardiograma e teste cardiopulmonar em atleta de 16 anos com índice de Haller 3,3 e resposta ao exercício preservada.
Um relato de caso avaliou a resposta fisiológica integrada do repouso ao exercício máximo e à recuperação em um nadador competitivo adolescente assintomático com pectus excavatum assimétrico. O paciente de 16 anos, classificado como Park tipo 2A e com índice de Haller de 3,3, foi submetido a prova de função pulmonar, ecocardiografia bidimensional em repouso e teste cardiopulmonar. O consumo de oxigênio subiu cerca de 5,9 vezes, de 576 para 3.378 mL·min⁻¹ (45,0 mL·kg⁻¹·min⁻¹; 92% do previsto), e a ventilação no pico atingiu 56,0% da ventilação voluntária máxima. Os autores concluíram que, apesar da deformidade torácica, o atleta manteve função em repouso e resposta cardiopulmonar integrada ao esforço máximo, sem limitação ventilatória.
Contexto
O pectus excavatum altera a geometria do tórax e pode afetar o enchimento cardíaco e a mecânica respiratória. No entanto, o próprio estudo observa que a gravidade anatômica não leva necessariamente a limitação funcional. O caso foi construído para examinar, em um atleta assintomático, a resposta fisiológica integrada do repouso ao exercício máximo e à recuperação.
Como foi feito
Trata-se de um relato de caso de um adolescente de 16 anos, nadador competitivo, com pectus excavatum assimétrico classificado como Park tipo 2A e índice de Haller de 3,3. O paciente foi submetido a prova de função pulmonar, ecocardiografia bidimensional em repouso e teste cardiopulmonar. O material disponível não informa o local, o período do estudo nem a duração do seguimento.
O que encontraram
No teste cardiopulmonar, o consumo de oxigênio aumentou aproximadamente 5,9 vezes do repouso ao exercício máximo, de 576 para 3.378 mL·min⁻¹, correspondendo a 45,0 mL·kg⁻¹·min⁻¹, ou 92% do previsto; no limiar anaeróbio, foi de 41,2 mL·kg⁻¹·min⁻¹. O pulso de oxigênio subiu de 6,0 para 17,9 mL O₂·batimento⁻¹ (17,0 mL O₂·batimento⁻¹ no limiar anaeróbio), e o volume de oxigênio por respiração, de 30,3 para 91,3 mL O₂·respiração⁻¹ (83,5 mL O₂·respiração⁻¹ no limiar anaeróbio).
A razão de troca respiratória foi de 5,05 em repouso e 5,11 batimentos·respiração⁻¹ no pico (4,92 batimentos·respiração⁻¹ no limiar anaeróbio), e a relação entre ventilação no pico e ventilação voluntária máxima alcançou 56,0% (48,6% no limiar anaeróbio).
Na prova de função pulmonar, a capacidade vital forçada ficou em 120% do previsto, o volume expiratório forçado no primeiro segundo em 119% do previsto e a pressão inspiratória máxima em 120% do previsto. A ecocardiografia em repouso mostrou deformação miocárdica longitudinal do ventrículo esquerdo preservada (GLS -21,8%) e relação E/A transmitral de 1,46. O resumo não relata complicações ou eventos adversos.
Limitações
O material disponível é apenas o resumo de um relato de caso único, sem grupo controle e sem comparação com outros pacientes com pectus excavatum ou com atletas sem a deformidade. Por se tratar de um atleta competitivo assintomático, os achados não podem ser generalizados a crianças e adolescentes com apresentações diferentes ou sintomáticos, e o desenho não permite estabelecer relação causal entre a deformidade e a resposta observada. O resumo não informa o período do estudo, o local nem a duração do seguimento.
Para o pediatra
O caso descreve um adolescente de 16 anos com pectus excavatum assimétrico, classificado como Park tipo 2A e com índice de Haller de 3,3, que era nadador competitivo e não tinha sintomas. Mesmo com a deformidade, a função pulmonar em repouso estava acima do previsto e o teste de esforço mostrou resposta cardiopulmonar preservada, sem limitação ventilatória. O estudo reforça que a gravidade anatômica da deformidade, isolada, não define limitação funcional, mas, por ser um relato único de um atleta assintomático, não permite prever o que ocorre em outros pacientes.
Para o especialista
O relato acrescenta, segundo os próprios autores, a demonstração de que um adolescente com pectus excavatum e índice de Haller de 3,3 pode apresentar função pulmonar acima do previsto, deformação miocárdica longitudinal preservada e resposta integrada ao exercício máximo sem limitação ventilatória, com ventilação no pico em 56,0% da ventilação voluntária máxima. Para a decisão de indicação e seguimento, o dado sugere que a avaliação funcional ao esforço pode complementar a medida anatômica, mas o desenho de caso único, sem controle, permite apenas descrever esse paciente, não estabelecer conduta nem superioridade de qualquer estratégia.
Referência
Stavrou VT, Charalampidis C. Pectus Excavatum in an Adolescent Swimmer: Integrating Thoracic Morphology and Cardiopulmonary Exercise Testing. J Funct Morphol Kinesiol 2026.
DOI: 10.3390/jfmk11040415 · PubMed: 42924694
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org