Dispositivo supraglótico versus tubo endotraqueal em cirurgia sinusal endoscópica: revisão sistemática e meta-análise
Em revisão sistemática com meta-análise de nove estudos e 714 pacientes, o dispositivo supraglótico associou-se a menor contaminação da via aérea (RR 0,27; IC 95%: 0,15–0,47) e menos tosse no dia 0 de pós-operatório (RR 0,39; IC 95%: 0,23–0,68) na cirurgia endoscópica dos seios da face, sem diferença para dor de garganta.
Meta-análise de nove estudos sugere menor contaminação da via aérea e menos tosse no pós-operatório imediato com dispositivo supraglótico, sem diferença em dor de garganta.
Uma revisão sistemática com meta-análise comparou o tubo endotraqueal e os dispositivos supraglóticos para o manejo da via aérea na cirurgia endoscópica dos seios da face. Nove estudos, com 714 pacientes e publicações entre 1995 e 2024, foram incluídos. O uso do dispositivo supraglótico associou-se a menor contaminação da via aérea (RR 0,27; IC 95%: 0,15–0,47; I²=0%) e menos tosse no dia 0 de pós-operatório (RR 0,39; IC 95%: 0,23–0,68; I²=0%), sem diferença significativa para dor de garganta. A aspiração foi rara, com um único caso assintomático no grupo do tubo endotraqueal.
Contexto
A cirurgia endoscópica dos seios da face é um procedimento em que sangue e secreções podem contaminar a via aérea, e a escolha do dispositivo para ventilação nesse cenário envolve essa preocupação. Segundo os autores, havia a ideia histórica de que os dispositivos supraglóticos ofereceriam proteção inferior da via aérea nesse contexto, e a revisão foi feita para avaliar comparativamente segurança e perfil de efeitos adversos entre os dois tipos de dispositivo.
Como foi feito
Revisão sistemática com busca em MEDLINE, Embase e Cochrane Library realizada em abril de 2025. Foram incluídos estudos que compararam tubo endotraqueal e dispositivos supraglóticos no manejo da via aérea em cirurgia endoscópica dos seios da face, totalizando nove estudos e 714 pacientes, com publicações entre 1995 e 2024. Foi feita meta-análise de efeitos aleatórios para os desfechos relatados por três ou mais estudos com metodologia comparável; os demais desfechos foram sintetizados de forma narrativa. Os desfechos primários foram eventos de aspiração, contaminação da via aérea e sintomas adversos no pós-operatório (tosse, dor de garganta, rouquidão, náusea e vômito); os secundários foram tempo operatório e perda sanguínea estimada.
O que encontraram
A aspiração foi rara, com um único caso, assintomático, no grupo do tubo endotraqueal. A análise agrupada mostrou redução significativa da contaminação da via aérea com o dispositivo supraglótico (RR 0,27; IC 95%: 0,15–0,47; I²=0%). A contaminação do próprio dispositivo foi comum em ambos os grupos, variando de 0% a 86% com os supraglóticos e de 53% a 77% com os tubos endotraqueais, mas com consequência clínica limitada segundo os autores.
Também houve redução significativa da tosse no dia 0 de pós-operatório com o dispositivo supraglótico (RR 0,39; IC 95%: 0,23–0,68; I²=0%). Para dor de garganta no dia 0 não houve diferença significativa (RR 0,65; IC 95%: 0,24–1,74; I²=68,7%).
Tendências de redução de rouquidão, perda sanguínea e tempo operatório favoreceram os dispositivos supraglóticos, mas sem significância estatística.
Limitações
Os próprios autores apontam que a base de evidências é heterogênea e que os achados devem auxiliar, e não substituir, o julgamento clínico, com a escolha do dispositivo guiada por fatores individuais do paciente e do procedimento. A revisão não informa, no material disponível, o desenho individual dos nove estudos incluídos nem o tempo de seguimento. A conclusão sobre segurança se aplica, segundo o texto, a pacientes adequadamente selecionados e com baixo risco de aspiração.
Para o especialista
Para o especialista em via aérea, a meta-análise reúne evidência comparativa de nove estudos e 714 pacientes e não sustenta a preocupação histórica de proteção inferior da via aérea com dispositivos supraglóticos na cirurgia endoscópica dos seios da face. Os dados agrupados mostram menos contaminação da via aérea e menos tosse no dia 0 com o supraglótico, sem diferença em dor de garganta, e aspiração rara. Os autores condicionam a conclusão a pacientes adequadamente selecionados, de baixo risco de aspiração, e ressaltam a heterogeneidade da evidência, de modo que o achado informa, mas não define isoladamente, a escolha do dispositivo.
Referência
Cuddeford A, Mubaarak Z, Yussuf B et al.. Supraglottic airway vs. endotracheal tube for sinonasal surgery: a systematic review and meta-analysis. Eur Arch Otorhinolaryngol 2026.
DOI: 10.1007/s00405-026-10650-w · PubMed: 42931838
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org