Distração mandibular em neonato com sequência de Pierre Robin grave: via aérea melhora antes da alimentação oral
Relato de caso único e retrospectivo descreveu neonato com sequência de Pierre Robin grave submetido a distração osteogênica mandibular, com extubação no 10º dia pós-operatório e SpO₂ acima de 95% em respiração espontânea.
Relato descreve manejo perioperatório multidisciplinar e seguimento de 7 meses; extubação no 10º dia pós-operatório, mas sonda nasogástrica permaneceu necessária por tempo prolongado.
Um relato de caso acompanhou um neonato com sequência de Pierre Robin (PRS) grave submetido a distração osteogênica mandibular (MDO), com foco no manejo da via aérea difícil, nos cuidados com o dispositivo de distração, no suporte nutricional e na recuperação da alimentação oral. Após a cirurgia, houve avanço mandibular e melhora da permeabilidade da via aérea superior; a criança foi extubada com sucesso no 10º dia pós-operatório, manteve-se estável em respiração espontânea e com SpO₂ acima de 95%. Não foram documentadas infecção de ferida, lesão por pressão ou outras complicações pós-operatórias maiores durante a internação. No seguimento de 1, 3, 6 e 7 meses após a alta, houve crescimento somático contínuo e estabilidade da via aérea, mas a recuperação da alimentação oral foi mais lenta, com necessidade de alimentação por sonda nasogástrica por período prolongado.
Contexto
A sequência de Pierre Robin combina micrognatia, glossoptose e obstrução da via aérea superior, e os casos graves podem exigir intervenção cirúrgica para garantir a perviedade da via aérea. A distração osteogênica mandibular é uma dessas opções, mas o perioperatório envolve desafios de via aérea difícil, cuidados com o dispositivo de distração, suporte nutricional e reabilitação funcional. O relato descreve a experiência de um serviço com esses quatro componentes manejados em paralelo, segundo o guideline CARE para relatos de caso.
Como foi feito
Trata-se de um relato de caso de um neonato com sequência de Pierre Robin grave submetido a distração osteogênica mandibular, com revisão retrospectiva do curso clínico, do manejo perioperatório multidisciplinar e do seguimento após a alta. O caso foi preparado conforme o guideline CARE. O acompanhamento descrito abrangeu 7 meses, com avaliações em 1, 3, 6 e 7 meses após a alta. O material disponível não informa o local, o período do atendimento nem os critérios de indicação cirúrgica.
O que encontraram
Após a cirurgia, o avanço mandibular foi alcançado e a perviedade da via aérea superior melhorou. A extubação ocorreu com sucesso no 10º dia pós-operatório, e a criança permaneceu clinicamente estável em respiração espontânea, com SpO₂ acima de 95%. Durante a internação não foram documentadas infecção de ferida operatória, lesão por pressão ou outras complicações pós-operatórias maiores. No seguimento de 1, 3, 6 e 7 meses após a alta, observaram-se crescimento somático contínuo e estabilidade da via aérea. A recuperação da alimentação oral, porém, foi mais lenta, e a alimentação por sonda nasogástrica permaneceu necessária por período prolongado.
Limitações
Trata-se de um relato de caso único, retrospectivo, sem grupo controle, o que não permite estabelecer superioridade da distração osteogênica mandibular nem generalizar os achados para outros neonatos com sequência de Pierre Robin grave. O seguimento disponível é de 7 meses, e o material não informa o local, o período do atendimento, os critérios de indicação nem detalhes do protocolo de distração. A descrição de desfechos favoráveis em um único paciente está sujeita a variação individual e ao cuidado de uma equipe específica.
Para o pediatra
O relato descreve um neonato com sequência de Pierre Robin grave que precisou de cirurgia para desobstruir a via aérea e que, após a distração mandibular, foi extubado no 10º dia e manteve boa saturação em respiração espontânea. O ponto útil para o pediatra é que a melhora da via aérea e a recuperação da alimentação oral podem seguir ritmos diferentes: neste caso, a criança continuou precisando de sonda nasogástrica por período prolongado, apesar da estabilidade respiratória. O material não traz orientações sobre quando encaminhar nem sobre critérios de acompanhamento ambulatorial.
Para o especialista
O caso sugere que o cuidado perioperatório após distração osteogênica mandibular em sequência de Pierre Robin grave deve abordar em paralelo via aérea difícil, manejo do dispositivo de distração, suporte nutricional e reabilitação funcional. A observação de que a recuperação da via aérea e a da alimentação oral tiveram cursos temporais distintos levanta a ressalva de que a melhora da via aérea não deve ser usada como único preditor da recuperação da alimentação oral. Por se tratar de relato único e retrospectivo, com seguimento de 7 meses, o desenho permite gerar hipótese e organizar um framework de colaboração multidisciplinar, mas não sustenta recomendação de conduta nem comparação com outras estratégias.
Referência
Zhong J, Jiang S, Li Y et al.. Multidisciplinary Perioperative Management and Follow-Up After Mandibular Distraction Osteogenesis in a Neonate With Severe Pierre Robin Sequence: A Report. J Craniofac Surg 2026.
DOI: 10.1097/scs.0000000000013516 · PubMed: 42930455
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org