Ventilação mecânica em UTI pediátrica: coorte prospectiva unicêntrica associa AHRF e PARDS a mais tempo de ventilação, traqueostomia e mortalidade
Ventilação mecânica em UTI pediátrica: AHRF e PARDS elevaram tempo de ventilação, traqueostomia e mortalidade
Em coorte prospectiva unicêntrica de UTI pediátrica de alta complexidade, 273 de 1.354 internações (306 ciclos) receberam ventilação mecânica; AHRF ocorreu em 19,4% e PARDS em 6,6%, com morbidade na alta da UTI de 18,7%, mortalidade hospitalar de 13,2% e traqueostomia em 10,2%.
Coorte prospectiva com 273 crianças ventiladas mostrou que a síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrico associou-se a mais dias de ventilação, maior tempo de internação e tendência de maior mortalidade.
Uma coorte prospectiva conduzida na UTI pediátrica de um hospital de alta complexidade entre junho de 2021 e agosto de 2022 acompanhou 1.354 internações, das quais 273 crianças necessitaram de ventilação mecânica, somando 306 ciclos. Entre os pacientes ventilados, 19,4% apresentaram insuficiência respiratória hipoxêmica aguda (AHRF) e 6,6% preencheram critérios de síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrico (PARDS). A morbidade na alta da UTI foi de 18,7% e a mortalidade, de 12,1%, com mortalidade hospitalar de 13,2% e 10,2% dos pacientes submetidos à traqueostomia. Na análise multivariada, o PIM-2 e a traqueostomia permaneceram associados a morbidade e mortalidade.
Contexto
A ventilação mecânica é uma intervenção frequente em terapia intensiva, associada a maior uso de recursos e a risco de complicações. O estudo foi desenhado para caracterizar os pacientes ventilados que desenvolvem insuficiência respiratória hipoxêmica aguda e síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrico, bem como seus desfechos.
Como foi feito
Coorte prospectiva realizada na UTI pediátrica de um hospital de alta complexidade, entre junho de 2021 e agosto de 2022. Foram analisados os desfechos de pacientes submetidos à ventilação mecânica, a incidência de AHRF e de PARDS e os desfechos correspondentes. O estudo registrou 1.354 internações, com 273 pacientes necessitando de ventilação mecânica em 306 ciclos. O resumo não informa critérios de inclusão detalhados, idade dos pacientes nem tempo de seguimento.
O que encontraram
Entre as 1.354 internações, 273 exigiram ventilação mecânica, correspondendo a 306 ciclos ventilatórios. A AHRF esteve presente em 19,4% dos casos e a PARDS em 6,6%. A morbidade na alta da UTI foi de 18,7% e a mortalidade na UTI, de 12,1%; a mortalidade hospitalar chegou a 13,2%, e 10,2% dos pacientes necessitaram de traqueostomia.
Na análise univariada, PIM-2, extubações falhas e não programadas, traqueostomia, dias em ventilação mecânica e tempo de internação hospitalar, AHRF e PARDS associaram-se a morbidade e mortalidade. Após a análise multivariada, apenas PIM-2 e traqueostomia mantiveram-se significativos.
A AHRF associou-se a maior duração da ventilação mecânica e da internação hospitalar, maior probabilidade de traqueostomia e maiores morbidade e mortalidade. Os resultados dos pacientes com PARDS mostram tendência a mais dias de ventilação, internações mais longas e maior mortalidade.
Limitações
Trata-se de coorte prospectiva de centro único, em hospital de alta complexidade, o que limita a generalização dos achados para outras realidades assistenciais. O resumo não informa o número de óbitos por grupo, o tempo de seguimento nem os critérios de inclusão, e a análise de PARDS é descrita como tendência, sem significância estatística estabelecida. A associação entre traqueostomia e pior desfecho pode refletir a gravidade de base dos pacientes que necessitaram do procedimento, e não um efeito causal.
Para o pediatra
O estudo mostra que, em uma UTI pediátrica de alta complexidade, cerca de um em cada cinco pacientes internados precisou de ventilação mecânica, e aproximadamente sete em cada dez pacientes ventilados sobreviveram sem morbidade adquirida. A insuficiência respiratória hipoxêmica aguda, presente em quase um quinto dos ventilados, associou-se a mais dias de ventilação, internação mais longa, maior chance de traqueostomia e piores desfechos. O resumo não descreve a apresentação clínica na admissão nem o momento do encaminhamento, portanto não permite orientar quando suspeitar ou encaminhar com base nesses dados.
Para o especialista
Para quem atua em terapia intensiva pediátrica, o estudo acrescenta dados prospectivos de uma coorte unicêntrica sobre a carga da ventilação mecânica e a frequência de AHRF (19,4%) e PARDS (6,6%) entre pacientes ventilados, além de taxas de morbidade na alta da UTI (18,7%), mortalidade hospitalar (13,2%) e traqueostomia (10,2%). Na análise multivariada, apenas PIM-2 e traqueostomia permaneceram associados a morbidade e mortalidade, enquanto AHRF e PARDS perderam significância, o que sugere que parte do efeito dessas condições é mediada pela gravidade de base e pela necessidade de traqueostomia. O desenho prospectivo e unicêntrico permite gerar hipóteses e apoiar planejamento assistencial, mas não estabelece causalidade nem permite extrapolação direta para outros serviços.
Referência
Eulmesekian P, Kondratiuk Y, Jofre M et al.. Clinical outcomes in mechanically ventilated patients in pediatric intensive care: A cohort study. Arch Argent Pediatr 2026.
DOI: 10.5546/aap.2026-11108.eng · PubMed: 42937272
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org