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PubMed · matérias do Fôlego· Garcia-Marcinkiewicz AG, Gottlieb EA, Twite M et al.·· há 2 diasSeleção

Videolaringoscopia eleva sucesso na primeira tentativa de intubação nasotraqueal em lactentes cardíacos, mostra ensaio randomizado

Videolaringoscopia aumenta sucesso na primeira tentativa de intubação nasotraqueal em lactentes cardíacos

Resumo por IA

Ensaio clínico randomizado multicêntrico em oito centros de cardiologia pediátrica dos Estados Unidos mostrou 83% de sucesso na primeira tentativa de intubação nasotraqueal com videolaringoscopia versus 75% com laringoscopia direta em 673 lactentes, com diferença de risco ajustada de 8,2% (IC 95% 2,0–14,3; p=0,0093).

Por que importa

Ensaio randomizado multicêntrico em lactentes cardíacos mostra que a videolaringoscopia eleva o sucesso na primeira tentativa de intubação nasotraqueal sem aumentar complicações, o que orienta a escolha do dispositivo.

Texto

Ensaio randomizado multicêntrico com 673 lactentes mostrou 83% de sucesso na primeira tentativa com videolaringoscopia versus 75% com laringoscopia direta, sem aumento de complicações.

Ensaio clínico randomizado multicêntrico conduzido em oito centros de cardiologia pediátrica nos Estados Unidos comparou videolaringoscopia e laringoscopia direta para intubação nasotraqueal em lactentes submetidos a cirurgia cardiotorácica eletiva ou cateterismo cardíaco. Entre 673 crianças analisadas, o sucesso na primeira tentativa foi de 83% com videolaringoscopia e 75% com laringoscopia direta, com diferença de risco ajustada de 8,2% (IC 95% 2,0–14,3; p=0,0093). As complicações na primeira tentativa e no conjunto de todas as tentativas foram semelhantes entre os grupos, e não houve parada cardíaca nem morte.

Contexto

A intubação nasotraqueal é procedimento comum em lactentes submetidos a cirurgia, e o sucesso na primeira tentativa reduz o risco de complicações. Estudos anteriores já haviam mostrado que a videolaringoscopia melhora o sucesso na primeira tentativa em relação à laringoscopia direta em lactentes que necessitam de intubação orotraqueal, mas o valor da videolaringoscopia na intubação nasotraqueal nessa faixa etária era desconhecido.

Como foi feito

Ensaio clínico randomizado, multicêntrico, de grupos paralelos, realizado em oito centros de cardiologia pediátrica dos Estados Unidos. Foram incluídos lactentes com até 365 dias de vida, sem via aérea difícil prevista, que necessitavam de intubação nasotraqueal para cirurgia cardiotorácica eletiva ou cateterismo cardíaco. Os pacientes foram randomizados 1:1 para videolaringoscopia ou laringoscopia direta, com randomização por blocos permutados estratificada por centro. O desfecho primário foi a taxa de sucesso na primeira tentativa de intubação, com análise por intenção modificada de tratar usando equações de estimação generalizadas para considerar o agrupamento por profissional que realizou a intubação. As complicações associadas à primeira tentativa e ao conjunto de todas as tentativas foram comparadas entre os grupos com os mesmos modelos marginais. O estudo está registrado no ClinicalTrials.gov (NCT05433155) e encerrado para novos participantes.

O que encontraram

Entre 1º de julho de 2022 e 31 de março de 2024, 684 lactentes foram randomizados, dos quais 673 entraram na análise do desfecho primário: 340 no grupo videolaringoscopia e 333 no grupo laringoscopia direta. A mediana de idade foi de 14,04 semanas (IQR 1,48–22,89) e o peso médio, de 4,77 kg (DP 1,74); 311 (46%) participantes eram do sexo feminino, 362 (54%) do masculino e 457 (68%) eram brancos.

O sucesso na primeira tentativa foi maior no grupo videolaringoscopia do que no grupo laringoscopia direta (281 [83%] versus 249 [75%]; diferença de risco ajustada 8,2% [IC 95% 2,0–14,3], p=0,0093).

Complicações na primeira tentativa ocorreram em 85 (13%) participantes no total, com incidências semelhantes entre os grupos (45 [13%] versus 40 [12%]; diferença de 0,4% [IC 95% -3,5 a 4,3], p=0,83). Considerando todas as tentativas de forma cumulativa, qualquer complicação ocorreu em 94 (14%) participantes no total, também com incidências semelhantes entre os grupos (46 [14%] versus 48 [14%]; diferença de -1,9% [IC 95% -6,0 a 2,3], p=0,38). Não houve casos de parada cardíaca nem de morte em nenhum dos grupos.

Limitações

Trata-se de ensaio randomizado, mas restrito a lactentes sem via aérea difícil prevista, submetidos a procedimentos eletivos em oito centros especializados de cardiologia pediátrica nos Estados Unidos, o que limita a generalização para crianças com via aérea difícil, centros não especializados ou situações de urgência. Os próprios autores apontam essas questões como temas em aberto para pesquisa futura, incluindo como o treinamento dos profissionais deve evoluir à medida que a videolaringoscopia se torna prática padrão. O resumo não informa o tempo de seguimento nem detalha os tipos específicos de complicação.

Para o pediatra

O estudo foi feito em lactentes com até 365 dias de vida, sem via aérea difícil prevista, que precisaram de intubação nasotraqueal para cirurgia cardíaca eletiva ou cateterismo cardíaco, com mediana de idade de cerca de 14 semanas e peso médio de 4,77 kg. Nesse grupo, a videolaringoscopia aumentou a chance de a intubação ser bem-sucedida na primeira tentativa em relação à laringoscopia direta, sem elevar a frequência de complicações. O material não aborda a apresentação clínica que levou esses lactentes à cirurgia nem o momento do encaminhamento, e os resultados não se aplicam automaticamente a crianças com via aérea difícil prevista ou a atendimentos de urgência.

Para o especialista

Para o anestesiologista e o intensivista que intubam lactentes cardíacos, o ensaio oferece evidência randomizada de que a videolaringoscopia aumenta o sucesso na primeira tentativa de intubação nasotraqueal (83% versus 75%; diferença de risco ajustada 8,2%), sem diferença nas complicações da primeira tentativa ou cumulativas e sem parada cardíaca ou morte. A análise considerou o agrupamento por profissional que intuba, o que reforça a robustez do achado. Os autores situam o resultado como parte de evidência crescente que favorece a videolaringoscopia como técnica de primeira linha para intubação traqueal em lactentes, mas ressaltam que ainda não se sabe se o benefício se estende a crianças com via aérea difícil, a centros não especializados ou a situações de urgência, nem como deve evoluir o treinamento dos profissionais.

Referência

Garcia-Marcinkiewicz AG, Gottlieb EA, Twite M et al.. Videolaryngoscopy versus direct laryngoscopy for nasotracheal intubation in infants undergoing cardiac procedures (NasoVISI): a multicentre, randomised controlled trial. Lancet Child Adolesc Health 2026.

DOI: 10.1016/s2352-4642(26)00239-7 · PubMed: 42945985

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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