Traqueostomia na hérnia diafragmática congênita: 3% dos lactentes e decanulação cumulativa de 36% aos 6 anos
Em uma coorte retrospectiva multicêntrica japonesa com 1.284 pacientes com hérnia diafragmática congênita, 38 (3,0%) foram traqueostomizados durante a internação, e a taxa cumulativa de decanulação aos 6 anos de idade foi de 36%.
Em coorte japonesa de 1.284 pacientes com HDC, 38 foram traqueostomizados; sobrevida caiu de 74,4% em 6 anos para 53,1% em 12 anos, e o uso de vasodilatador pulmonar na alta foi mais frequente entre os não decanulados.
Um estudo retrospectivo multicêntrico com dados do Japanese CDH Study Group, de 2006 a 2023, avaliou o status de traqueostomia e a decanulação em longo prazo em crianças com hérnia diafragmática congênita. Entre 1.284 pacientes, 38 (3,0%) foram traqueostomizados durante a internação. A taxa cumulativa de decanulação aos 6 anos de idade foi de 36%, e a sobrevida do grupo traqueostomizado foi de 74,4% em 6 anos, 63,7% em 9 anos e 53,1% em 12 anos. O uso de vasodilatador pulmonar na alta foi significativamente mais comum entre os pacientes que não foram decanulados.
Contexto
Os autores apontam que os dados de seguimento em longo prazo após traqueostomia em pacientes com hérnia diafragmática congênita são limitados. O estudo buscou descrever o status atual de traqueostomia e as características clínicas relacionadas à decanulação nesse grupo ao longo do seguimento.
Como foi feito
Trata-se de estudo retrospectivo multicêntrico que analisou registros do banco do Japanese CDH Study Group entre 2006 e 2023. Foram revisadas as características clínicas dos pacientes submetidos a traqueostomia durante a internação, e o status de decanulação foi avaliado com dados de seguimento em longo prazo, com taxas estimadas por análise de Kaplan-Meier. O estudo comparou o grupo traqueostomizado ao grupo sem traqueostomia.
O que encontraram
Dos 1.284 pacientes incluídos, 38 foram traqueostomizados durante a internação, o que corresponde a 3,0% de todos os lactentes com HDC. Em comparação ao grupo sem traqueostomia, o grupo com traqueostomia apresentou maiores taxas de anomalias cardíacas graves (21% vs. 9%), mais alterações cromossômicas (26% vs. 7%), maior idade gestacional (mediana de 37 semanas e 6 dias vs. 37 semanas e 1 dia) e menor peso ao nascer (mediana de 2.468 g vs. 2.704 g).
A sobrevida na coorte traqueostomizada foi de 74,4% em 6 anos, 63,7% em 9 anos e 53,1% em 12 anos. A taxa cumulativa de decanulação aos 6 anos de idade foi de 36%.
O uso de vasodilatador pulmonar na alta foi significativamente mais frequente entre os pacientes que não foram decanulados.
Limitações
Por ser um estudo retrospectivo de banco de dados, está sujeito a viés de seleção e a informação incompleta nos registros. O número de pacientes traqueostomizados é pequeno (38), o que limita a precisão das estimativas de decanulação e sobrevida e a comparação entre decanulados e não decanulados. O resumo não informa o tempo mediano de seguimento nem detalha os critérios de indicação de traqueostomia.
Para o pediatra
A traqueostomia foi necessária em 3,0% dos lactentes com hérnia diafragmática congênita em uma coorte japonesa, e esses pacientes tinham mais anomalias cardíacas graves e alterações cromossômicas que os não traqueostomizados. Apenas cerca de um terço havia sido decanulado até os 6 anos, e a sobrevida em longo prazo desse grupo foi decrescente ao longo de 12 anos. O uso de vasodilatador pulmonar na alta esteve associado à não decanulação, o que pode ajudar o pediatra a reconhecer os pacientes com trajeto mais prolongado de suporte de via aérea.
Para o especialista
O estudo acrescenta dados de seguimento em longo prazo sobre traqueostomia na HDC, mostrando que a decanulação é possível, mas frequentemente tardia, com taxa cumulativa de 36% aos 6 anos. A associação entre uso de vasodilatador pulmonar na alta e não decanulação sugere que a dependência de terapia para hipertensão pulmonar pode marcar um subgrupo de menor probabilidade de retirada da cânula. Por ser retrospectivo e com amostra pequena de traqueostomizados, o desenho permite associação, não inferência causal, e não sustenta mudança isolada de conduta.
Referência
Kawaguchi Y, Nagata K, Umeda S et al.. Long-term outcomes of tracheostomy in patients with congenital diaphragmatic hernia. Pediatr Surg Int 2026.
DOI: 10.1007/s00383-026-06683-1 · PubMed: 42911253
Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org