Impacto da pandemia de COVID-19 na prática de traqueostomia percutânea: análise de oito anos em UTI
Pandemia de COVID-19 aumentou em 106% o volume anual de traqueostomias percutâneas em UTI
Em um hospital terciário, o volume anual de traqueostomias percutâneas em UTI cresceu 106% durante a pandemia de COVID-19, de 39,2 para 81,5 procedimentos por ano, em estudo observacional retrospectivo com 398 adultos operados entre 2014 e 2021.
Em oito anos de um hospital terciário, a COVID-19 passou a ser a principal causa de ventilação mecânica invasiva entre os pacientes submetidos ao procedimento, chegando a 75,5% dos casos em 2021.
Um estudo observacional retrospectivo analisou 398 traqueostomias percutâneas realizadas em adultos na UTI de um hospital terciário entre 2014 e 2021, comparando o período pré-pandêmico (2014-2019) com o pandêmico (2020-2021). O volume anual de procedimentos cresceu 106% durante a pandemia, de 39,2 para 81,5 traqueostomias por ano. No período pandêmico, a COVID-19 tornou-se a principal causa de ventilação mecânica invasiva entre os pacientes operados, respondendo por 75,5% dos casos em 2021 (p<0,001). A duração da ventilação mecânica antes da traqueostomia também foi maior na pandemia, com diferença significativa entre 2019 e 2020 (p=0,028).
Contexto
A traqueostomia percutânea é um procedimento comum em unidades de terapia intensiva, sobretudo em pacientes que necessitam de ventilação mecânica prolongada. Segundo os autores, a pandemia de COVID-19 modificou de forma substancial as práticas de manejo de via aérea, mas as evidências que caracterizam essas mudanças em cenários latino-americanos ainda são limitadas.
Como foi feito
Trata-se de estudo observacional e retrospectivo que incluiu pacientes adultos submetidos a traqueostomia percutânea na UTI de um hospital terciário entre 2014 e 2021. Foram analisadas características clínicas e tendências temporais, comparando o período pré-pandêmico (2014-2019) com o pandêmico (2020-2021). O resumo não detalha os critérios de inclusão, os desfechos avaliados nem a duração do seguimento.
O que encontraram
Foram realizadas 398 traqueostomias percutâneas no período de oito anos. O volume anual de procedimentos aumentou 106% no período pandêmico em relação ao pré-pandêmico, passando de 39,2 para 81,5 procedimentos por ano. No período da pandemia, a COVID-19 tornou-se a principal causa de ventilação mecânica invasiva entre os pacientes submetidos ao procedimento, correspondendo a 75,5% dos casos em 2021 (p<0,001). A duração da ventilação mecânica antes da traqueostomia foi maior durante a pandemia, com diferenças significativas observadas entre 2019 e 2020 (p=0,028). O resumo não relata complicações ou eventos adversos associados ao procedimento.
Limitações
Por ser um estudo observacional retrospectivo, de centro único e baseado em dados de prontuário, os achados mostram associação entre a pandemia e as mudanças no volume e no perfil dos pacientes, sem estabelecer relação causal. O resumo não informa o número de pacientes elegíveis não incluídos, os critérios de indicação adotados ao longo do tempo nem a duração do seguimento, o que limita a interpretação das tendências temporais descritas.
Para o especialista
Para quem maneja via aérea em UTI, o estudo documenta, em um hospital terciário latino-americano, um aumento de 106% no volume anual de traqueostomias percutâneas durante a pandemia e uma mudança etiológica, com a COVID-19 respondendo por 75,5% dos casos em 2021, além de maior tempo de ventilação mecânica antes do procedimento. O desenho retrospectivo e de centro único permite gerar hipóteses sobre a necessidade de adaptar protocolos de manejo de via aérea e reabilitação respiratória em emergências de saúde pública, mas não sustenta conclusões sobre superioridade de técnica ou de momento de indicação.
Referência
Díaz-Cabrera AA, Gallardo Pérez D, Gallardo A et al.. [Impact of the COVID-19 pandemic on percutaneous tracheostomy practice: an eight-year analysis in an intensive care unit]. Medicina (B Aires) 2026.
PubMed: 42886953
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · pubmed.ncbi.nlm.nih.gov