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PubMed · matérias do Fôlego· Asaga-Oniki R, Ishihara M, Tanzawa S et al.·· há 1 dia

Criossonda após embolização arterial brônquica prévia permite biópsia e remoção de metástase traqueal hipervascular de câncer colorretal: relato de caso

Criossonda com embolização arterial brônquica prévia permite biópsia e remoção de metástase traqueal de câncer colorretal

Resumo por IA

Em relato de caso único de um homem de 71 anos com metástase traqueal hipervascular de câncer de cólon sigmoide, a embolização arterial brônquica prévia seguida de remoção em fragmentos com criossonda de 1,7 mm permitiu biópsia e debulking no mesmo procedimento, sem sangramento ativo.

Texto

Em relato de caso, tumor traqueal hipervascular de origem colorretal foi retirado em fragmentos por criossonda após embolização da artéria brônquica, sem sangramento ativo, com recidiva local em 6 meses.

Um homem de 71 anos com antecedência de câncer de cólon sigmoide, já operado por metástases hepáticas e pulmonares, apresentou nódulo na parede traqueal inferior esquerda que cresceu de 5,4 × 6,8 mm para 10,6 × 8,2 mm em cinco meses. A broncoscopia mostrou tumor de base larga ocupando cerca de 50% da traqueia e sangrando facilmente ao contato, e a tomografia dinâmica identificou suprimento por ramo da artéria brônquica direita. Diante do risco de sangramento e de obstrução progressiva, os autores realizaram embolização arterial brônquica (BAE) antes do procedimento e, sob anestesia geral, removeram o tumor em fragmentos com criossonda de 1,7 mm, sem sangramento ativo. O exame anatomopatológico confirmou metástase traqueal do câncer de cólon sigmoide; houve recidiva local e metástases pulmonares múltiplas seis meses depois.

Contexto

Metástases traqueais e endobrônquicas de tumores sólidos extrapulmonares são raras; segundo Marchioni et al., citados pelos autores, representam apenas 4% dos casos, com origem mais comum em mama, colorretal e rim. Os sintomas incluem tosse, hemoptise e dispneia, e a doença progressiva pode levar à obstrução da via aérea. Eletrocautério, coagulação por micro-ondas e laser de neodímio-YAG têm sido usados para aliviar estenose e obstrução da via aérea central. A criobiópsia, tradicionalmente diagnóstica, tem sido cada vez mais aplicada a procedimentos terapêuticos como o debulking endoscópico, e permite obter espécimes maiores que a pinça convencional. Os autores descrevem o dilema das metástases traqueais de base larga e hipervasculares: a biópsia convencional tem alto risco de sangramento, enquanto a obstrução progressiva exige intervenção oportuna.

Como foi feito

Trata-se de relato de caso único, redigido conforme a lista CARE, de um homem japonês de 71 anos com câncer de cólon sigmoide estágio IIIA (pT2N1M0) operado sete anos antes, com ressecção de metástase hepática e de metástases pulmonares bilaterais no seguimento. Ele procurou atendimento por tosse, e a tomografia identificou nódulo traqueal que cresceu ao longo de cinco meses. A broncoscopia mostrou tumor de base larga ocupando cerca de 50% da traqueia, sangrando facilmente ao contato, e a tomografia dinâmica demonstrou suprimento por ramo da artéria brônquica direita. O paciente tinha performance status 1 pelo Eastern Cooperative Oncology Group, sem comorbidades, sem medicações regulares e sem história familiar; não havia estridor à ausculta, as enzimas hepáticas estavam levemente elevadas (AST 74 U/L, ALT 87 U/L) e os marcadores tumorais dentro da normalidade (CEA 1,9 ng/mL, CA 19-9 6,6 U/mL). Optou-se por BAE prévia para reduzir o risco de sangramento, seguida de biópsia diagnóstica e remoção terapêutica simultâneas sob anestesia geral, com criossonda descartável de 1,7 mm (Erbe Elektromedizin, Alemanha), tempo de congelamento de 5 a 7 segundos, retirada em fragmentos até o tumor não ser mais visível macroscopicamente. O seguimento descrito inclui PET/CT dois meses após o procedimento e detecção de recidiva seis meses depois.

O que encontraram

A arteriografia pós-embolização confirmou ausência de vasos que alimentavam o tumor. Como a lesão era de base larga, o uso de alça de eletrocirurgia de alta frequência foi considerado inadequado, e a criossonda foi escolhida por permitir remoção e obtenção simultâneas de tecido não queimado para diagnóstico. O tumor foi retirado em fragmentos, com mais de 20 fragmentos, até não ser mais visível macroscopicamente, com atenção para não lesar a parede traqueal, e não houve sangramento ativo durante o procedimento. O exame anatomopatológico revelou estruturas glandulares compatíveis com o câncer de cólon sigmoide ressecado sete anos antes, confirmando a metástase traqueal. A remoção foi macroscopicamente completa, mas a natureza fragmentada impossibilitou confirmar margens negativas à histologia, o que pode explicar a recidiva local subsequente. O PET/CT realizado dois meses depois não mostrou recidiva, e a quimioterapia foi adiada por ausência de lesões-alvo; a radioterapia foi evitada para preservá-la como opção de resgate. Seis meses após a crioterapia, foram detectadas recidiva local na traqueia e múltiplas metástases pulmonares; nova crioterapia foi realizada, seguida do início de quimioterapia sistêmica pela primeira vez no curso do tratamento.

Limitações

Os próprios autores reconhecem que se trata de um único caso e que seria difícil concluir sobre a segurança e a eficácia em longo prazo da crioterapia combinada com BAE apenas com essa experiência; novos casos são necessários para estabelecer técnicas padronizadas e esclarecer os desfechos em longo prazo. Eles também citam complicações associadas à BAE, como lesão de nervos espinhais. Do desenho decorre que não há grupo controle, os resultados não podem ser generalizados e a remoção fragmentada impediu a avaliação histológica de margens.

Para o especialista

Para o broncoscopista que maneja tumores centrais, o relato sugere que a criossonda pode ser uma alternativa para lesões de base larga, nas quais a alça de eletrocirurgia não é adequada, permitindo biópsia e debulking no mesmo procedimento e com tecido não queimado para o patologista. A associação com BAE prévia, em tumor com suprimento identificado por tomografia dinâmica, foi usada para reduzir o risco de sangramento, e não houve sangramento ativo no caso. O controle local obtido foi temporário, de seis meses, e o caráter de caso único, sem padronização de técnica nem seguimento longo, limita qualquer conclusão sobre superioridade ou segurança do método.

Referência

Asaga-Oniki R, Ishihara M, Tanzawa S et al.. A Case of Safe and Effective Use of a Cryoprobe for Simultaneous Biopsy and Removal of a Tracheal Metastasis from Sigmoid Colon Cancer. Case Rep Oncol 2026.

DOI: 10.1159/cro/abzag017 · PubMed: 42923477

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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