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A literatura que muda a conduta, toda segunda

Medicina· Pecoraro L, Attanasi M, Marra F et al.·· há 5 dias

Revisão narrativa propõe via de cuidado multidisciplinar para respiração bucal persistente na infância, com pediatra, alergista, otorrinolaringologista e ortodontista

Revisão propõe via de cuidado multidisciplinar para a respiração bucal persistente na infância

Resumo por IA

Uma revisão narrativa publicada na Medicina (Kaunas), com busca no PubMed/MEDLINE até junho de 2026 e 79 referências, propôs uma via de cuidado multidisciplinar para respiração bucal persistente na infância, partindo do pediatra e envolvendo alergista pediátrico, otorrinolaringologista e ortodontista.

EM UM MINUTO

O achado
Revisão narrativa propõe uma via de cuidado multidisciplinar que usa a respiração bucal persistente, sobretudo noturna, como porta de entrada para identificar causas alérgicas, de via aérea superior, craniofaciais e possível distúrbio respiratório do sono.
Para quem importa
Pediatras, alergistas pediátricos, otorrinolaringologistas e ortodontistas que avaliam crianças com respiração bucal persistente ou noturna.
Muda algo agora?
NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
Estágio da evidência
Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
População
crianças, com ênfase nos períodos pré-escolar e escolar; faixa etária detalhada não informada · respiração bucal persistente e noturna na infância e distúrbios respiratórios do sono associados · não informado (revisão narrativa da literatura, sem cenário assistencial único)
Desenho
Revisão narrativa (revisão narrativa com busca estruturada no PubMed/MEDLINE e síntese multidisciplinar)
Principal limitação
A evidência específica sobre respiração bucal isolada ou noturna sem SAOS é limitada e heterogênea, e a via proposta não passou por consenso formal.
Texto lido
Texto completo aberto
Conflitos de interesse declarados
Os autores declaram não ter conflitos de interesse; a pesquisa não recebeu financiamento externo.
O que se transfere ao contexto brasileiro
O material não descreve o cenário assistencial nem compara sistemas de saúde, portanto não permite avaliar diretamente a transposição ao contexto brasileiro. A via depende, em princípio, de acesso coordenado a alergologia pediátrica, otorrinolaringologia, ortodontia e polissonografia, recursos cuja disponibilidade o artigo não aborda.
Texto

Alergista, otorrinolaringologista e ortodontista integram uma via que usa a respiração bucal, sobretudo noturna, como porta de entrada para investigar distúrbios respiratórios do sono.

Uma revisão narrativa publicada na Medicina (Kaunas) reuniu evidências sobre respiração bucal em crianças e propôs uma via de cuidado multidisciplinar envolvendo pediatra, alergista pediátrico, otorrinolaringologista e ortodontista. O trabalho partiu de busca estruturada no PubMed/MEDLINE até junho de 2026 e incluiu 79 referências. Os autores argumentam que a respiração bucal persistente, especialmente durante o sono, não deve ser tratada como hábito benigno, mas como achado clínico que exige avaliação etiológica. A via proposta começa no pediatra e prevê avaliação especializada dirigida e polissonografia apenas quando houver suspeita clínica de distúrbio respiratório do sono.

Contexto

A respiração bucal é definida no artigo como a substituição da respiração nasal pela oral ou mista. Uma revisão sistemática com metanálise citada pelos autores estimou prevalência agrupada de 21,1% entre crianças de 3 a 18 anos (IC 95%: 13,1–30,4%), mas esses números se referem à respiração bucal em qualquer momento e não podem ser extrapolados para a forma noturna. Os distúrbios respiratórios do sono na infância vão do ronco primário à síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), com prevalência estimada de 4 a 11%; enquanto a SAOS é relativamente bem caracterizada, os fenótipos mais leves associados à respiração bucal permanecem pouco definidos e frequentemente subestimados. As diretrizes internacionais, segundo os autores, tratam principalmente da SAOS estabelecida e oferecem orientação limitada para crianças com respiração bucal persistente ou noturna sem critérios diagnósticos de SAOS, que podem ficar fora dos caminhos diagnósticos convencionais.

O texto também reúne evidências de que o ronco primário e outras formas leves de distúrbio respiratório do sono se associam a fragmentação do sono e a alterações neurocognitivas e comportamentais, mesmo sem SAOS. Estudos citados mostram desempenho pior em testes de aprendizagem em crianças com ronco primário, inclusive em comparação com crianças com SAOS, e redução de QI de magnitude semelhante à observada na SAOS leve. Os autores destacam que os períodos pré-escolar e escolar são etapas críticas do neurodesenvolvimento, nas quais a qualidade do sono influencia aprendizado e comportamento.

Como foi feito

Trata-se de revisão narrativa baseada principalmente em busca estruturada no PubMed/MEDLINE, da criação da base até junho de 2026, complementada por triagem manual das listas de referências de artigos e diretrizes. Não houve restrição de idioma ou de data de publicação. Foram considerados estudos em populações pediátricas com respiração bucal, sintomas respiratórios noturnos, distúrbios respiratórios do sono, ronco primário, obstrução de via aérea superior, doença alérgica ou nasal e alterações craniofaciais, dentárias ou orofaciais potencialmente associadas a padrões respiratórios alterados; estudos exclusivamente em adultos foram excluídos. Deu-se prioridade a revisões sistemáticas, metanálises, ensaios clínicos randomizados, diretrizes, documentos de consenso e estudos observacionais de alta qualidade, com avaliação qualitativa de robustez metodológica e aplicabilidade clínica pelos autores. A via de cuidado proposta resultou de síntese narrativa estruturada, integrando evidências pediátricas, alergológicas, otorrinolaringológicas, dentárias e ortodônticas às recomendações de diretrizes e consensos disponíveis; os autores explicitam que não se trata de um consenso formal do tipo Delphi e que, por ser revisão narrativa, não houve triagem sistemática nem diagrama PRISMA. A figura da via foi gerada com ferramenta de geração de imagens por inteligência artificial e depois revisada, editada e validada pelos autores.

O que encontraram

A síntese indica que a respiração bucal pode se associar a condições alérgicas e nasais, obstrução de via aérea superior, alterações craniofaciais e dentárias e alterações funcionais orofaciais, e pode coexistir com distúrbios respiratórios do sono em crianças selecionadas. Na perspectiva do alergista, uma metanálise citada por Cao et al. mostrou prevalência de rinite alérgica de 41 a 45% entre crianças com distúrbios respiratórios do sono ou apneia obstrutiva, com razão de chances 2,12 vezes maior do que nos controles; os autores ressaltam, porém, que esses achados não devem ser extrapolados diretamente para crianças com respiração bucal isolada. A rinite alérgica é descrita como contribuinte potencialmente modificável da obstrução nasal, e não como fator causal estabelecido, o que sustenta avaliação alergológica individualizada quando a clínica sugere componente alérgico.

Na perspectiva otorrinolaringológica, a hipertrofia adenotonsilar é apontada como uma das causas mais comuns de obstrução de via aérea superior na infância. O texto descreve a propedêutica: história noturna (ronco habitual mais de três noites por semana, apneias testemunhadas, respiração bucal noturna, sono agitado, enurese secundária), exame físico com classificação de Brodsky para amígdalas (graus 0 a 4) e escore de Mallampati, endoscopia nasal preferencial para avaliação de adenoides com classificação endoscópica de Cassano, e polissonografia como padrão de referência, com o índice de apneia-hipopneia obstrutiva (OAHI) usado para gravidade: leve de 1 a 5 eventos por hora, moderada de 5 a 10 e grave acima de 10. A endoscopia do sono induzida por fármacos é reservada a casos selecionados, sobretudo apneia persistente após adenotonsilectomia.

Quanto ao tratamento, o texto cita o Childhood Adenotonsillectomy Trial (CHAT), no qual cerca de 46% das crianças em observação apresentaram normalização espontânea dos achados polissonográficos no seguimento, embora a adenotonsilectomia tenha produzido melhoras maiores em comportamento, qualidade de vida e parâmetros polissonográficos; o Pediatric Adenotonsillectomy Trial for Snoring (PATS) também apoia a possibilidade de melhora clínica com manejo conservador em crianças selecionadas com distúrbios leves. A adenoidectomia isolada pode ser apropriada em crianças não obesas com menos de 7 anos, OAHI abaixo de 10 eventos por hora e amígdalas pequenas (Brodsky menor que 3). A amigdalectomia parcial mostrou eficácia comparável à total em crianças selecionadas, com menos sangramento pós-operatório, recuperação mais rápida e menor necessidade de analgésicos, mas taxa de recorrência ligeiramente maior. Para a respiração bucal persistente após a correção da obstrução, o texto discute expansão palatina rápida quando há deficiência transversa da maxila e terapia miofuncional orofacial, cuja evidência em distúrbios respiratórios do sono pediátricos é descrita como limitada e heterogênea.

Na perspectiva ortodôntica, os autores listam sinais que devem levantar suspeita: respiração bucal persistente ou predominantemente noturna, relação esquelética de Classe II, palato alto e estreito, hipertrofia de amígdalas ou adenoides, macroglossia, perfil facial convexo, bruxismo noturno e apinhamento dentário. A expansão maxilar rápida é indicada quando há deficiência transversa documentada, como arcada estreita ou mordida cruzada posterior, e não pela presença de respiração bucal isolada; o benefício é maior durante o crescimento craniofacial ativo, tipicamente na dentição mista ou permanente inicial. Em adolescentes esqueleticamente mais maduros, a resistência da sutura palatina mediana pode reduzir o efeito ortopédico. Aparelhos funcionais para retrognatia mandibular são considerados apenas quando essa alteração representa componente craniofacial relevante do distúrbio respiratório.

Limitações

Os autores reconhecem que a evidência específica sobre respiração bucal persistente ou noturna em crianças sem SAOS estabelecida é limitada e que grande parte dos dados vem de populações com distúrbios respiratórios do sono ou SAOS, sendo incerta a extrapolação. Há heterogeneidade considerável nas definições de respiração bucal e de distúrbios respiratórios do sono, nos critérios diagnósticos, nos instrumentos de avaliação e nos desfechos, o que limita comparações. Faltam dados sobre efeitos de longo prazo e sobre benefícios de intervenção multidisciplinar precoce, sobretudo em desfechos neurocognitivos, comportamentais, de sono e craniofaciais. A busca restrita ao PubMed/MEDLINE pode ter deixado de fora estudos indexados apenas em outras bases, a seleção foi narrativa e não sistemática, e a via proposta não passou por processo formal de consenso.

Para o pediatra

O texto coloca o pediatra como ponto de partida da via: é ele quem identifica a respiração bucal persistente ou noturna e os sinais associados. A descrição clínica inclui ronco habitual em mais de três noites por semana, apneias testemunhadas, sono agitado, enurese secundária e, no dia a dia, hiperatividade e impulsividade mais do que sonolência excessiva, padrão descrito como típico da apneia obstrutiva na infância, diferente do adulto. O artigo também lembra que o Questionário Pediátrico do Sono (PSQ) é ferramenta de triagem e que um PSQ positivo foi associado a asma, trissomia 21, prematuridade, atraso de desenvolvimento, transtorno de déficit de atenção, doença pulmonar crônica, cardiopatia congênita e IMC elevado, e que cerca de um terço das crianças com distúrbios leves mantinha sintomas até dois anos após o diagnóstico. A mensagem prática é distinguir respiração bucal habitual de respiração bucal com obstrução nasal ou sinais de distúrbio respiratório do sono, encaminhando de forma coordenada quando esses sinais estiverem presentes.

Para o especialista

Para o otorrinolaringologista, o texto reforça que respiração bucal e apneia obstrutiva não são sinônimos e que a polissonografia deve ser pedida pela suspeita clínica de distúrbio respiratório do sono, não pela respiração bucal em si; a endoscopia do sono induzida por fármacos fica reservada a casos selecionados, como apneia persistente após adenotonsilectomia. Para o alergista, a rinite alérgica entra como contribuinte modificável da obstrução nasal, com avaliação por teste cutâneo e IgE sérica guiada pela história. Para o ortodontista, a expansão maxilar rápida exige deficiência transversa documentada e timing de crescimento, e os aparelhos funcionais, retrognatia mandibular relevante. O grau de confiança é limitado: trata-se de revisão narrativa com via proposta por síntese de evidências, sem consenso formal nem validação prospectiva, e os próprios autores pedem estudos longitudinais e multicêntricos para confirmar se o reconhecimento e o tratamento precoces mudam desfechos.

Referência

Pecoraro L, Attanasi M, Marra F et al.. A Multidisciplinary Care Pathway for Childhood Mouth Breathing: The Pediatric Allergist, ENT, and Orthodontic Perspective. Medicina (Kaunas) 2026.

DOI: 10.3390/medicina62101940 · PubMed: 42942471

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: Medicina · doi.org

Como esta matéria foi feita

Matéria redigida com auxílio de inteligência artificial (IA) a partir da fonte original (o texto indicado em “Texto lido”) e selecionada automaticamente: a IA resumiu o estudo, extraiu população, desenho, principal limitação e conflitos declarados, graduou se ele muda algo agora e apontou o que se transfere ao contexto brasileiro. O editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário; correções de substância são registradas no fim da página, com a data, o que mudou e por quê.

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