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PubMed · matérias do Fôlego· Dasgupta M, Wadi G, Callison JC et al.·· há 1 dia

Válvulas endobrônquicas Zephyr resolvem fuga aérea persistente em fibrose cística avançada: relato de caso

Válvulas endobrônquicas resolvem fuga aérea persistente em fibrose cística avançada

Resumo por IA

Em relato de caso, quatro válvulas endobrônquicas Zephyr ocluíram os lobos superior e médio direitos de uma mulher na casa dos 20 anos com fibrose cística avançada e fuga aérea persistente por cerca de um mês, permitindo retirar o dreno pleural em quatro dias, sem cirurgia ou pleurodese.

Texto

Em relato de caso, quatro válvulas Zephyr ocluíram os lobos superior e médio direitos e permitiram retirar o dreno pleural em quatro dias, sem cirurgia ou pleurodese.

Uma mulher na casa dos 20 anos com fibrose cística avançada, bronquiectasias graves e insuficiência respiratória hipoxêmica crônica apresentou pneumotórax espontâneo hipertensivo à direita complicado por fuga aérea persistente por cerca de um mês, apesar de dreno pleural e patch de sangue autólogo. Para evitar cirurgia, recebeu quatro válvulas endobrônquicas Zephyr por broncoscopia, com oclusão completa dos lobos superior e médio direitos e resolução imediata da fuga. As válvulas foram removidas eletivamente sete semanas depois, sem complicações, e após um ano não havia recidiva do pneumotórax nem necessidade de pleurodese, cirurgia ou transplante.

Contexto

Pacientes com fibrose cística têm risco aumentado de pneumotórax espontâneo secundário por doença pulmonar estrutural crônica. A fuga aérea persistente, decorrente de comunicação entre vias aéreas ou alvéolos e o espaço pleural por fístula broncopleural ou alveolopleural, associa-se a maior morbidade e mortalidade. O manejo tradicional inclui drenagem com dreno torácico, pleurodese ou cirurgia, mas essas abordagens podem aumentar a cicatriz pleural e comprometer a candidatura a transplante pulmonar futuro. As válvulas endobrônquicas, originalmente desenvolvidas para enfisema, têm sido usadas off-label com sucesso em fuga aérea persistente, reduzindo o fluxo de ar ao segmento afetado e permitindo a saída de ar aprisionado e secreções; os dados em fibrose cística, porém, permanecem limitados.

Como foi feito

Trata-se de relato de caso com revisão da literatura. A paciente, mulher na casa dos 20 anos, tinha fibrose cística avançada, bronquiectasias graves, insuficiência respiratória hipoxêmica crônica e pneumotórax espontâneo prévio à esquerda, com FEV1 basal de 1,14 L (44% do previsto). Após pneumotórax espontâneo hipertensivo à direita e falha de múltiplas tentativas de clampeamento e de patch de sangue autólogo ao longo de cerca de quatro semanas, foi submetida a broncoscopia com aspiração terapêutica de secreções e colocação de quatro válvulas Zephyr (PulmonX, Califórnia, EUA): três válvulas 4,0 mm de perfil baixo nos brônquios segmentares RB1, RB2 e RB3 do lobo superior direito e uma de 5,5 mm no brônquio lobar do lobo médio direito (RB4/5). O desfecho principal foi a resolução da fuga aérea, com acompanhamento clínico e radiológico.

O que encontraram

Houve resolução imediata da fuga aérea persistente e melhora radiológica após a colocação das quatro válvulas. A paciente foi internada para monitoramento, manteve pulmozyme, teve a fisioterapia respiratória suspensa enquanto as válvulas estavam posicionadas e recebeu Avycaz 2,5 g por via intravenosa três vezes ao dia por três semanas, além de tobramicina inalatória duas vezes ao dia, diante do histórico de Pseudomonas aeruginosa multirresistente. O dreno pleural direito foi removido quatro dias após a internação e ela recebeu alta. As válvulas foram removidas eletivamente sete semanas após a colocação, sem complicações, e não houve infecção associada às válvulas. No seguimento de um ano após a remoção, o FEV1 retornou ao basal, não houve recidiva do pneumotórax e a paciente não precisou de pleurodese, ressecção cirúrgica ou transplante pulmonar.

Limitações

Trata-se de relato de caso único, sem grupo controle, o que não permite estabelecer eficácia nem comparar com outras estratégias. Os autores reconhecem que não todos os pacientes com fibrose cística e fuga aérea persistente serão candidatos adequados: é necessário localizar a via aérea responsável e tolerar a oclusão do segmento ou lobo, e ventilação colateral extensa ou dificuldade de localizar a fístula podem limitar a eficácia. Também apontam que as válvulas não substituem o manejo cirúrgico em quem é candidato à cirurgia e que estudos adicionais são necessários para definir seleção de pacientes, técnicas de localização da fuga, duração da permanência das válvulas e segurança e eficácia em longo prazo.

Para o pediatra

O caso descreve uma adulta jovem com fibrose cística avançada que desenvolveu pneumotórax espontâneo hipertensivo e manteve fuga aérea por cerca de um mês, mesmo com dreno pleural e patch de sangue. A obstrução brônquica seletiva com válvulas endobrônquicas resolveu a fuga e permitiu retirar o dreno em quatro dias, sem pleurodese nem cirurgia. O artigo reforça que pacientes com fibrose cística e doença pulmonar estrutural têm risco aumentado de pneumotórax espontâneo secundário e que a fuga aérea persistente nesse grupo é de manejo difícil, sobretudo quando se deseja preservar o espaço pleural para um eventual transplante.

Para o especialista

O relato acrescenta à literatura a descrição de oclusão lobar completa com quatro válvulas Zephyr, com resolução imediata e sustentada da fuga e remoção eletiva das válvulas em sete semanas, sem recidiva em um ano. Os autores comparam com outras séries de casos em fibrose cística, em que as válvulas funcionaram como ponte para transplante, exigiram pleurodese adicional ou lobectomia, ou cursaram com pneumotórax recorrente após retirada do dreno. O texto discute a necessidade de localizar a fístula por oclusão balonada sequencial, a possibilidade de oclusão temporária de dois brônquios lobares, o risco de infecção por prejuízo à drenagem de secreções e a interrupção temporária da fisioterapia respiratória. Pelo desenho de caso único, os achados sugerem benefício em pacientes selecionados, sem permitir conclusões sobre superioridade ou generalização.

Referência

Dasgupta M, Wadi G, Callison JC et al.. Endobronchial valves for management of persistent air leak in advanced cystic fibrosis: A case report and review of literature. Respir Med Case Rep 2026.

DOI: 10.1016/j.rmcr.2026.102534 · PubMed: 42921010

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org

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