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Paediatric Respiratory Reviews· Bover-Bauzà C, Osona B, Aguirregomezcorta FR et al.·· há 2 dias

Prematuros com aspiração pulmonar tratada têm morbidade respiratória semelhante à de prematuros sem aspiração em três anos

Resumo por IA

Estudo retrospectivo de centro único com 62 prematuros avaliados por FEES antes dos seis meses de vida não encontrou diferença significativa nos eventos respiratórios em três anos entre os 39 com aspiração pulmonar e os 23 sem aspiração.

Texto

Estudo retrospectivo com 62 prematuros avaliados por FEES nos primeiros seis meses de vida não encontrou diferença significativa nos eventos respiratórios em três anos.

Um estudo retrospectivo de 12 anos avaliou 62 prematuros com menos de seis meses submetidos à avaliação endoscópica fibro-óptica da deglutição (FEES), classificando-os em dois grupos: 39 com aspiração pulmonar e 23 sem aspiração. A idade gestacional média foi de 28 semanas e a mediana de idade na FEES foi de 2,7 meses. Cerca de 60% tinham comorbidades associadas, sendo a displasia broncopulmonar a mais frequente, e dietas espessadas foram recomendadas em 82,1% dos casos com aspiração. No seguimento de três anos, as internações por causas respiratórias ocorreram em 43,6% do grupo com aspiração e em 52,2% do grupo sem aspiração, sem diferenças estatisticamente significativas nos eventos respiratórios avaliados.

Contexto

A aspiração é comum no período neonatal, sobretudo em prematuros, e pode ser silenciosa até causar sequelas respiratórias importantes. O estudo parte da necessidade de avaliar a evolução respiratória de prematuros com diagnóstico de aspiração pulmonar feito por FEES nos primeiros seis meses de vida.

Como foi feito

Estudo retrospectivo de prematuros submetidos à FEES ao longo de 12 anos, divididos em dois grupos: com aspiração e sem aspiração. Foram incluídos 62 prematuros com menos de seis meses, 39 com aspiração e 23 sem aspiração. A idade gestacional média foi de 28 semanas e a mediana de idade na realização da FEES foi de 2,7 meses. Aproximadamente 60% dos pacientes apresentavam comorbidades associadas, sendo a displasia broncopulmonar a mais frequente. Os eventos respiratórios foram estudados em ambos os grupos durante seguimento de três anos.

O que encontraram

Dietas espessadas foram recomendadas em 82,1% dos casos de aspiração. Durante o seguimento, internações por causas respiratórias ocorreram em 43,6% do grupo com aspiração e em 52,2% do grupo sem aspiração. Os eventos respiratórios mais comuns foram infecções das vias aéreas superiores (79,5% versus 78,3%), bronquiolite/bronquite (76,9% versus 69,6%), laringite (15,4% versus 13%), eventos breves inexplicados resolvidos (0% versus 13%) e pneumonia (30,8% versus 26,1%). A pneumonia apareceu ligeiramente mais cedo entre os lactentes com aspiração, mas não foram observadas diferenças estatisticamente significativas.

Limitações

Trata-se de estudo retrospectivo, de centro único, com amostra pequena (62 prematuros) e baseado em dados de prontuário, o que limita o poder de detectar diferenças entre os grupos e não permite estabelecer causalidade. Os autores apontam que seria necessário seguimento de longo prazo com provas de função pulmonar e exames de imagem para determinar a evolução subsequente desses pacientes.

Para o pediatra

O estudo descreve prematuros de cerca de 28 semanas avaliados por FEES antes dos seis meses de vida, muitos com displasia broncopulmonar, em que a aspiração foi diagnosticada e tratada com dietas espessadas na maioria dos casos. Nesse grupo, a frequência de internações e de eventos respiratórios nos três anos seguintes foi semelhante à de prematuros sem aspiração, o que sugere que o diagnóstico e o manejo da aspiração nessa fase podem se associar a uma evolução respiratória comparável.

Para o especialista

O estudo acrescenta dados de seguimento de três anos em prematuros com aspiração diagnosticada por FEES e tratada principalmente com dietas espessadas, mostrando morbidade respiratória comparável à de prematuros sem aspiração, sem diferenças significativas nos desfechos avaliados. O desenho retrospectivo, de centro único e com amostra pequena limita a força da evidência, e os autores recomendam seguimento com função pulmonar e imagem para esclarecer a evolução posterior.

Referência

Bover-Bauzà C, Osona B, Aguirregomezcorta FR et al.. Long-term outcomes in premature infants with chronic pulmonary aspiration. Paediatr Respir Rev 2026.

DOI: 10.1016/j.prrv.2026.09.003 · PubMed: 42963227

Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.

Fonte: Paediatric Respiratory Reviews · doi.org

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