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A literatura que muda a conduta, toda segunda

Frontiers in Public Health· Kim HO, Oh YJ, Lee SH et al.·· há 2 dias

Metanálise mostra que a bacteriologia da otite média com efusão varia por região e período

Bacteriologia da otite média com efusão varia por região e período, aponta metanálise

Resumo por IA

Uma revisão sistemática com metanálise de 22 estudos publicados entre 1980 e 2025 encontrou positividade de cultura de 43,4% (IC 95%: 35,4–51,8%) em 5.682 espécimes de otite média com efusão. Entre os positivos, H.

EM UM MINUTO

O achado
Metanálise de 22 estudos mostra positividade de cultura de 43,4% na OME, com predomínio de H. influenzae na Europa e de estafilococos na Ásia e mais CoNS e MSSA nos estudos a partir de 2000.
Para quem importa
Otorrinolaringologistas e pediatras que acompanham crianças com otite média com efusão e decidem sobre investigação e tratamento antimicrobiano.
Muda algo agora?
Pode informar a discussãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
Estágio da evidência
Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
População
predominantemente lactentes e crianças pequenas, com limite superior de idade frequentemente em torno de 12 anos; alguns estudos incluíram adolescentes e adultos (até 61 e 91 anos em estudos isolados) · otite média com efusão (OME) · estudos de América do Norte (EUA), Europa, Ásia (Coreia do Sul, China e Tailândia), Oceania (Austrália) e Oriente Médio (Irã), em grande parte em centros terciários com coleta cirúrgica
Desenho
Metanálise (revisão sistemática com metanálise de 22 estudos, com modelos de efeitos aleatórios e subgrupos por região e período)
Principal limitação
Alta heterogeneidade entre estudos (I2 > 80%) e concentração geográfica (todos os estudos norte-americanos dos EUA e cinco dos sete asiáticos da Coreia do Sul), com confusão entre região e período.
Texto lido
Texto completo aberto
Conflitos de interesse declarados
Os autores declaram ausência de relações comerciais ou financeiras que possam configurar conflito de interesse; o estudo teve financiamento do Ministério da Educação da República da Coreia, do National Research Foundation of Korea e do National Bio Bigdata Project.
O que se transfere ao contexto brasileiro
O material não inclui estudos brasileiros nem latino-americanos, e a maior parte dos dados vem de centros terciários dos EUA, da Europa e da Ásia, com métodos de coleta e períodos heterogêneos. A transposição para o contexto brasileiro depende de vigilância microbiológica local, que o próprio artigo aponta como lacuna em vários cenários.
Texto

Culturas positivas em 43,4% dos 5.682 espécimes; H. influenzae predomina na Europa e estafilococos, na Ásia, com mais CoNS e MSSA após 2000.

Uma revisão sistemática com metanálise reuniu 22 estudos publicados entre 1980 e 2025 sobre a bacteriologia por cultura da otite média com efusão (OME) e encontrou positividade agrupada de 43,4% (IC 95%: 35,4–51,8%) entre 5.682 espécimes cultivados. Entre os espécimes positivos, as proporções agrupadas foram 26,4% para Haemophilus influenzae, 26,1% para estafilococos coagulase-negativos (CoNS), 16,0% para Staphylococcus aureus sensível à meticilina (MSSA), 14,2% para Streptococcus pneumoniae e 13,1% para S. aureus resistente à meticilina (MRSA). O perfil variou por região — H. influenzae predominou nos estudos europeus, CoNS nos asiáticos e, na América do Norte, CoNS e H. influenzae tiveram proporções comparáveis. Estudos conduzidos a partir de 2000 mostraram mais CoNS e MSSA e menos H. influenzae e S. pneumoniae que os anteriores.

Contexto

A OME é definida pela presença de líquido no ouvido médio sem sinais de infecção aguda e é extremamente comum na infância: até 80% das crianças têm ao menos um episódio até os 4 anos, segundo o artigo. A maioria resolve em até 3 meses, mas cerca de 30–40% recidivam, e a perda auditiva condutiva pode afetar fala, linguagem e cognição. Os autores lembram que os três otopatógenos clássicos (S. pneumoniae, H. influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis) respondem pela maior parte das culturas positivas, mas que S. aureus (MSSA e MRSA) e CoNS vêm sendo isolados, com relatos de altas taxas de MRSA em OME crônica em algumas regiões. A introdução das vacinas pneumocócicas conjugadas (PCV), o aumento da resistência antimicrobiana e a ampliação da literatura motivaram a síntese atualizada.

Como foi feito

Revisão sistemática com metanálise conduzida conforme o PRISMA e registrada no PROSPERO (CRD420261291723), com busca em PubMed, Embase e Cochrane Library para estudos publicados de 1º de janeiro de 1980 a 31 de dezembro de 2025. Foram incluídos estudos em humanos com OME que relatassem prevalência bacteriana por cultura em líquido do ouvido médio obtido por miringotomia ou timpanocentese, ou em tecido adenoideano ou biópsia de mucosa, com dados de numerador e denominador extraíveis. Excluíram-se, entre outros, estudos sem dados suficientes, não originais, com ruptura espontânea da membrana timpânica ou que analisassem apenas otorreia de tubos de ventilação. Três revisores selecionaram e extraíram os dados; a qualidade foi avaliada pelo Joanna Briggs Institute Prevalence Critical Appraisal Tool. A positividade foi calculada como espécimes positivos sobre todos os cultivados, e as proporções por organismo, sobre os espécimes positivos, com modelos de efeitos aleatórios (R versão 4.5.1). Para a análise temporal, os estudos foram classificados pelo período de coleta (concluída até 31 de dezembro de 1999 ou iniciada a partir de 1º de janeiro de 2000), excluindo-se os que cruzavam o corte.

O que encontraram

Dos 935 registros identificados, 22 estudos entraram na síntese qualitativa, contribuindo com 5.682 espécimes cultivados, dos quais 2.002 foram positivos. A maioria dos estudos envolveu lactentes e crianças pequenas, com limite superior de idade frequentemente em torno de 12 anos, embora alguns incluíssem adolescentes ou adultos (um estudo teve paciente de 61 anos e outro, de 91). Houve quatro estudos da América do Norte (todos nos EUA), nove da Europa, sete da Ásia (cinco da Coreia do Sul, um da China e um da Tailândia), um da Oceania (Austrália) e um do Oriente Médio (Irã); a coleta foi predominantemente de líquido do ouvido médio durante timpanostomia ou miringotomia, com quatro estudos analisando adenoide ou biópsia de mucosa.

No conjunto descritivo de 1.926 registros de isolados, S. aureus respondeu por 557 (28,9%), sendo 329 MSSA (17,1%) e 228 MRSA (11,8%); CoNS por 407 (21,1%), H. influenzae por 328 (17,0%), S. pneumoniae por 250 (13,0%), M. catarrhalis por 119 (6,2%), P. aeruginosa por 90 (4,7%) e outros por 175 (9,1%). Esses percentuais descrevem a composição bruta de isolados e não são estimativas agrupadas.

A positividade agrupada foi de 0,487 na América do Norte (IC 95%: 0,243–0,738), 0,397 na Europa (IC 95%: 0,323–0,476) e 0,475 na Ásia (IC 95%: 0,246–0,715). Entre os espécimes positivos, a Europa teve H. influenzae em 34,7%, seguido de CoNS (18,7%), S. pneumoniae (18,4%) e M. catarrhalis (12,4%); a América do Norte teve CoNS (30,6%) e H. influenzae (30,1%) comparáveis, seguidos de M. catarrhalis (13,3%) e S. pneumoniae (12,5%); a Ásia teve CoNS (31,8%), MSSA (23,0%) e MRSA (17,6%), com S. pneumoniae em 11,5% e H. influenzae e M. catarrhalis muito raros. Numa análise de sensibilidade pós-hoc que excluiu todos os estudos coreanos, as estimativas foram 55,8% de positividade, 36,5% para H. influenzae, 17,9% para CoNS, 19,7% para S. pneumoniae, 15,4% para MSSA e 14,0% para MRSA.

Na análise temporal principal, a positividade passou de 38,3% antes de 2000 para 42,7% a partir de 2000. Entre os espécimes positivos, H. influenzae caiu de 30,2% para 23,7% e S. pneumoniae de 17,9% para 13,6%, enquanto CoNS subiu de 17,6% para 34,8% e MSSA de 7,1% para 23,2%; M. catarrhalis foi de 4,6% para 8,4%.

Limitações

Os autores reconhecem heterogeneidade clínica e metodológica entre os estudos, com possível viés nas estimativas agrupadas, e variação nas unidades de relato (pacientes, ouvidos, espécimes ou apenas isolados), o que exigiu padronização no nível do espécime; espécimes bilaterais do mesmo paciente não puderam ser modelados quanto à correlação. A concentração geográfica limita a generalização: todos os estudos norte-americanos eram dos EUA e cinco dos sete asiáticos eram da Coreia do Sul, o que também pode contribuir para as diferenças temporais, e o número insuficiente de estimativas por estrato impediu meta-regressão com período e região ou análise temporal estratificada. A heterogeneidade estatística foi alta (I2 > 80%), e o ano 2000 foi um corte de calendário, não medida de exposição à PCV. Intervenções otológicas prévias e histórico antimicrobiano não foram relatados de forma padronizada, impedindo ajuste; muitos estudos vieram de centros terciários com OME grave ou crônica, o que pode inflar as prevalências, e há possibilidade de viés de publicação. Os autores pedem que as estimativas sejam lidas como evidência de vigilância e geradoras de hipóteses.

Para o pediatra

O estudo reforça que a OME é muito frequente — até 80% das crianças têm ao menos um episódio até os 4 anos — e que a maioria resolve em até 3 meses, com recidiva em cerca de 30–40%. Como o líquido no ouvido médio abafa a vibração da membrana timpânica e prejudica a condução do som, a OME é a principal causa de perda auditiva adquirida na infância, e a perda condutiva nessa fase pode afetar fala, linguagem e cognição. O artigo também mostra que a bactéria encontrada no líquido varia conforme a região e o período estudado, o que os autores usam para defender vigilância microbiológica local em vez de uma abordagem empírica única.

Para o especialista

A metanálise fornece estimativas agrupadas por espécime para positividade e proporções por organismo, com recorte regional e temporal, úteis para contextualizar a escolha de esquemas empíricos quando há indicação de antibiótico e para prioridades de vigilância. Os autores enfatizam que os dados são de cultura, de estudos majoritariamente terciários com OME grave ou crônica, com I2 > 80% e confusão entre região e período, e que as diferenças temporais não devem ser lidas como tendência global independente da geografia nem como efeito causal da vacinação. O desenho permite associação e geração de hipóteses, não recomendação universal de prescrição.

Referência

Kim HO, Oh YJ, Lee SH et al.. Global and temporal shifts in the cultured-based bacteriology of otitis media with effusion: a systematic review and meta-analysis. Front Public Health 2026.

DOI: 10.3389/fpubh.2026.1909909 · PubMed: 42959213

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: Frontiers in Public Health · doi.org

Como esta matéria foi feita

Matéria redigida com auxílio de inteligência artificial (IA) a partir da fonte original (o texto indicado em “Texto lido”) e selecionada automaticamente: a IA resumiu o estudo, extraiu população, desenho, principal limitação e conflitos declarados, graduou se ele muda algo agora e apontou o que se transfere ao contexto brasileiro. O editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário; correções de substância são registradas no fim da página, com a data, o que mudou e por quê.

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