Treino passivo de membros superiores em pacientes traqueostomizados de longa permanência aumenta espessura de músculos respiratórios, mas não melhora a tosse: ensaio cruzado randomizado de centro único
Treino passivo de membros superiores em pacientes traqueostomizados de longa permanência aumenta espessura de músculos respiratórios, mas não melhora a tosse
Em ensaio cruzado randomizado de centro único com 27 pacientes traqueostomizados de longa permanência com lesão cerebral traumática ou AVC, o treino passivo de membros superiores com cicloergometria ativo-passiva associado à reabilitação padrão aumentou a espessura de intercostais e diafragma ao ultrassom, mas não elevou o pico de fluxo de tosse em duas semanas.
Ensaio cruzado randomizado de centro único com 27 pacientes com lesão cerebral traumática ou AVC não mostrou ganho de pico de fluxo de tosse, apesar do aumento da espessura de intercostais e diafragma.
Um ensaio clínico randomizado cruzado, de centro único e cego para o avaliador, testou se o treino passivo de membros superiores melhora a capacidade de tosse em 27 pacientes traqueostomizados de longa permanência com lesão cerebral traumática ou AVC. Os participantes foram divididos em três grupos: cicloergometria ativo-passiva (APC) seguida de fisioterapia adicional (APTT), a sequência inversa, e um grupo controle que recebeu apenas reabilitação padrão. As intervenções duraram 40 minutos por sessão, seis vezes por semana, por duas semanas. Não houve diferença significativa no pico de fluxo de tosse entre os grupos nem dentro deles, mas os grupos de intervenção apresentaram aumento da espessura de músculos respiratórios, como intercostais e diafragma, avaliada por ultrassom.
Contexto
Segundo os autores, a qualidade e a quantidade da musculatura respiratória afetam diretamente a função respiratória, mas não está claro quanto a melhora da função muscular se traduz em maior capacidade de tosse. Estudos preliminares do mesmo grupo mostraram que o treino ativo ou passivo de membros inferiores pode melhorar a capacidade de tosse, enquanto o efeito do treino de membros superiores era incerto. O estudo foi desenhado para avaliar especificamente a eficácia do treino passivo de membros superiores sobre a tosse nessa população.
Como foi feito
Ensaio clínico randomizado cruzado, de centro único e cego, que incluiu 27 pacientes traqueostomizados com lesão cerebral traumática ou AVC. Os participantes foram alocados em três grupos: CA (sequência APC seguida de APTT, n = 11), AC (sequência APTT seguida de APC, n = 10) e controle (n = 6, após ajuste por escore de propensão que reduziu o grupo de 11 para 6 participantes). As intervenções APC e APTT foram aplicadas por 40 minutos por sessão, seis vezes por semana, durante duas semanas, associadas à reabilitação padrão; o grupo controle recebeu apenas reabilitação padrão pelos 14 dias. Os desfechos avaliados foram o Índice de Barthel, a espessura dos músculos respiratórios por ultrassom e o pico de fluxo de tosse (CPF), medidos na linha de base, no sétimo dia e ao final da intervenção.
O que encontraram
Após o ajuste para os dados basais, não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos. Os períodos globais de APC e APTT foram semelhantes entre os grupos, mas o grupo CA apresentou melhora significativa do quinto músculo intercostal, do diafragma e do reto femoral durante a fase tardia da intervenção, com os ganhos mais notáveis no segundo e no quinto intercostais do lado esquerdo. O pico de fluxo de tosse permaneceu estável entre os grupos e dentro de cada grupo, mas seu aumento na fase tardia esteve positivamente associado a aumentos anteriores e concomitantes da espessura do quinto e do segundo intercostais e do diafragma. O resumo não informa números absolutos de CPF, espessura muscular ou valores de p.
Limitações
Trata-se de estudo preliminar, de centro único, com amostra pequena (27 pacientes, sendo apenas 6 no grupo controle após o ajuste por escore de propensão) e seguimento de duas semanas. O desenho cruzado e a redução do grupo controle por pareamento limitam a comparação entre os braços. Os próprios autores apontam que intervenções mais longas, com resistência ou maior amplitude de movimento podem ser necessárias para obter melhora significativa da função de tosse.
Para o especialista
O estudo sugere que o treino passivo de membros superiores com cicloergometria ativo-passiva, associado à reabilitação padrão, pode favorecer adaptação da musculatura respiratória em pacientes traqueostomizados de longa permanência, com aumento da espessura de intercostais e diafragma ao ultrassom, mas sem tradução em melhora do pico de fluxo de tosse neste grupo e neste período de duas semanas. O desempenho da APC foi semelhante ao da fisioterapia adicional, o que os autores interpretam como possível estratégia de condicionamento respiratório de suporte, porém menos efetiva que o treino de membros inferiores para a tosse. O desenho randomizado cruzado, porém preliminar, de centro único e com amostra pequena, permite encarar esses achados como geradores de hipótese, não como base para mudança de conduta.
Referência
Wang W, He L, Yang Z et al.. Evaluating the impact of upper limb training on respiratory function in long-term tracheostomy patients: a preliminary single-center, randomized crossover study. BMC Pulm Med 2026.
DOI: 10.1186/s12890-026-04533-3 · PubMed: 42934624
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org