Hérnia diafragmática congênita de apresentação tardia: mortalidade de 0,6% e complicações em 10% dos pacientes
Hérnia diafragmática congênita de apresentação tardia: mortalidade de 0,6% e complicações maiores em lactentes
Uma coorte retrospectiva de base nacional com 1.914 crianças submetidas à correção de hérnia diafragmática congênita após 28 dias de vida, entre 2014 e 2023, encontrou mortalidade global de 0,6% em 10 anos, sem diferença entre faixas etárias, e taxa de complicações de 10%.
Análise de 1.914 crianças operadas após 28 dias de vida mostra risco cardiopulmonar pré-operatório decrescente com a idade e complicações mais frequentes em lactentes e na infância média.
Uma análise retrospectiva de base nacional avaliou 1.914 pacientes pediátricos submetidos a correção cirúrgica de hérnia diafragmática congênita (HDC) após 28 dias de vida, entre 2014 e 2023. A mortalidade global em 10 anos foi de 0,6% e não variou entre as faixas etárias. A taxa geral de complicações foi de 10%, mais alta em lactentes (13,3%) e na infância média, de 6 a 10 anos (13%). Fatores de risco cardiopulmonares pré-operatórios tornaram-se menos frequentes com o avançar da idade, enquanto anormalidades gastrointestinais predominaram nas crianças mais velhas.
Contexto
Segundo os autores, a literatura que avalia desfechos cirúrgicos da apresentação tardia da HDC em pacientes pediátricos é limitada. O estudo foi proposto para examinar os desfechos clínicos associados à correção da HDC nesse grupo, usando uma base de dados nacional.
Como foi feito
Trata-se de estudo de coorte retrospectivo que utilizou a base de dados Pediatric National Surgical Quality Improvement Program-Pediatrics (NSQIP-P). Foram incluídos pacientes pediátricos internados após 28 dias de vida submetidos a tratamento cirúrgico de HDC entre 2014 e 2023. Os pacientes foram divididos em lactentes (28 dias a 1 ano), primeira infância (1 a 5 anos), infância média (6 a 10 anos) e adolescência (11 a 18 anos). O material disponível não detalha os desfechos específicos avaliados além de mortalidade, complicações e fatores de risco pré-operatórios, nem informa o tempo de seguimento.
O que encontraram
Foram incluídos 1.914 pacientes pediátricos, dos quais 61% eram do sexo masculino. A mortalidade global no período de 10 anos foi de 0,6% e não diferiu entre os grupos etários.
A incidência de fatores de risco cardiopulmonares pré-operatórios diminuiu com a idade, enquanto as anormalidades gastrointestinais foram mais comuns entre as crianças mais velhas.
A taxa global de complicações foi de 10%. As complicações foram mais frequentes entre lactentes (13,3%) e na infância média (13%).
Limitações
O estudo é retrospectivo e baseado em uma base de dados administrativa nacional, o que restringe os desfechos às variáveis registradas no NSQIP-P e não permite estabelecer causalidade. O resumo disponível não informa o tempo de seguimento, os critérios exatos de inclusão e exclusão, nem o detalhamento das complicações. Por se tratar de análise de banco de dados, há potencial de viés de seleção e de codificação, e a divisão em faixas etárias resulta em subgrupos de tamanhos desiguais, o que pode limitar comparações.
Para o pediatra
O estudo descreve crianças cuja HDC foi corrigida após 28 dias de vida, ou seja, fora do período neonatal imediato. Nessa população, a mortalidade em 10 anos foi baixa (0,6%), mas um em cada dez pacientes apresentou complicações, com maior frequência em lactentes (13,3%) e entre 6 e 10 anos (13%). Os autores observam que os fatores de risco cardiopulmonares pré-operatórios foram menos comuns com o avançar da idade, enquanto as alterações gastrointestinais predominaram nas crianças mais velhas. O material não traz dados sobre apresentação clínica, sintomas de alerta ou critérios de encaminhamento.
Para o especialista
A análise nacional do NSQIP-P sugere que a correção da HDC de apresentação tardia, em pacientes operados após 28 dias de vida, associa-se a mortalidade global baixa (0,6%) e taxa de complicações de 10%, com maior carga em lactentes e na infância média. O perfil de risco pré-operatório muda com a idade, com menos fatores cardiopulmonares e mais anormalidades gastrointestinais nas crianças maiores, o que pode orientar a otimização pré-operatória e o aconselhamento familiar. Por ser coorte retrospectiva de banco de dados, os achados indicam associação e não permitem inferir superioridade de conduta; o resumo não detalha técnica cirúrgica, via de acesso nem desfechos além de mortalidade e complicações.
Referência
Harvey CJ, Caldwell M, Lee PM et al.. Surgical outcomes associated with delayed presentation of congenital diaphragmatic hernia: A national analysis of pediatric patients. Am J Surg 2026.
DOI: 10.1016/j.amjsurg.2026.117302 · PubMed: 42896401
Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org