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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology· Barbosa PB, Lopes DO, Amorim AM et al.·· há 2 dias

Papilomatose respiratória recorrente juvenil: recidiva em 70,6% e traqueostomia em quase um quarto dos casos

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NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
Estágio da evidência
Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
Conflitos de interesse declarados
Os autores declaram não haver conflito de interesse real ou potencial. Financiamento não informado.
O que se transfere ao contexto brasileiro
O estudo foi feito em um centro terciário brasileiro e discute justamente barreiras do serviço público de referência, como acesso limitado a laser de CO2, broncoscopia pediátrica, subtipagem de HPV e terapias adjuvantes. A transferência para outros serviços depende da disponibilidade desses recursos e do perfil de encaminhamento local.
Texto

Série retrospectiva de 17 crianças em centro terciário brasileiro descreve disfonia como apresentação inicial mais comum e queda do escore de Derkay de 10,94 para 7,00 pontos

Uma série de casos retrospectiva descreveu o perfil de 17 pacientes com papilomatose respiratória recorrente juvenil confirmada por histopatologia, atendidos em um centro terciário brasileiro entre janeiro de 2014 e dezembro de 2025. A disfonia isolada foi a apresentação inicial mais frequente (70,6%), e a disfonia associada a dispneia ocorreu em 29,4%. Foram realizados 53 procedimentos cirúrgicos, com média de 3,12 por paciente, e a doença recorreu em 12 crianças (70,6%). Quatro pacientes (23,5%) precisaram de traqueostomia e dois morreram por complicações relacionadas à doença.

Contexto

Os autores destacam que os dados nacionais de centros públicos brasileiros de referência sobre a papilomatose respiratória recorrente juvenil ainda são limitados. O estudo foi desenhado para descrever o perfil dos pacientes atendidos nesse cenário, incluindo a gravidade da doença avaliada pelo sistema de estadiamento de Derkay.

Como foi feito

Série de casos observacional retrospectiva que revisou prontuários de pacientes menores de 18 anos com papilomatose respiratória recorrente juvenil confirmada por histopatologia, submetidos a cirurgia laríngea e acompanhamento ambulatorial no Hospital Santo Antônio. Foram analisados dados demográficos, clínicos, cirúrgicos, de recorrência, de via aérea, de tratamento adjuvante, de mortalidade e do escore de Derkay, de forma descritiva. O período de revisão foi de janeiro de 2014 a dezembro de 2025.

O que encontraram

Dos 17 pacientes incluídos, 10 eram do sexo feminino (58,8%) e 7 do masculino (41,2%). A média de idade ao início dos sintomas foi de 5,23 ± 3,73 anos. A disfonia isolada foi a apresentação inicial em 70,6% dos casos, e a disfonia com dispneia em 29,4%.

Foram realizados 53 procedimentos cirúrgicos, com média de 3,12 por paciente. A recorrência da doença ocorreu em 12 pacientes (70,6%), e 4 (23,5%) necessitaram de traqueostomia.

Um paciente com envolvimento traqueal extenso recebeu bevacizumabe intralesional e sistêmico, com decanulação posterior e sem necessidade de nova traqueostomia. Dois pacientes morreram por complicações relacionadas à doença.

Entre os 12 pacientes com avaliações seriadas de Derkay, o escore diminuiu em 11 (91,7%) e permaneceu estável em 1 (8,3%); a média do escore total caiu de 10,94 para 7,00 pontos.

Limitações

Trata-se de série de casos retrospectiva, de centro único, com 17 pacientes e baseada em revisão de prontuários, o que limita o controle de vieses e a generalização dos achados. Os autores apontam que o acesso limitado a laser de CO2, broncoscopia pediátrica, subtipagem de HPV e terapias adjuvantes pode aumentar a carga clínica em serviços públicos de referência, e que estudos multicêntricos são necessários para esclarecer fatores prognósticos e avaliar o impacto da vacinação contra HPV e dos tratamentos adjuvantes.

Para o pediatra

O estudo reforça que a disfonia foi a manifestação inicial mais comum da papilomatose respiratória recorrente juvenil nesta coorte, presente isoladamente em 70,6% dos casos e acompanhada de dispneia em 29,4%. Os autores concluem que a disfonia deve motivar avaliação especializada precoce, sobretudo quando há dispneia. A série também registra recorrência frequente, múltiplas cirurgias, necessidade de traqueostomia em parte das crianças e mortes relacionadas à doença.

Para o especialista

Em um centro terciário brasileiro, a série mostra recorrência em 70,6% dos pacientes, média de 3,12 procedimentos por paciente e traqueostomia em 23,5%, com queda da média do escore de Derkay de 10,94 para 7,00 entre os 12 pacientes com avaliações seriadas. O relato de um caso com envolvimento traqueal extenso tratado com bevacizumabe intralesional e sistêmico, seguido de decanulação, é descritivo e não permite inferir eficácia. O desenho retrospectivo, de centro único e sem grupo comparador limita conclusões sobre fatores prognósticos e sobre o efeito de terapias adjuvantes.

Referência

Barbosa PB, Lopes DO, Amorim AM et al.. Recurrent respiratory papillomatosis juvenile: a retrospective analysis at Hospital Santo Antônio. Braz J Otorhinolaryngol 2026.

DOI: 10.1016/j.bjorl.2026.101943 · PubMed: 42965982

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.

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