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Cureus· Ismail R, Jamal K, Fathima R et al.·· há 1 dia

Angina de Ludwig em menino de 26 meses: relato de caso de abscesso cervical bilateral de 150 mL com risco de via aérea sem estridor

Angina de Ludwig em menino de 26 meses: abscesso cervical bilateral de 150 mL e risco de via aérea sem estridor

Resumo por IA

Em relato de caso único publicado na Cureus, um menino de 26 meses previamente saudável e não vacinado com angina de Ludwig e abscesso cervical profundo bilateral de cerca de 150 mL foi intubado eletivamente na UTI pediátrica antes da tomografia e da drenagem cirúrgica, apesar de não apresentar sialorreia nem estridor.

EM UM MINUTO

O achado
Menino de 26 meses com angina de Ludwig e abscesso cervical profundo bilateral de cerca de 150 mL foi intubado eletivamente e drenado, evoluindo bem, mesmo sem sialorreia ou estridor.
Para quem importa
Pediatras e especialistas que atendem crianças com edema cervical rapidamente progressivo e risco de comprometimento de via aérea.
Muda algo agora?
NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
Estágio da evidência
Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
População
26 meses · Angina de Ludwig complicada por abscesso cervical profundo bilateral · Pronto-socorro e UTI pediátrica de um centro; país não informado no material
Desenho
Relato de caso (Relato de caso único descrito conforme as diretrizes CARE)
Principal limitação
Relato de caso único, sem grupo controle, com seguimento ambulatorial limitado pela não comparecência às consultas.
Texto lido
Texto completo aberto
Conflitos de interesse declarados
Os autores declaram não ter recebido apoio financeiro de nenhuma organização para o trabalho e não ter relações financeiras ou outras que possam influenciar o estudo.
O que se transfere ao contexto brasileiro
O material não informa o país nem o nível de recursos do centro onde o caso foi atendido, o que limita a comparação com o contexto brasileiro. A sequência descrita depende de disponibilidade de UTI pediátrica, vídeo-laringoscopia, tomografia contrastada e equipe multidisciplinar com anestesia e otorrinolaringologia.
Texto

Caso mostra infecção cervical profunda que evoluiu rápido e exigiu intubação eletiva antes da tomografia e da drenagem cirúrgica, mesmo sem sialorreia ou estridor.

Relato de caso publicado na Cureus descreve um menino de 26 meses, previamente saudável e não vacinado, com angina de Ludwig complicada por extenso abscesso cervical profundo bilateral. A criança chegou ao pronto-socorro com febre e edema cervical rapidamente progressivo, sem sialorreia nem estridor, mas com incapacidade de deitar e limitação da mobilidade do pescoço. A ultrassonografia inicial mostrou coleção de cerca de 15 × 4 cm, e a tomografia contrastada revelou abscesso de aproximadamente 9,6 × 4,8 × 6,3 cm envolvendo os espaços submandibulares, submentoniano e sublingual, com leve efeito de massa sobre a via aérea. Por risco de comprometimento respiratório, foi intubado eletivamente na UTI pediátrica antes da tomografia e da cirurgia; a drenagem urgente retirou cerca de 150 mL de material purulento, as culturas cresceram Staphylococcus aureus sensível à meticilina e o tratamento foi ajustado para flucloxacilina.

Contexto

A angina de Ludwig é uma infecção do assoalho da boca e dos espaços cervicais profundos que acomete classicamente as regiões submandibular, sublingual e submentoniana. Embora seja incomum em crianças, pode evoluir com obstrução de via aérea, sepse e disseminação mediastinal. Os autores citam que crianças e adolescentes podem representar até um terço dos casos descritos na literatura e que uma revisão identificou apenas 29 casos pediátricos, com idade média de 9,7 anos, origem odontogênica em 54% e etiologia indefinida em 27%. A mortalidade caiu de mais de 50% na era pré-antibiótica para cerca de 0 a 10% em séries contemporâneas. O manejo pediátrico é desafiador porque técnicas de fibroscopia com paciente acordado são difíceis em crianças pequenas, e a intubação deve ocorrer em ambiente controlado com apoio de anestesia e otorrinolaringologia.

Como foi feito

Trata-se de relato de caso único, descrito conforme as diretrizes CARE, de um menino de 26 meses atendido em pronto-socorro com história de um dia de febre e edema cervical rapidamente progressivo, associado a vômitos, duas evacuações líquidas, baixa aceitação alimentar, letargia, incapacidade de deitar e mobilidade cervical reduzida. Não havia sialorreia, estridor, exposição recente a antibióticos ou contato doente conhecido. O exame inicial mostrou edema flutuante bilateral submandibular e submentoniano cruzando a linha média, assoalho da boca amolecido e mobilidade cervical limitada. A criança recebeu vancomicina e piperacilina-tazobactam intravenosos na chegada e foi avaliada por equipe multidisciplinar. A via aérea foi garantida por intubação eletiva na UTI pediátrica cerca de cinco horas após a apresentação, com vídeo-laringoscopia em posição rampeada e apoio de anestesia e otorrinolaringologia, seguida de tomografia contrastada e drenagem cirúrgica urgente.

O que encontraram

Na chegada, a criança estava irritada, mas hemodinamicamente estável, com frequência cardíaca de 120 bpm, frequência respiratória de 26 irpm, saturação de 99% em ar ambiente, pressão arterial de 85/35 mmHg e peso de 14 kg. Os exames mostraram proteína C reativa de 87,6 mg/L, velocidade de hemossedimentação de 118 mm/h, leucócitos de 15,9 × 10³/µL e plaquetas de 600 × 10³/µL, com índices microcíticos compatíveis com anemia ferropriva. A ultrassonografia de pescoço mostrou coleção ecogênica extensa de aproximadamente 15 cm de largura por 4 cm de profundidade, e a tomografia contrastada confirmou abscesso com realce periférico de cerca de 9,6 × 4,8 × 6,3 cm, com extensão ao assoalho da boca, plano fascial cervical inferior, espaço parafaríngeo até o nível do osso hioide e planos fasciais cervicais laterais, além de leve efeito de massa sobre a via aérea; a tomografia de crânio não mostrou alteração intracraniana aguda. A intubação eletiva ocorreu cerca de cinco horas após a apresentação, com sucesso na primeira tentativa e sem intercorrências hemodinâmicas. A drenagem foi realizada dentro de 30 minutos após a tomografia e seis horas após a chegada, com saída de aproximadamente 150 mL de líquido purulento com debris, proveniente de uma loja submandibular esquerda que cruzava a linha média pelo espaço sublingual até o lado direito; foi colocado dreno de Penrose de 8 cm e curativo com bolster. Duas culturas de ferida cresceram Staphylococcus aureus sensível à meticilina, e a terapia foi ajustada para flucloxacilina intravenosa 50 mg/kg a cada seis horas no segundo dia. A criança foi extubada no segundo dia, inicialmente com cânula nasal e depois em ar ambiente, sem estridor ou desconforto respiratório. A hemoglobina caiu de 8,8 para 7,4 g/dL em 24 horas e houve transfusão sanguínea, sem registro do momento exato, do limiar ou da indicação na documentação disponível. Após seis dias de flucloxacilina intravenosa, passou a flucloxacilina oral 250 mg a cada seis horas no oitavo dia, para completar 14 dias de tratamento. Recebeu alta estável no nono dia, com internação total de 10 dias, e foi reavaliado em dois dias, sem recorrência ou deterioração da via aérea; não compareceu às consultas ambulatoriais subsequentes por dificuldades relacionadas ao seguro, limitando o seguimento estruturado.

Limitações

Os autores reconhecem que a fonte odontogênica não pôde ser definitivamente excluída porque o exame oral e dentário foi necessariamente limitado antes do controle da via aérea. O status vacinal incompleto é apontado como consideração preventiva, não como causa comprovada da infecção por MSSA. O seguimento ambulatorial de longo prazo foi limitado pela não comparecência às consultas. Por ser relato de caso único, sem grupo controle, o desfecho favorável não permite atribuir causalidade a nenhuma intervenção isolada nem generalizar condutas.

Para o pediatra

O caso mostra que a angina de Ludwig em crianças pequenas pode se apresentar com febre e edema cervical rapidamente progressivo, incapacidade de deitar e limitação da mobilidade do pescoço, mesmo sem sialorreia ou estridor. A ausência desses sinais clássicos não afastou o risco de deterioração da via aérea, e a criança precisou de intubação eletiva antes da tomografia e da cirurgia. O paciente era não vacinado, e os autores destacam a revisão vacinal e a atualização como medida preventiva relevante, sem atribuir ao status vacinal a causa da infecção por MSSA.

Para o especialista

O relato reforça que o risco de via aérea na angina de Ludwig pediátrica deve ser avaliado pela trajetória clínica e pela extensão anatômica da infecção, e não apenas pela presença de estridor ou sialorreia. A sequência adotada foi intubação eletiva em ambiente monitorado com vídeo-laringoscopia e apoio de anestesia e otorrinolaringologia, seguida de tomografia contrastada para definir a extensão e drenagem cirúrgica urgente, com coleta de culturas e ajuste antimicrobiano guiado por suscetibilidade. Por se tratar de caso único, o desenho não permite comparar estratégias nem estabelecer superioridade de conduta.

Referência

Ismail R, Jamal K, Fathima R et al.. Ludwig's Angina Complicated by a Massive Bilateral Deep Neck Abscess in a 26-Month-Old Boy: Multidisciplinary Airway and Surgical Management. Cureus 2026.

DOI: 10.7759/cureus.117232 · PubMed: 42964812

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do texto completo em acesso aberto.

Fonte: Cureus · doi.org

Como esta matéria foi feita

Matéria redigida com auxílio de inteligência artificial (IA) a partir da fonte original (o texto indicado em “Texto lido”) e selecionada automaticamente: a IA resumiu o estudo, extraiu população, desenho, principal limitação e conflitos declarados, graduou se ele muda algo agora e apontou o que se transfere ao contexto brasileiro. O editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário; correções de substância são registradas no fim da página, com a data, o que mudou e por quê.

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