Pular para o conteúdo
Noise & Health· Núñez-Batalla F, Jáudenes-Casaubón C, Sequí-Canet JM et al.·· há 2 dias

Consenso espanhol propõe prevenção da perda auditiva por ruído desde o nascimento até a adolescência

Pergunta clínica

Em crianças e adolescentes do nascimento aos 18 anos, quais medidas de prevenção e vigilância auditiva reduzem a lesão auditiva induzida por ruído?

Fôlego em 30 segundos

A CODEPEH, comissão espanhola de detecção precoce da hipoacusia, publica recomendações para prevenir a perda auditiva por ruído na infância e na adolescência, com ações por faixa etária, responsáveis definidos e indicadores de monitoramento. A base é indireta: muitos achados vêm de modelos animais, coortes ocupacionais de adultos e desfechos intermediários, e nenhuma intervenção foi testada em crianças.

Muda algo agora?
Pode fomentar a discussãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
População
Do nascimento aos 18 anos, divididos em período fetal e neonatal, 0 a 3 anos, 3 a 5 anos, 6 a 11 anos e 12 a 17 anos · Perda auditiva induzida por ruído e lesão auditiva por exposição sonora · Comunidade, escolas e creches, domicílios, eventos e ambientes de lazer, UTIs neonatais e pediátricas e locais de trabalho de adolescentes, com foco na Espanha
Desenho
Declaração de consenso narrativo baseada em evidências, com grupo de trabalho multidisciplinar e graus simplificados de evidência (A, B, C) e de força (1, 2)
Estágio da evidência
Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
Principal limitação
Os autores reconhecem que faltam estudos pediátricos de alta qualidade e que parte das recomendações se apoia em evidência indireta de adultos, coortes ocupacionais e experimentos animais.
Datas do documento
Publicado: 31/10/2026 · Revisado: não informado pela fonte · Verificado pelo jornal em 04/11/2026
Texto

O que fizeram

A CODEPEH, comissão criada em 1995 e promovida pela confederação espanhola de famílias de pessoas surdas (FIAPAS), reuniu um grupo com pediatria, otorrinolaringologia, audiologia, neonatologia, saúde pública e organizações de famílias. O documento tem duas partes: a primeira reúne a base científica (vulnerabilidade do sistema auditivo em desenvolvimento, fisiopatologia, fatores de risco, cenários de exposição e avaliação audiológica); a segunda converte esse material em recomendações com ações por faixa etária, responsáveis e indicadores. O consenso foi obtido quando não restaram objeções substantivas após revisão de todos os membros. A gradação simplificada usa nível A (revisões sistemáticas, metanálises ou múltiplos estudos longitudinais consistentes em humanos), B (estudos observacionais, coortes ou evidência humana consistente apoiada por dados mecanísticos) e C (evidência indireta, experimental, animal ou consenso de especialistas), com força 1 (forte) ou 2 (condicional).

O que recomendam

RecomendaçãoForçaObservação
Reduzir o ruído na fonteRecomendação de força 1, evidência nível B: limites por idade, compra de equipamentos mais silenciosos, manutenção, mapeamento de áreas ruidosas e controle de fontes impulsivas.Responsáveis: fabricantes, reguladores, escolas, hospitais, municípios e operadores de eventos. Indicadores: conformidade de produtos e locais, níveis medianos e de pico, número de ações corretivas.
Tornar a escuta segura o padrãoRecomendação de força 1, evidência nível B: controles parentais, alertas de dose, limites de volume padrão e avisos claros, além de distância, pausas silenciosas e zonas de silêncio.Responsáveis: fabricantes de dispositivos, desenvolvedores de aplicativos, famílias e educadores. Indicadores: dispositivos com controles ativados, resumos de dose de exposição, comportamento de escuta segura relatado.
Proteger exposições inevitáveisRecomendação de força 1, evidência nível B: fornecer e supervisionar protetores auriculares bem ajustados, permitir saída antecipada e garantir que a proteção não comprometa a segurança.Responsáveis: famílias, escolas, organizadores de eventos, clubes esportivos e empregadores de adolescentes. Indicadores: disponibilidade e uso observado de protetores, oferta de zonas de silêncio, sintomas após eventos.
Melhorar a acústica das escolasRecomendação de força 1, com o nível de evidência mais alto do documento (A): reduzir reverberação e ruído de fundo, manter móveis e equipamentos e usar sistemas assistivos quando indicado.Responsáveis: autoridades educacionais, direção escolar, arquitetos e professores. Indicadores: auditorias acústicas das salas, níveis em sala, medidas de inteligibilidade de fala, reclamações resolvidas.
Reduzir o ruído hospitalarRecomendação de força 1, evidência nível B: governança de alarmes, manutenção de equipamentos, tecnologia mais silenciosa, medição do som próximo ao paciente e coordenação com o monitoramento de ototoxicidade.Responsáveis: gestão hospitalar, equipes de UTIN e UTIP, engenharia biomédica e audiologia. Indicadores: carga de alarmes, picos de nível alto, cobertura de treinamento, monitoramento audiológico concluído.
Detectar precocemente a lesãoRecomendação de força 1, evidência nível B: perguntar sobre ruído e sintomas na rotina e testar após trauma acústico, zumbido persistente, exposição repetida ou tratamento ototóxico.Responsáveis: pediatras, atenção primária, otorrinolaringologia, audiologia e serviços de saúde escolar. Indicadores: histórico de exposição documentado, conclusão de encaminhamentos, mudança de limiares ou de emissões ao longo do tempo.
Educar ao longo do desenvolvimentoRecomendação de força 1, evidência nível B: educação repetida e adequada à idade para crianças, famílias, professores, treinadores e profissionais de saúde.Responsáveis: autoridades de saúde e educação, sociedades profissionais e organizações comunitárias. Indicadores: cobertura curricular, presença em treinamentos, conhecimento e mudança de comportamento.
Regular e avaliarRecomendação de força 1, evidência nível B: adotar normas exigíveis para brinquedos, eventos, espaços públicos, trabalho de adolescentes e ambientes de saúde, além de publicar dados de vigilância.Responsáveis: autoridades nacionais e regionais, organismos de normalização e agências de saúde pública. Indicadores: taxas de inspeção, conformidade, tendências de exposição populacional, incidência de trauma acústico evitável.
Magnitude do problema em adolescentesEm uma grande coorte prospectiva, 12,9% dos participantes aos 18 anos preencheram critérios de provável perda auditiva induzida por ruído, e a gravidade e a bilateralidade das alterações em altas frequências aumentaram entre 13 e 18 anos.Estudos históricos e revisões relatam entalhes audiométricos ou indicadores de perda auditiva em cerca de um em cada seis a um em cada oito adolescentes em algumas populações, com ressalva de que o entalhe não confirma causalidade pelo ruído.
Exposição recreativa e proteçãoPesquisas mostram que muitos adolescentes se expõem a níveis perigosos, enquanto poucos usam proteção auditiva de forma consistente.
Evidência sobre música e ruído de lazerRevisão sistemática recente em adolescentes e adultos jovens encontrou associações de longo prazo inconsistentes, com métodos de exposição e desfecho variados, mas observou mudanças temporárias de limiar e redução de amplitude das emissões otoacústicas, sobretudo em frequências altas estendidas.
Exposição em casas noturnas e festasOs estudos OHRKAN documentaram aumento da exposição recreativa de alto nível ao longo da adolescência e no início da vida adulta, especialmente em casas noturnas e festas privadas, com queda posterior após o pico no fim da adolescência.
Níveis sonoros em eventos amplificadosEventos amplificados podem ultrapassar 100 dBA, e o risco cumulativo depende tanto do nível quanto da duração.
Proteção farmacológicaAntioxidantes, anti-inflamatórios, moduladores do glutamato, vasodilatadores e glicocorticoides mostraram efeito protetor em modelos experimentais, incluindo formulações de dexametasona intratimpânica de liberação sustentada como a OTO-104 em animais.Nenhum medicamento ou suplemento é atualmente recomendado para profilaxia rotineira de perda auditiva por ruído recreativo ou ambiental em crianças.

Quanto confiar

  • A favor: O documento define responsáveis concretos e indicadores de monitoramento para cada recomendação, o que facilita adaptação local.
  • A favor: A base foi construída com revisões sistemáticas, coortes pediátricas longitudinais e padrões internacionais de escuta segura, com identificação explícita de quando a evidência é indireta.
  • Sem randomização: Não há comparação entre grupos: é um documento de consenso que interpreta a literatura disponível, sem intervenção testada.
  • Desfecho substituto: As recomendações se apoiam em desfechos intermediários (limiares audiométricos, emissões otoacústicas, alterações em modelos animais), não em redução comprovada de perda auditiva na infância.
  • Não localizado no material consultado: Declaração de conflitos de interesse e fontes de financiamento
  • Não localizado no material consultado: Dados pediátricos de dose-resposta que validem um critério de risco próprio para crianças

Na prática

O documento interessa a pediatras, otorrinolaringologistas, pneumologistas e intensivistas que atendem crianças, e também a gestores escolares e hospitalares. A mensagem central é que a perda auditiva por ruído pode começar antes de qualquer alteração no audiograma convencional, com lesão de células sensoriais, sinapses, parede lateral da cóclea, nervo auditivo e vias centrais, e que a prevenção precisa ser organizada por idade, porque a fonte de exposição e a capacidade de autocuidado mudam ao longo da infância. Para o especialista, o texto detalha a avaliação audiológica: audiometria com 3 e 6 kHz quando possível, emissões otoacústicas como adjuvante, audiometria de altas frequências estendidas e teste de fala no ruído em crianças com queixa apesar de limiares normais, sem nenhum marcador eletrofisiológico validado para diagnosticar sinaptopatia. Para o pediatra, a orientação prática é perguntar na rotina sobre fones de ouvido, shows, fogos, hobbies ruidosos, zumbido e mudanças transitórias de audição, e encaminhar após trauma acústico, sintomas persistentes ou tratamento ototóxico. O documento não testou nenhuma intervenção e não mede redução de desfechos clínicos; a eficácia das ações propostas é inferida. O cenário é espanhol, com política de prevenção de deficiência e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência como referências. Transpor para o Brasil depende de normas sobre brinquedos e eventos, de acústica escolar, de governança de alarmes em UTIs e de acesso a protetores e a testes audiológicos, itens que o material não avalia no contexto nacional.

Contexto

A perda auditiva por ruído é tradicionalmente tratada como doença ocupacional, mas os padrões de exposição mudaram: crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a ruído recreativo, ambiental e de dispositivos pessoais, muitas vezes durante períodos de desenvolvimento auditivo ativo. A prevalência pediátrica não pode ser resumida em um único número porque os estudos usam critérios de limiar, faixas de frequência e definições de entalhe audiométrico diferentes. A CODEPEH já atua desde 1995 na detecção precoce da hipoacusia, e este documento amplia esse escopo para a prevenção.

Referência

Núñez-Batalla F, Jáudenes-Casaubón C, Sequí-Canet JM et al.. CODEPEH Recommendations for the Prevention of Noise-Induced Hearing Loss in the Pediatric Age Group. Noise Health 2026.

DOI: 10.4103/nah.nah_104_26 · PubMed: 42976017

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.

Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.

Mande para quem vai gostar

Receba a edição semanal toda segunda-feira às 07:00, de graça. Assine grátis

Expediente: quem faz o jornal e como as matérias são escolhidas