Protocolo perioperatório padronizado em cirurgia torácica oncológica de crianças e adolescentes associa-se a mobilização precoce e poucas complicações
Pergunta clínica
Em crianças, adolescentes e adultos jovens submetidos a cirurgia torácica oncológica, um manejo perioperatório padronizado resulta em que desfechos pós-operatórios?
Fôlego em 30 segundos
Em 54 cirurgias torácicas oncológicas em 47 pacientes, um manejo perioperatório padronizado associou-se a retomada da dieta oral até o primeiro dia pós-operatório em 85,2% e a complicações em 35,2%, quase todas leves. Apenas 18,5% passaram a primeira noite em UTI, e a alta ocorreu no quinto dia pós-operatório.
- Muda algo agora?
- NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
- População
- Mediana de 15 anos (intervalo interquartil 12–18) · Tumor torácico localizado, metástases ou recidiva local submetidos a cirurgia · Centro único, em serviço de oncologia pediátrica
- Desenho
- Coorte retrospectiva de um centro, 47 pacientes e 54 cirurgias
- Estágio da evidência
- Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
- Principal limitação
- O desenho retrospectivo, de um só centro e sem grupo de comparação, não permite atribuir os desfechos ao protocolo padronizado.
O que fizeram
O manejo padronizado incluía técnica minimamente invasiva quando viável, alta precoce para a enfermaria, evitar sedação para retirada de dreno, fisioterapia sistemática, mobilização precoce e retomada da dieta oral. Os desfechos foram contados por cirurgia, não por paciente.
O que encontraram
| Desfecho | Por grupo |
|---|---|
| Tipo de lesão operada | Tumor localizado em 20 cirurgias (37%), metástases em 33 (61,1%) e recidiva local em uma (1,9%) |
| Cirurgia após quimioterapia | Em 36 casos (66,7%), com mediana de 29,5 dias após a quimioterapia (intervalo interquartil 22–47,3); em sete (13%), o sítio já havia sido irradiado |
| Complexidade cirúrgica | Ressecção de mais de um órgão em 18 procedimentos (33,3%); abordagem minimamente invasiva em 17 (31,5%) |
| Mobilização | Mobilizado em 49 casos (90,7%) e deambulou até o primeiro dia pós-operatório em 38 (70,4%), apesar de limitação física para deambular em 12 (22,2%) |
| Analgesia | Infusão contínua de opioide intravenoso em 23 casos (42,6%); sedação para retirada de dreno em um caso |
| Complicações | 19 complicações (35,2%), das quais 89,5% de grau I–II |
Quanto confiar
- A favor: Os desfechos foram contados em todas as 54 cirurgias, incluindo casos complexos com quimioterapia, radioterapia prévia e ressecção de múltiplos órgãos.
- A favor: O protocolo foi aplicado de forma padronizada na instituição, o que permite descrever a rotina com precisão.
- Retrospectivo: Análise retrospectiva de prontuários, sem grupo de comparação.
- Centro único: Todos os casos vieram de uma única instituição, o que limita a generalização do protocolo.
- Poucos pacientes: Foram 47 pacientes e 54 cirurgias, número pequeno para desfechos menos frequentes.
- Não localizado no material consultado: Critérios de indicação de UTI no pós-operatório
- Não localizado no material consultado: Definição detalhada de cada componente do protocolo
Na prática
Para o cirurgião e o oncologista pediátrico, o estudo descreve uma rotina factível mesmo em pacientes com tratamento complementar complexo e acesso limitado a leitos de terapia intensiva: a maioria volta a comer e a andar no primeiro dia pós-operatório, e as complicações, quando ocorrem, são em geral leves. Isso não estabelece que o protocolo seja superior a outra conduta, porque não houve comparação. No contexto brasileiro, a transposição depende de fisioterapia disponível, de leitos de UTI e de equipe treinada em técnica minimamente invasiva, itens que o estudo não mediu.
Contexto
Não há diretrizes que orientem o manejo perioperatório de crianças, adolescentes e adultos jovens em cirurgia torácica oncológica. Os autores analisaram suas próprias rotinas para contribuir com a elaboração de protocolos padronizados.
Referência
Stanzi A, Chisari M, Simonetta MP et al.. Perioperative Management of Children, Adolescents and Young Adults Undergoing Surgical Treatment for Oncologic Thoracic Disease: Retrospective Single-Center Analysis. Pediatr Blood Cancer 2026.
DOI: 10.1002/1545-5017.70792 · PubMed: 42969833
Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.
Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.