Revisão narrativa reúne 12 séries de broncoscopia flexível à beira do leito na UTI neonatal
Broncoscopia flexível à beira do leito na UTI neonatal: o que a evidência atual mostra sobre achados e mudanças de conduta
Uma revisão narrativa publicada na Respiratory medicine reuniu 12 séries de broncoscopia flexível em lactentes internados em unidades neonatais, somando 652 crianças. Nos lactentes encaminhados ao exame, anormalidades de via aérea foram relatadas em 60% a 96% dos casos e mudança de conduta em 63% a 94%; em neonatos intubados examinados de rotina, doença significativa de via aérea apareceu em 19%.
Revisão narrativa reúne 12 séries neonatais com 652 lactentes; anormalidades de via aérea em 60% a 96% dos encaminhados e mudança de manejo em 63% a 94%.
Uma revisão narrativa publicada na Respiratory medicine reuniu 12 séries de broncoscopia flexível em lactentes internados em unidades neonatais, somando 652 crianças. Nos lactentes encaminhados para o exame, anormalidades de via aérea foram relatadas em 60% a 96% dos casos e mudança de conduta em 63% a 94%; quando neonatos intubados foram examinados de rotina, doença significativa de via aérea apareceu em 19%. Dessaturação transitória ocorreu em 2% a 24% dos procedimentos e um pneumotórax bilateral foi registrado. Os autores não avaliaram mortalidade, displasia broncopulmonar, duração da ventilação nem tempo de internação.
Contexto
Segundo os autores, a ultrassonografia pulmonar e a ecocardiografia direcionada permitem à equipe neonatal examinar pulmões e coração à beira do leito, mas nenhuma das duas mostra a via aérea. A broncoscopia flexível mostra, e por isso vem sendo realizada com frequência crescente dentro da UTI neonatal. A revisão foi apoiada em séries publicadas em unidades neonatais, complementadas por estudos de terapia intensiva pediátrica e por padrões de sociedades, sem graduação da certeza da evidência.
Como foi feito
Trata-se de revisão narrativa de séries publicadas de broncoscopia flexível em lactentes atendidos em unidades neonatais, com apoio de estudos de terapia intensiva pediátrica e de padrões de sociedades. A certeza da evidência não foi graduada. Foram identificadas 12 séries neonatais, com 652 lactentes; todas menos uma eram de centro único e a maioria era retrospectiva. As principais indicações foram falha repetida de extubação, atelectasia persistente, estridor e suspeita de anomalia congênita.
O que encontraram
Nos lactentes encaminhados para o exame, anormalidades de via aérea foram relatadas em 60% a 96% dos casos, e a broncoscopia levou a mudança de manejo em 63% a 94%. Quando neonatos intubados foram examinados de forma rotineira, doença significativa de via aérea foi encontrada em 19%. As principais indicações foram falha repetida de extubação, atelectasia persistente, estridor e suspeita de anomalia congênita. Quanto à segurança, dessaturação transitória ocorreu em 2% a 24% dos procedimentos e foi relatado um pneumotórax bilateral. Quando identificado, o operador era em geral um pneumologista pediátrico, o que, segundo os autores, faz do procedimento hoje uma consulta à beira do leito, e não um teste point-of-care no sentido aplicado à ultrassonografia. Nenhum estudo examinou mortalidade, displasia broncopulmonar, duração da ventilação ou tempo de internação.
Limitações
A revisão é narrativa e não graduou a certeza da evidência. Das 12 séries neonatais identificadas, todas menos uma eram de centro único e a maioria era retrospectiva, o que limita a generalização e favorece viés de seleção dos lactentes encaminhados. Os autores apontam que nenhum estudo avaliou desfechos como mortalidade, displasia broncopulmonar, duração da ventilação ou tempo de internação, e que faltam estudos prospectivos com denominadores declarados e relato consistente do custo fisiológico do procedimento.
Para o pediatra
O texto descreve que a broncoscopia flexível vem sendo feita dentro da UTI neonatal, sobretudo em situações como falha repetida de extubação, atelectasia persistente, estridor e suspeita de anomalia congênita. Nesses lactentes encaminhados, achados de via aérea foram frequentes (60% a 96%) e a conduta mudou em 63% a 94% dos casos; já em neonatos intubados examinados de rotina, a frequência de doença significativa foi bem menor, 19%. O exame não é isento de risco: dessaturação transitória ocorreu em 2% a 24% dos procedimentos e houve um caso de pneumotórax bilateral. O material não traz orientações sobre quando encaminhar.
Para o especialista
Para quem indica e executa o exame, a revisão sugere que a broncoscopia flexível à beira do leito responde a perguntas sobre a via aérea neonatal que a ultrassonografia não responde e que, em lactentes selecionados, ela frequentemente altera a conduta seguinte. O grau de confiança é limitado: são séries em sua maioria retrospectivas e de centro único, sem denominadores padronizados e sem desfechos clínicos como mortalidade, displasia broncopulmonar, duração da ventilação ou tempo de internação. Os autores defendem estudos prospectivos com denominadores declarados, relato consistente do custo fisiológico e uma via de treinamento para operadores neonatais; a redução da exposição a patógenos hospitalares por evitar transporte é apresentada como hipótese, não como benefício demonstrado.
Referência
Khan AA, Farhath F, Saluja RK. Bedside flexible bronchoscopy in the neonatal intensive care unit: Current evidence, clinical applications and future directions. Respir Med 2026.
DOI: 10.1016/j.rmed.2026.109224 · PubMed: 42892395
Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.
Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.
Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org