Peso baixo na extubação e ventilação prolongada predizem estridor pós-extubação em crianças cardiológicas
Pergunta clínica
Em crianças com cardiopatia internadas em UTI cardiológica pediátrica e extubadas de forma planejada após mais de 24 horas de ventilação mecânica, quais fatores clínicos e ventilatórios se associam ao estridor pós-extubação?
Fôlego em 30 segundos
O estridor pós-extubação ocorreu em 25,5% dos episódios de extubação planejada. Peso corporal mais baixo no momento da extubação e ventilação mecânica por mais de 7 dias foram preditores independentes, e o estridor associou-se a mais falha de extubação e internação mais longa na UTI cardiológica.
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- População
- 1 mês a 18 anos; mediana de 6,3 meses nos com estridor e 10,8 meses nos sem estridor · Cardiopatia congênita ou adquirida sob ventilação mecânica, submetida a extubação planejada · UTI cardiológica pediátrica de um hospital universitário em Chiang Mai, Tailândia
- Desenho
- Coorte retrospectiva de um centro, 494 episódios de extubação planejada em 380 crianças
- Estágio da evidência
- Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
- Conflitos de interesse declarados
- Os autores declaram não ter conflitos de interesse.
- Principal limitação
- O estridor foi definido clinicamente, sem laringoscopia flexível ou avaliação padronizada das pregas vocais, de modo que edema, disfunção de pregas vocais e outras alterações estruturais não puderam ser distinguidos.
O que fizeram
Foram revisados todos os episódios de extubação planejada após mais de 24 horas de ventilação na UTI cardiológica pediátrica entre julho de 2016 e junho de 2024. Excluíram-se crianças com anomalia de via aérea preexistente, traqueostomia, morte em ventilação ou após retirada de suporte, alta ainda em ventilação e extubação não planejada. Estridor pós-extubação foi definido como estridor inspiratório entre 6 e 24 horas após a extubação, com sinais de obstrução de via aérea superior (aumento do trabalho respiratório, retrações ou dessaturação) que exigissem intervenção medicamentosa ou ventilação não invasiva; falha de extubação foi a necessidade de reintubação em 48 horas. Compararam-se características demográficas, parâmetros ventilatórios antes da extubação, dados de intubação e medicações nas 48 horas prévias entre os episódios com e sem estridor, com regressão logística de efeitos mistos em dois níveis para acomodar as extubações repetidas de uma mesma criança. O cálculo amostral previa 392 eventos para 80% de poder.
O que encontraram
| Desfecho | Por grupo | Associação |
|---|---|---|
| Estridor pós-extubação | 126 de 494 episódios, incidência de 25,5% | |
| Peso corporal na extubação | Mediana de 4,6 kg (IQR 3,3–8,0) com estridor vs. 6,1 kg (IQR 4,2–10,1) sem estridor; p = 0,003 | OR 0,84 por unidade de peso (IC 95%: 0,73–0,97; p = 0,021) na análise multivariada |
| Ventilação mecânica por mais de 7 dias | Mediana de 7 dias (IQR 3–15) com estridor vs. 5 dias (IQR 3–10) sem estridor; p = 0,002 | OR 2,19 (IC 95%: 1,22–3,90; p = 0,008) na análise univariada e OR 1,83 (IC 95%: 1,04–3,23; p = 0,037) na multivariada |
| Idade na extubação | Mediana de 6,3 meses (IQR 2,6–16,0) com estridor vs. 10,8 meses (IQR 3,9–27,4) sem estridor; p = 0,013; lactentes menores de 1 ano foram 69,1% vs. 51,9% (p = 0,003) | Associação significativa apenas na análise univariada, sem significância após ajuste |
| Tamanho da cânula endotraqueal | Média de 4,0 ± 0,6 com estridor vs. 4,2 ± 0,8 sem estridor; p = 0,020; uso de cânula com balonete sem diferença entre grupos | Sem associação independente após ajuste; os autores atribuem o achado univariado a confusão pelo tamanho da criança |
| Corticoide sistêmico antes da extubação | OR 1,66 (IC 95%: 0,99–2,80; p = 0,057) | Provável confusão por indicação, segundo os autores |
| Falha de extubação | 22,2% com estridor vs. 6,3% sem estridor; p < 0,001 | |
| Tempo de internação na UTI cardiológica | Mediana de 13 dias com estridor vs. 8 dias sem estridor; p < 0,001 | |
| Mortalidade | 4,0% com estridor vs. 3,0% sem estridor; p = 0,475 | |
| Manejo após a extubação | Corticoide sistêmico em 58,7% vs. 27,5% (p < 0,001); adrenalina nebulizada em 95,2% vs. 6,5% (p = 0,005); ventilação não invasiva em 62,7% vs. 52,2% (p = 0,114) | |
| Parâmetros ventilatórios antes da extubação e balanço hídrico | PIP, PEEP, ventilação-minuto, volume corrente exalado e balanço hídrico nas 24 horas prévias sem diferença significativa entre os grupos |
Entenda a estatística
- Razão de chances (OR)
- Compara a chance de estridor entre expostos e não expostos. O OR 1,83 para ventilação acima de 7 dias indica chance quase duas vezes maior; o OR 0,84 por unidade de peso indica chance menor quanto maior o peso, mas o efeito é por quilo, não por categoria de peso.
- Intervalo de confiança de 95%
- Mostra a faixa em que o efeito provavelmente está. O IC do peso (0,73–0,97) e o da ventilação prolongada (1,04–3,23) não cruzam 1, mas o limite superior de 3,23 é largo: a força exata da associação é incerta.
- Modelo de efeitos mistos
- Acomoda as várias extubações de uma mesma criança, que não são eventos independentes. Sem esse ajuste, crianças com mais tentativas poderiam inflar artificialmente a estimativa de risco.
Quanto confiar
- A favor: Coorte com 494 episódios de extubação em oito anos, acima do cálculo amostral de 392 eventos.
- A favor: A análise multivariada de efeitos mistos considerou as extubações repetidas de um mesmo paciente, reduzindo o peso desproporcional de crianças com múltiplas tentativas.
- Retrospectivo: Coorte observacional retrospectiva, com dados extraídos de prontuário eletrônico entre 2016 e 2024, sujeita a viés de classificação por documentação incompleta.
- Centro único: Todos os episódios vieram da UTIP cardiológica de um único hospital universitário na Tailândia, o que limita a generalização das práticas de intubação e extubação.
- Só risco relativo: Os preditores independentes são apresentados como OR com IC, sem risco absoluto de estridor por faixa de peso ou por duração da ventilação.
- Não localizado no material consultado: Relação entre diâmetro da cânula e calibre da via aérea, pressão do balonete e avaliação laríngea no momento da extubação
- Não localizado no material consultado: Classificação padronizada da complexidade da cardiopatia, tipo de cirurgia, uso de circulação extracorpórea e avaliação pós-operatória das pregas vocais
Na prática
Para o intensivista e o cardiologista pediátrico que conduzem a extubação na UTI cardiológica, o recado é olhar com atenção redobrada a criança pequena e a que ficou muitos dias no ventilador: são esses os pacientes em que o estridor pós-extubação se concentra, e nele a reintubação foi mais frequente e a internação mais longa. O estudo não testou se teste de vazamento do balonete, ultrassom laríngeo ou corticoide profilático previnem o problema, e o uso de corticoide antes da extubação apareceu mais nos que desenvolveram estridor, provavelmente porque já eram vistos como de maior risco. Também não separou edema de disfunção de pregas vocais, o que importa especialmente após cirurgias de arco aórtico ou região ductal. No Brasil, a transposição depende de a UTI cardiológica pediátrica ter as mesmas rotinas de extubação, o mesmo perfil de cardiopatias e o mesmo acesso a videolaringoscopia e a avaliação otorrinolaringológica à beira do leito.
Contexto
A incidência de estridor pós-extubação em crianças descritas na literatura varia de 18,7% a 42%, e os fatores reconhecidos incluem intubação prolongada, cânula desproporcional ao calibre da via aérea, tentativas repetidas e intubação traumática. Crianças com cardiopatia congênita ou operadas do coração teriam vulnerabilidade adicional por desvios de líquido perioperatórios, edema de via aérea e disfunção pós-operatória de pregas vocais, mas dados específicos de UTI cardiológica pediátrica eram escassos.
Referência
Saengsin K, Wongyikul P, Phinyo P et al.. Risk factors for post-extubation stridor in pediatric cardiac intensive care unit: a single-center retrospective study. BMC Pediatr 2026.
DOI: 10.1186/s12887-026-07478-y · PubMed: 42983736
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.
Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.
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