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Canadian Journal of Respiratory Therapy : CJRT = Revue Canadienne de la Therapie Respiratoire : RCTR· Lilitwat W, Bhandari P, Mahindrakar N et al.·· há 1 dia

Oxigenoterapia de alto fluxo pela traqueostomia é viável em adultos, mas a evidência pediátrica ainda é uma simulação isolada

Pergunta clínica

Em crianças e adultos traqueostomizados, o que a oxigenoterapia de alto fluxo entregue pela traqueostomia oferece em fisiologia, aplicações clínicas, segurança e desfechos, e o que se sabe especificamente em pediatria?

Fôlego em 30 segundos

Revisão de escopo mapeou 35 fontes sobre alto fluxo pela traqueostomia: a terapia é viável em adultos, com oxigenação como sinal mais consistente, mas os efeitos variam conforme interface, cuff e via expiratória. A evidência pediátrica direta resume-se a uma simulação de aerossol em lactente e criança pequena, sem dados clínicos de eficácia ou segurança.

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População
Lactente de 5 kg e criança pequena de 15 kg na simulação pediátrica; adultos nos demais estudos · Pacientes traqueostomizados em oxigenoterapia de alto fluxo pela traqueostomia · UTI, ventilação prolongada, pós-operatório, reabilitação e recuperação pós-transplante pulmonar, em estudos predominantemente de adultos
Desenho
Revisão de escopo guiada pelo PRISMA-ScR, 35 fontes incluídas (32 concluídas e 3 registros de ensaios ou protocolos em andamento)
Estágio da evidência
Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
Conflitos de interesse declarados
Os autores declaram não ter conflitos de interesse e informam não ter recebido financiamento específico para o trabalho.
Principal limitação
A evidência é heterogênea e predominantemente adulta, com estudos pequenos, de curto prazo ou observacionais, e configuração e umidificação relatadas de forma inconsistente.
Texto

O que fizeram

Buscaram MEDLINE/PubMed, Embase, Scopus, Web of Science e CINAHL desde o início até 30 de junho de 2026, sem restrição de idade nem filtro de idioma no nível das bases, e incluíram evidência adulta como comparador para identificar lacunas pediátricas. Foram elegíveis estudos clínicos e fisiológicos, de implementação, de bancada e simulação, técnicos e revisões; evidência clínica de casos exigia pelo menos dois pacientes, e resumos de congresso precisavam ter população, exposição e ao menos um desfecho extraíveis. Registros de ensaios foram mantidos apenas para mapear a pesquisa em curso. Um revisor fez a triagem inicial e um segundo reverificou sequencialmente cada decisão e cada campo extraído, sem duplicação paralela independente; não houve metanálise nem avaliação formal de risco de viés.

O que encontraram

DesfechoEfeito combinadoEstudos e certeza
Fluxos utilizadosEstudos fisiológicos e de bancada em adultos testaram cerca de 10 a 80 L/min, com 40 a 60 L/min como faixa mais comum; Musso et al. avaliaram especificamente 70 e 80 L/min após a liberação da ventilação invasiva.
OxigenaçãoUma revisão sistemática de cinco estudos fisiológicos apontou a oxigenação como o sinal mais consistente na literatura adulta; Natalini, Corley e Lytra relataram melhora, enquanto Stripoli, Lersritwimanmaen e Musso não encontraram melhora ou mudança adicional nos gases arteriais.
Pressão de via aérea e volume pulmonarEm modelo de bancada com tubo número 8 sem cuff, o alto fluxo padrão gerou cerca de 0,3, 0,5 e 0,9 cmH2O de PEEP a 40, 50 e 60 L/min, respectivamente; uma simulação com tubo número 8 com cuff e interface de maior resistência gerou mais PEEP e capacidade residual funcional entre 10 e 80 L/min.Como cuff e resistência de interface diferiram ao mesmo tempo, os estudos não estabelecem efeito do cuff em si.
Desmame da ventilaçãoEm coorte retrospectiva de 77 pacientes, 57 (74%) foram liberados em 60 dias, mas alto fluxo precoce versus de resgate não alterou a liberação nem os dias livres de ventilador.
DecanulaçãoEnsaio randomizado multicêntrico com 330 adultos conscientes após desmame testou uma estratégia de decanulação contendo alto fluxo, com oxigênio de alto fluxo contínuo e frequência de aspiração como critério de prontidão, e reduziu o tempo mediano até a decanulação de 13 para 6 dias sem aumentar falhas.O efeito deve ser atribuído ao conjunto da estratégia, não ao alto fluxo isolado.
Decanulação após transplante pulmonarEm estudo pequeno não randomizado, a retirada da cânula ocorreu em 13 de 14 pacientes com alto fluxo versus 6 de 13 controles.
Secreções e umidificaçãoEm 82 adultos após cirurgia de retalho livre de cabeça e pescoço, a implantação de sistema baseado no AIRVO associou-se a redução de secreções excessivas de 40% para 11,9% e de oxigênio suplementar acima do basal de 25% para 7,1%, sem respostas rápidas respiratórias nem escalonamento para UTI em nenhum grupo.Viabilidade do retalho, cicatrização e complicações não foram desfechos relatados.
Umidade em bancadaTrocadores de calor e umidade usados com oxigênio suplementar forneceram menos de 30 mg/L de umidade absoluta, enquanto sistemas ativamente aquecidos ultrapassaram 30 mg/L nas condições testadas.
AerossolNa simulação pediátrica com lactente e criança pequena, testaram-se fluxos de 5 a 30 L/min e a dose de aerossol diminuiu à medida que o fluxo aumentou; Optiflow e Airvo 2 foram semelhantes em fluxos comparáveis na criança.
Segurança e tolerânciaNos estudos clínicos concluídos, o alto fluxo foi geralmente descrito como viável ou bem tolerado, com relatos de ausência de eventos adversos ou de sinal importante de segurança em amostras pequenas; a apuração de eventos adversos foi inconsistente e muitas vezes não era desfecho primário.
Riscos mecanísticosEm bancada, a expiração obstruída na configuração com válvula fonatória unidirecional gerou pressões perigosas; um modelo animal sem ventilação espontânea mostrou acidose hipercápnica grave apesar de oxigenação mantida durante a entrega direta de oxigênio traqueal.
Entenda a estatística
Revisão de escopo
Mapeia o que existe sobre um tema e não testa hipóteses nem combina resultados. Por isso, os 35 estudos aqui não geram uma estimativa única de efeito, e a ausência de dados pediátricos significa lacuna de pesquisa, não prova de que a terapia não funcione em crianças.
PEEP em modelo de bancada
Os 0,3 a 0,9 cmH2O medidos a 40 a 60 L/min em tubo sem cuff vêm de simulação, não de pacientes. Mostram que, naquela configuração, a pressão gerada é pequena e não se pode transportar o número para outra interface ou outro tamanho de tubo.

Quanto confiar

  • A favor: A busca cobriu cinco bases sem restrição de idade nem filtro de idioma, e um segundo revisor reverificou sequencialmente todas as decisões de triagem e todos os campos extraídos.
  • A favor: O escopo foi ampliado além do desmame, abrangendo fisiologia, decanulação, umidificação, interfaces, aerossol, segurança e lacunas pediátricas, com mapeamento fonte a fonte.
  • Poucos pacientes: A base é fragmentada, com séries pequenas, estudos fisiológicos de poucos pacientes e uma única simulação pediátrica, o que limita qualquer conclusão sobre eficácia ou segurança.
  • Desfecho substituto: Grande parte dos estudos mede oxigenação, pressão de via aérea, volume pulmonar ou dose de aerossol em bancada e simulação, e não desfechos clínicos como decanulação bem-sucedida ou eventos adversos.
  • Não localizado no material consultado: Estudos clínicos pediátricos de oxigenação, esforço respiratório, secreções, tolerância, decanulação e eventos adversos
  • Não localizado no material consultado: Uso domiciliar ou comunitário e comparabilidade entre configurações com e sem cuff

Na prática

Para o pneumologista, o intensivista e o cirurgião que cuidam de crianças traqueostomizadas, a mensagem é de cautela: o alto fluxo pela traqueostomia não é a versão traqueal do alto fluxo nasal, porque pula as estruturas da via aérea superior que umidificam, lavam o espaço morto e geram pressão. O que se transfere ao leito é a necessidade de descrever e conferir a configuração completa, ou seja, tamanho da cânula, cuff, interface, válvula fonatória, via expiratória, fluxo, umidificação e objetivo do tratamento, e de monitorar conforme a finalidade, seja oxigenação, secreções ou decanulação. Em pediatria, o estudo não testou eficácia nem segurança clínica: a única fonte direta é uma simulação de aerossol, e os dados adultos servem como hipótese, não como prova. A aplicação no Brasil depende de a equipe ter umidificação aquecida, interfaces compatíveis com cânulas pediátricas e critérios explícitos de escalonamento; o material não informa disponibilidade nem regras locais.

Contexto

Uma revisão de escopo anterior, de Neiva et al., havia incluído quatro estudos adultos de alto fluxo pela traqueostomia voltados ao desmame, disponíveis até abril de 2021, sem comparar evidência adulta e pediátrica. Esta revisão amplia o escopo para fisiologia, decanulação, umidificação e secreções, estudos de dispositivo e interface, aerossol, segurança, ensaios em andamento e lacunas pediátricas. Crianças diferem de adultos em dimensões da via aérea e da traqueostomia, vazamento, carga de secreções, reserva ventilatória, tolerância ao desenvolvimento, dependência crônica de tecnologia, envolvimento dos cuidadores e trajetórias de decanulação.

Referência

Lilitwat W, Bhandari P, Mahindrakar N et al.. High-flow oxygen therapy delivered through tracheostomy: A scoping review of physiology, clinical applications, safety, and pediatric evidence gaps. Can J Respir Ther 2026.

DOI: 10.29390/001c.172971 · PubMed: 42985301

Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC.

Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.

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