Escetamina oral antes da adenotonsilectomia melhora sedação e analgesia na punção venosa em crianças
Pergunta clínica
Em crianças de 1 a 6 anos submetidas a adenotonsilectomia, qual dose de escetamina oral (1, 2 ou 3 mg/kg) comparada à glicose oferece melhor conforto perioperatório, medido por sedação e dor na punção venosa e agitação ao despertar?
Fôlego em 30 segundos
Todas as doses de escetamina oral melhoraram sedação e dor na punção venosa, com efeito maior em 3 mg/kg. A dose de 2 mg/kg foi a que os autores consideraram de melhor equilíbrio entre eficácia e segurança, enquanto 3 mg/kg poupou opioide. Eventos adversos não diferiram entre os grupos.
- Muda algo agora?
- NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
- População
- 1 a 6 anos · Adenotonsilectomia · Centro cirúrgico
- Desenho
- Ensaio randomizado, duplo-cego, de busca de dose, com 99 crianças em quatro grupos
- Estágio da evidência
- Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
- Principal limitação
- Estudo de busca de dose com amostra pequena por braço, o que limita a precisão das comparações entre as doses.
O que fizeram
As crianças receberam, 30 minutos antes da anestesia, glicose a 10% por via oral (controle) ou escetamina oral nas doses de 1, 2 ou 3 mg/kg. Os desfechos principais foram a Ramsay Sedation Scale e o escore FLACC de dor na punção venosa e o escore PAED 15 minutos após a extubação. Os desfechos secundários incluíram consumo de remifentanil, FLACC pós-operatório de 2 a 48 horas, qualidade do sono e eventos adversos.
O que encontraram
| Desfecho | Por grupo | Diferença |
|---|---|---|
| Sedação na punção venosa (Ramsay) | Mediana de 1,00 no controle, 2,00 com 1 mg/kg, 2,00 com 2 mg/kg e 3,00 com 3 mg/kg | p < 0,001 para o conjunto das doses; p = 0,028, 0,049 e < 0,001, respectivamente, contra o controle |
| Dor na punção venosa (FLACC) | Mediana de 6,00 no controle, 2,50 com 1 mg/kg, 2,00 com 2 mg/kg e 0,00 com 3 mg/kg | p = 0,016, 0,001 e < 0,001, respectivamente, contra o controle |
| Agitação ao despertar (PAED aos 15 minutos) | 5,00 com 2 mg/kg vs. 10,00 no controle | p = 0,048 |
| Consumo de remifentanil | 120,00 μg com 3 mg/kg vs. 240,00 μg no controle | p = 0,001 |
| Dor pós-operatória de 2 a 6 horas | Menor com 2 e 3 mg/kg, com persistência até 48 horas no grupo de 3 mg/kg | p < 0,05 |
| Qualidade do sono | Melhor com 3 mg/kg em 24 e 48 horas | p = 0,023 e p = 0,032 |
| Eventos adversos | Sem diferença significativa entre os grupos |
Quanto confiar
- A favor: Ensaio randomizado e duplo-cego, com desfechos medidos por escalas padronizadas.
- A favor: Comparação de três doses contra placebo em um mesmo protocolo.
- Poucos pacientes: Apenas 99 crianças no total, com 23 a 26 por braço, o que limita a precisão das comparações entre doses.
- Não localizado no material consultado: Critérios usados para definir o melhor equilíbrio entre eficácia e segurança na dose de 2 mg/kg
- Não localizado no material consultado: Dados absolutos de eventos adversos por grupo
Na prática
Para o anestesiologista e o cirurgião que cuidam de crianças pequenas submetidas a adenotonsilectomia, o estudo sugere que a escetamina oral antes da indução pode reduzir o desconforto da punção venosa e a agitação ao despertar, com possível poupança de opioide na dose mais alta. O estudo não testou desfechos como tempo de alta, complicações respiratórias ou satisfação das famílias, e a amostra pequena não permite afirmar qual dose é superior. A transferência para o contexto brasileiro depende da disponibilidade da apresentação oral de escetamina, do fluxo de pré-medicação no centro cirúrgico e da monitorização disponível durante o período de sedação antes da indução.
Contexto
A adenotonsilectomia pediátrica costuma cursar com ansiedade pré-operatória, dor na punção venosa e agitação ao despertar. A escetamina tem propriedades multimodais, mas a dose oral ideal para crianças não estava estabelecida.
Referência
Liu Z, Zhang H, Wang X et al.. Preoperative Oral Esketamine for Perioperative Comfort in Children Undergoing Adenotonsillectomy: A Randomized, Double-Blind, Dose-Finding Study. Paediatr Anaesth 2026.
DOI: 10.1002/pan.70342 · PubMed: 42969194
Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.
Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.