Decisão de traqueostomia paliativa é definida no hospital, mas o destino depende de cuidado externo não garantido
Pergunta clínica
Em pacientes com doença limitante da vida, incluindo crianças, como são tomadas as decisões de traqueostomia com finalidade paliativa, quais fatores as moldam e quais dimensões éticas e de comunicação estão envolvidas?
Fôlego em 30 segundos
Revisão de escopo com quatro fontes mostra que a traqueostomia paliativa teve objetivo definido no hospital, como comunicação, tempo com a família ou alta para casa ou hospice, mas em três delas esse objetivo dependia de cuidado que o hospital não oferece, e só uma pesou isso antes da oferta. Nenhuma fonte acompanhou o paciente após a colocação.
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- População
- Traqueostomia com finalidade paliativa em doença limitante da vida
- Desenho
- Revisão de escopo de quatro fontes: dois relatos de caso em adultos, uma série de casos pediátrica e uma análise ética de um lactente
- Estágio da evidência
- Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
- Conflitos de interesse declarados
- Os autores declaram não ter conflitos de interesse.
- Principal limitação
- Nenhuma das fontes definiu formalmente o que é traqueostomia paliativa, e os critérios de elegibilidade dependem do objetivo declarado pelos autores de cada fonte, o que limita a comparação entre elas.
O que fizeram
Busca sistemática no PubMed/MEDLINE, desenvolvida com bibliotecária de pesquisa biomédica e executada em 15 de fevereiro de 2026, encontrou 183 registros. Foram elegíveis fontes em inglês publicadas em revistas com revisão por pares entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2026, cujo objetivo documentado da traqueostomia fosse paliativo; ficaram de fora as fontes em que o procedimento servia para prolongar a vida, reabilitação, recuperação ou desmame, mesmo em pacientes com doença limitante da vida ou em cuidados paliativos. Um formulário de extração definido antes da busca cobriu características das fontes, contexto clínico e decisório, dimensões éticas e de comunicação, qualidade de vida e restrições estruturais ao cuidado.
O que encontraram
| Desfecho | Efeito combinado |
|---|---|
| Fontes incluídas | Quatro fontes: dois relatos de caso em adultos, uma série de casos pediátrica e uma análise ética de um lactente. |
| Definição de traqueostomia paliativa | Nenhuma das fontes definiu formalmente o termo. |
| Objetivo declarado da traqueostomia | Cada procedimento serviu a um objetivo declarado, como comunicação, tempo com a família ou alta para casa ou hospice, definido pelo paciente ou, no caso das crianças, junto com os pais. |
| Dependência de cuidado externo | Em três fontes, o objetivo dependia de cuidado que o hospital não oferece; apenas uma relatou ter pesado esse cuidado antes da oferta. |
| Sobrecarga do cuidador | Foi pesada na decisão em uma fonte. |
| Seguimento após a colocação | Nenhuma fonte acompanhou o paciente até uma decisão posterior sobre a traqueostomia ou sobre a ventilação que ela implica. |
Quanto confiar
- A favor: A busca foi construída com bibliotecária de pesquisa biomédica, com critérios de elegibilidade explícitos e formulário de extração definido antes da coleta.
- A favor: O recorte por objetivo declarado da decisão, e não apenas por diagnóstico, separa a traqueostomia paliativa daquelas voltadas a recuperação ou desmame.
- Poucos pacientes: A revisão de escopo incluiu apenas quatro fontes, entre relatos de caso, uma série pediátrica e uma análise ética de um lactente.
- Retrospectivo: Todas as fontes mapeadas descrevem decisões já tomadas, sem acompanhamento prospectivo dos pacientes.
- Não localizado no material consultado: Dados dos pacientes das fontes incluídas, como idade, diagnóstico e tempo de seguimento
- Não localizado no material consultado: Resultados de qualidade de vida ou de sintomas após a traqueostomia paliativa
Na prática
Para quem atende crianças e adultos com doença limitante da vida, o achado desloca a conversa sobre traqueostomia paliativa do centro cirúrgico para a rede de cuidado. O estudo não testou desfechos clínicos nem comparou a traqueostomia com a retirada da ventilação com cuidado de conforto; ele mapeia como as decisões foram descritas nas poucas fontes existentes. O ponto que se transfere ao contexto brasileiro é a dependência de cuidado continuado fora do hospital: o objetivo de ir para casa ou para um serviço de cuidados paliativos só se sustenta se esse cuidado estiver disponível e se a família puder assumir sua parte, e o material não informa como isso se organiza no Brasil.
Contexto
A traqueostomia costuma ser indicada para apoiar recuperação ou sobrevida prolongada, mas também é colocada em pacientes com doença limitante da vida cujo objetivo de cuidado é paliativo. Nesses casos, um dispositivo feito para suporte prolongado é usado quando a meta não é prolongar a vida, e pouco se sabe sobre como essas decisões são tomadas.
Referência
Gurcan O, Gabela A, Jalfon R et al.. Palliative Tracheostomy Decision-Making: A Targeted Scoping Review. J Pain Symptom Manage 2026.
DOI: 10.1016/j.jpainsymman.2026.10.025 · PubMed: 42971490
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.
Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.