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PubMed · matérias do Fôlego· Mohammadi MS, Dehghan AH, Modaresi MR et al.·· há 5 dias

TPA intrapleural não reduz tempo de internação em crianças com empiema, sugere coorte retrospectiva iraniana

TPA intrapleural não reduz tempo de internação em crianças com empiema, sugere estudo iraniano

Resumo por IA

Em coorte retrospectiva de centro único no Irã com 85 crianças de 1 mês a 18 anos com derrame parapneumônico complicado ou empiema, o TPA intrapleural não reduziu o tempo de internação em comparação ao soro fisiológico intrapleural: 20,28 ± 5,53 dias versus 19,17 ± 3,60 dias, com diferença ajustada de 0,36 dia (IC 95%, -2,91 a 3,63; P = 0,826).

Texto

Coorte retrospectiva com 85 crianças não encontrou diferença no tempo de internação entre TPA e soro fisiológico intrapleural, mas os intervalos de confiança amplos impedem concluir equivalência.

Um estudo retrospectivo conduzido em um hospital pediátrico terciário no Irã comparou crianças com derrame parapneumônico complicado ou empiema tratadas com TPA intrapleural (n=61) ou com soro fisiológico intrapleural (n=24). A média de internação foi de 20,28 ± 5,53 dias no grupo TPA e 19,17 ± 3,60 dias no grupo salina, com diferença não ajustada de 1,11 dia (IC 95%, -1,14 a 3,36; P = 0,366) e diferença ajustada de 0,36 dia (IC 95%, -2,91 a 3,63; P = 0,826). Os desfechos secundários também mostraram diferenças pequenas, com intervalos compatíveis com ausência de efeito clinicamente importante. Os autores concluem que não houve benefício detectável do TPA sobre a salina e que os intervalos amplos indicam evidência insuficiente para rejeitar a hipótese nula, e não equivalência.

Contexto

Os autores compararam o TPA intrapleural ao soro fisiológico intrapleural em crianças com derrame parapneumônico complicado ou empiema, partindo da pergunta sobre o valor incremental da fibrinólise nessa população. O desenho aproveitou a indisponibilidade do TPA em determinado período para constituir o grupo comparador tratado apenas com lavagem salina.

Como foi feito

Coorte retrospectiva em um hospital pediátrico terciário de referência no Irã, incluindo crianças de 1 mês a 18 anos. O grupo salina foi tratado durante o período de indisponibilidade do TPA (2012-2015) com 40 mL de soro fisiológico intrapleural, permanência de 1 hora, uma vez ao dia por 3 dias. O grupo TPA foi tratado após a disponibilização do medicamento (2015-2018) com 4 mg de TPA em 40 mL de soro fisiológico, no mesmo protocolo. O desfecho primário foi o tempo total de internação hospitalar; os secundários foram permanência em UTI, duração da febre, duração do dreno torácico e admissão em UTI. Foi feita regressão linear multivariável para ajustar desequilíbrios basais entre as coortes.

O que encontraram

Foram analisados 85 pacientes, 61 no grupo TPA e 24 no grupo salina. As coortes foram comparáveis na avaliação inicial, exceto por valores mais altos de adenosina deaminase no líquido pleural e menor tempo até a primeira instilação no grupo salina, com efeitos classificados como médio e muito grande. A média de internação hospitalar foi de 20,28 ± 5,53 dias com TPA e 19,17 ± 3,60 dias com salina. A diferença não ajustada foi de 1,11 dia (IC 95%, -1,14 a 3,36; P = 0,366) e a diferença média ajustada foi de 0,36 dia (IC 95%, -2,91 a 3,63; P = 0,826). Os desfechos secundários — permanência em UTI, duração da febre, duração do dreno torácico e admissão em UTI — mostraram diferenças igualmente pequenas, com intervalos de confiança compatíveis com ausência de efeito clinicamente importante.

Limitações

Trata-se de estudo retrospectivo, de centro único, com amostra pequena (85 pacientes, sendo 24 no grupo comparador) e grupos definidos por períodos distintos, o que introduz viés de seleção e confusão residual, reconhecidos pelos autores. Os próprios autores ressaltam que os intervalos de confiança amplos indicam evidência insuficiente para rejeitar a hipótese nula, e não equivalência entre as estratégias, e que os achados levantam, mas não confirmam, a hipótese de que a lavagem mecânica contribua para a melhora clínica. Os autores concluem que são necessários ensaios prospectivos randomizados com poder adequado para estabelecer o valor incremental da fibrinólise em crianças.

Para o pediatra

O estudo descreve crianças de 1 mês a 18 anos com derrame parapneumônico complicado ou empiema tratadas em um hospital terciário, com tempo médio de internação em torno de 19 a 20 dias nos dois grupos. Não houve diferença detectável entre receber TPA ou apenas soro fisiológico intrapleural nos desfechos avaliados, mas o número pequeno de pacientes impede concluir que as duas abordagens sejam equivalentes. O material não informa critérios de encaminhamento nem sinais clínicos de apresentação que orientem a suspeita na atenção primária.

Para o especialista

Nesta coorte retrospectiva de centro único, o TPA intrapleural não mostrou benefício detectável sobre a salina em tempo de internação, permanência em UTI, duração da febre, duração do dreno torácico ou admissão em UTI, com diferença ajustada de 0,36 dia (IC 95%, -2,91 a 3,63). Os autores enfatizam que os intervalos amplos refletem falta de poder para rejeitar a hipótese nula, e não equivalência, e que a hipótese de contribuição da lavagem mecânica permanece não confirmada. O desenho retrospectivo com grupos definidos por períodos distintos não permite excluir confusão residual e viés de seleção, de modo que o estudo não sustenta mudança de conduta nem estabelece o valor incremental da fibrinólise; os autores apontam a necessidade de ensaios prospectivos randomizados com poder adequado.

Referência

Mohammadi MS, Dehghan AH, Modaresi MR et al.. Intrapleural TPA vs Normal Saline in Pediatric Empyema: A Comparative Study. Hosp Pediatr 2026.

DOI: 10.1542/hpeds.2026-009645 · PubMed: 42893807

Acesso: o artigo completo é pago na editora. Autores costumam enviar uma cópia a quem pede pelo e-mail de correspondência indicado no artigo.

Matéria escrita pelo Fôlego a partir do resumo publicado.

Fonte: PubMed · matérias do Fôlego · doi.org