Anestesia sem intubação com ventilação espontânea associa-se a alta mais precoce após cirurgia toracoscópica pediátrica
Pergunta clínica
Em crianças submetidas a cirurgia toracoscópica eletiva para ressecção de lesões pulmonares ou mediastinais, a anestesia sem intubação com ventilação espontânea, comparada à anestesia geral com intubação traqueal, encurta o tempo de internação pós-operatória?
Fôlego em 30 segundos
Em crianças operadas por videotoracoscopia, a anestesia sem intubação com ventilação espontânea associou-se a internação pós-operatória mais curta que a anestesia geral com intubação traqueal: 3,0 vs 4,0 dias. As complicações pulmonares pós-operatórias caíram de 7,0% para nenhuma, mas o desenho retrospectivo de um só centro impede tratar a diferença como efeito da técnica.
- Muda algo agora?
- NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
- População
- Ressecção toracoscópica eletiva de lesões pulmonares ou mediastinais · Centro único, o Capital Children's Medical Center, da Capital Medical University, na China
- Desenho
- Coorte retrospectiva de um centro, 260 crianças, com pareamento por escore de propensão 1:1 resultando em 86 por grupo
- Estágio da evidência
- Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
- Conflitos de interesse declarados
- Os autores declaram não ter conflitos de interesse.
- Principal limitação
- O desenho retrospectivo e de centro único deixa aberta a possibilidade de que fatores não medidos, e não a técnica anestésica, expliquem parte das diferenças de recuperação.
O que fizeram
Foram comparadas crianças operadas sob anestesia sem intubação com ventilação espontânea (86) e sob anestesia geral com intubação traqueal (174). O pareamento por escore de propensão equilibrou idade, sexo, peso, estado físico pela American Society of Anesthesiologists, sítio cirúrgico e lateralidade, deixando 86 crianças em cada grupo. O desfecho principal foi o tempo de internação pós-operatória; entre os secundários, estavam duração do dreno torácico, complicações pulmonares pós-operatórias, parâmetros respiratórios intraoperatórios, tempo até a retirada do dispositivo de via aérea, permanência na sala de recuperação pós-anestésica, delirium ao despertar e custos hospitalares.
O que encontraram
| Desfecho | Por grupo | Associação |
|---|---|---|
| Duração do dreno torácico | 2,0 (0–3,0) vs 2,5 (2,0–4,0) dias | Diferença de Hodges-Lehmann de -1,5 dia (IC 95% -2,5 a -1,0; P<0,001) |
| Complicações pulmonares pós-operatórias | 0 vs 7,0% (6/86) | Diferença de risco de -7,0 pontos percentuais (IC 95% -12,8 a -2,3; P=0,041) |
| Parâmetros respiratórios intraoperatórios | Menor SpO2 mínima e maior EtCO2 de pico no grupo sem intubação | P<0,05 |
| Tempo até a retirada do dispositivo de via aérea | Mais curto no grupo sem intubação | P<0,05 |
| Custos hospitalares | Menores no grupo sem intubação | P<0,05 |
Quanto confiar
- A favor: Houve pareamento por escore de propensão, que equilibrou idade, sexo, peso, estado físico, sítio cirúrgico e lateralidade entre os grupos.
- A favor: Os desfechos clínicos foram consistentes entre si: internação, dreno e complicações pulmonares favoreceram o grupo sem intubação.
- Retrospectivo: Estudo retrospectivo, com grupos formados a partir de casos já operados, o que limita o controle de fatores não medidos.
- Sem randomização: A comparação entre anestesia sem intubação e intubação traqueal não foi sorteada; o pareamento por escore de propensão tenta equilibrar variáveis medidas, mas não substitui a randomização.
- Centro único: Todos os 260 pacientes vieram de um único centro, o Capital Children's Medical Center, da Capital Medical University.
- Não localizado no material consultado: Critérios de seleção para cada técnica anestésica
- Não localizado no material consultado: Seguimento após a alta hospitalar
Na prática
Para o anestesista e o cirurgião que cuidam de crianças com indicação de videotoracoscopia, o estudo sugere que a técnica sem intubação, com ventilação espontânea, pode fazer parte da conversa sobre recuperação pós-operatória. Não é um resultado que se transfira automaticamente para qualquer serviço: depende de equipe habituada à técnica, de seleção criteriosa dos pacientes e de estrutura para lidar com a via aérea durante o procedimento. O estudo não testou a segurança da técnica em crianças menores ou com doença pulmonar mais grave, nem comparou protocolos de analgesia ou de drenagem. No Brasil, a adoção dependeria de treinamento e de disponibilidade da técnica no serviço, o que o artigo não avalia.
Contexto
A anestesia sem intubação com ventilação espontânea vem sendo descrita em cirurgia torácica, mas os dados em crianças são limitados. Este estudo comparou a técnica à anestesia geral com intubação traqueal em um centro pediátrico, com foco na recuperação pós-operatória.
Referência
Chen Y, Han D, Guo HJ et al.. [Effect of non-intubated spontaneous ventilation anesthesia on enhanced postoperative recovery in children undergoing thoracoscopic surgery]. Zhonghua Yi Xue Za Zhi 2026.
DOI: 10.3760/cma.j.cn112137-20260317-00723 · PubMed: 42967650
Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.