Suprimento arterial sistêmico isolado para pulmão normal causa hemoptise maciça em criança e é tratado por embolização
Pergunta clínica
Em uma criança com hemoptise maciça e pulmão morfologicamente normal, a angiotomografia identifica um suprimento arterial sistêmico anômalo e a embolização endovascular desse vaso controla o sangramento?
Fôlego em 30 segundos
Relato de uma criança de 12 anos com hemoptise maciça única, sem doença pulmonar prévia, cuja angiotomografia mostrou uma artéria sistêmica anômala originada da aorta torácica descendente e suprindo o lobo inferior esquerdo, com parênquima e brônquios normais — o chamado suprimento sistêmico isolado para pulmão normal. A artéria foi ocluída com um plugue vascular (Amplatzer Vascular Plug II de 12 mm), sem complicações imediatas e sem recidiva da hemoptise em três meses de seguimento.
- Muda algo agora?
- NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
- População
- 12 anos · Suprimento arterial sistêmico isolado para pulmão normal (ISSNL), com hemoptise maciça · Serviço hospitalar terciário na Índia; diagnóstico por angiotomografia e embolização endovascular
- Desenho
- Relato de caso de um paciente de 12 anos
- Estágio da evidência
- Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
- Conflitos de interesse declarados
- Os autores declaram não ter conflitos de interesse; o estudo não teve fonte de financiamento.
- Principal limitação
- Trata-se de um relato único, sem controle nem seguimento longo, e as imagens de angiografia digital pré e pós-embolização não puderam ser recuperadas porque o procedimento foi feito em outro serviço.
O que fizeram
A criança foi avaliada com angiotomografia em aparelho de dupla fonte de 256 cortes, com contraste iodado não iônico (iohexol, 350 mg I/mL), 30 mL a 2,5 mL/s, seguido de 15 mL de soro fisiológico, com rastreamento de bolo na aorta torácica descendente e aquisição do tórax ao abdome superior. As imagens foram reconstruídas com cortes de 0,6 mm e incremento de 0,4 mm e processadas em reformatações multiplanares, projeção de intensidade máxima, renderização volumétrica e renderização cinematográfica. A embolização foi feita por acesso femoral comum direito, com bainha de 6 F, cateter-guia de 6 F e cateterização seletiva da artéria anômala; optou-se por um plugue vascular Amplatzer Vascular Plug II de 12 mm, escolhido em vez de molas pelo grande calibre e alto fluxo do vaso, para reduzir o risco de migração distal e ocluir com um único dispositivo. A broncoscopia não foi realizada porque a imagem seccional e a angiografia estabeleceram a causa vascular da hemoptise.
O que encontraram
| Desfecho | Resultado |
|---|---|
| Identificação da anomalia vascular pela angiotomografia | Canal vascular dilatado e tortuoso originado da aorta torácica descendente média, em posição de 12 a 3 horas, com trajeto de 3,2 cm para a esquerda e para baixo, seguido de curva acentuada, suprindo o lobo inferior esquerdo; veias pulmonares do lobo inferior esquerdo dilatadas, sem fístula macroscópica com veia ou artéria pulmonar e com anatomia brônquica normal. |
| Oclusão do vaso anômalo na angiografia de controle | Cessação completa do fluxo pela artéria anômala após o implante do plugue, sem embolização não alvo. |
| Complicações do procedimento | Nenhuma complicação imediata; o paciente tolerou bem o procedimento. |
| Recidiva de hemoptise no seguimento | Sem queixas de hemoptise durante o seguimento de 3 meses. |
Quanto confiar
- A favor: A angiotomografia com reconstruções multiplanares e tridimensionais caracterizou a origem, o trajeto e a distribuição pulmonar do vaso anômalo, além de afastar fístula e outras anomalias vasculares.
- A favor: A angiografia de controle demonstrou oclusão completa do vaso anômalo sem embolização não alvo.
- Poucos pacientes: Relato de um único paciente, sem grupo de comparação, o que não permite avaliar eficácia nem segurança do tratamento.
- Não localizado no material consultado: Seguimento além de 3 meses e evolução do parênquima pulmonar suprido pela artéria anômala após a oclusão
- Não localizado no material consultado: Imagens de angiografia digital pré e pós-embolização
Na prática
O caso ilustra que, diante de hemoptise maciça em criança sem doença pulmonar conhecida e com exame físico e provas infecciosas normais, a angiotomografia pode identificar uma causa vascular rara e tratável por via endovascular, sem necessidade de cirurgia. O diagnóstico diferencial que o artigo destaca é com sequestro pulmonar, no qual o parênquima é displásico e sem comunicação brônquica normal, com colaterais aortopulmonares maiores (MAPCAs), típicas de cardiopatia congênita cianótica complexa, e com colaterais sistêmicas adquiridas de doenças inflamatórias crônicas, como tuberculose e bronquiectasias. A escolha do plugue em vez de molas dependeu do calibre e do fluxo do vaso, o que exige disponibilidade de dispositivos e de radiologia intervencionista pediátrica. O estudo não testou a embolização contra a cirurgia, nem comparou materiais embólicos, e um único caso não permite afirmar que o procedimento seja superior ou seguro em escala; a transferência ao contexto brasileiro depende de o serviço contar com angiotomografia e intervenção endovascular pediátrica.
Contexto
O suprimento sistêmico isolado para pulmão normal é uma forma rara de malformação vascular broncopulmonar, classificada como malinosculação arterial isolada no esquema de Lee, em que uma artéria sistêmica anômala, e não a artéria pulmonar, supre tecido pulmonar funcionante, geralmente as regiões basais do lobo inferior esquerdo. Acredita-se que resulte da falha de regressão de ramos primitivos da aorta que irrigavam o pulmão durante o desenvolvimento. A maioria dos pacientes é assintomática, e a hemoptise é o sintoma mais comum; as opções de tratamento são cirúrgicas ou endovasculares, com preferência pela embolização por plugue ou molas por menor mortalidade, morbidade e tempo de internação.
Referência
Singh R, Gupta V, Yadav R et al.. Isolated systemic arterial supply to the normal lung presenting with massive hemoptysis in a child: CT angiographic diagnosis and endovascular management. J Cardiothorac Surg 2026.
DOI: 10.1186/s13019-026-04466-2 · PubMed: 42983460
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY-NC-ND.
Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.
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