Potenciais corticais auditivos em campo livre acompanham os limiares da audiometria comportamental em crianças com aparelho auditivo ou implante coclear
Pergunta clínica
Em crianças com perda auditiva neurossensorial usando aparelho auditivo ou implante coclear, os limiares obtidos por potenciais evocados auditivos corticais em campo livre concordam com os da audiometria comportamental, e a latência de P1 e a amplitude N1-P1 ajudam a avaliar o resultado do dispositivo?
Fôlego em 30 segundos
Os limiares do P1 dos potenciais corticais em campo livre correlacionaram-se com os da audiometria comportamental nas quatro frequências testadas, nos dois grupos, com diferenças médias de 1 a 6 dB no grupo de aparelho auditivo e de 5 a 8 dB no de implante coclear. O estudo é pequeno e não estabelece que o exame substitua a audiometria comportamental.
- Muda algo agora?
- NãoGrau do que o próprio estudo sustenta, não uma recomendação do Fôlego.
- População
- 2 a 14 anos · Perda auditiva neurossensorial de leve a profunda com aparelho auditivo ou implante coclear · Avaliação audiológica em campo livre; país não informado
- Desenho
- Estudo diagnóstico transversal de um centro, 33 crianças e 49 orelhas (22 com implante coclear e 27 com aparelho auditivo)
- Estágio da evidência
- Artigo revisadoArtigo publicado em revista, após revisão por pares.
- Conflitos de interesse declarados
- Os autores declaram não ter conflitos de interesse em relação à pesquisa, à autoria ou à publicação do artigo.
- Principal limitação
- O tamanho pequeno da amostra e a ausência de seguimento não permitem saber se os limiares dos potenciais corticais predizem o desempenho com o dispositivo ao longo do tempo.
O que fizeram
Cada orelha foi alocada ao grupo conforme o dispositivo em uso: 22 orelhas com implante coclear e 27 com aparelho auditivo. Estímulos tone burst em 0,5, 1, 2 e 4 kHz evocaram os potenciais corticais e também foram usados para medir os limiares da audiometria comportamental, ambos em campo livre. Registraram-se a latência de P1 e a amplitude entre os picos N1 e P1, e compararam-se os limiares obtidos pelos dois métodos em cada frequência.
O que encontraram
| Desfecho | Por grupo | Associação |
|---|---|---|
| Correlação entre limiares dos potenciais corticais e da audiometria comportamental no grupo de aparelho auditivo | Coeficientes de Pearson de 0,567 em 0,5 kHz, 0,670 em 1 kHz, 0,637 em 2 kHz e 0,762 em 4 kHz | p < 0,01 em todas as frequências |
| Correlação entre limiares dos potenciais corticais e da audiometria comportamental no grupo de implante coclear | Coeficientes de Pearson de 0,825 em 0,5 kHz, 0,662 em 1 kHz, 0,538 em 2 kHz e 0,567 em 4 kHz | |
| Latência de P1 e amplitude N1-P1 | Latências de P1 entre 130 e 150 ms e amplitudes entre os picos N1 e P1 de 6 μV nos dois grupos |
Entenda a estatística
- Coeficiente de correlação de Pearson
- Mede o quanto duas medidas variam juntas, de -1 a 1. Aqui ficou entre 0,538 e 0,825, ou seja, associação moderada a forte; isso não significa que os dois métodos dão o mesmo resultado nem que um substitui o outro.
- Diferença média entre métodos
- Mostra o quanto os limiares dos potenciais corticais ficaram, em média, acima ou abaixo dos da audiometria comportamental: 1 a 6 dB com aparelho auditivo e 5 a 8 dB com implante coclear. Uma média pequena pode esconder diferenças grandes em crianças isoladas.
Quanto confiar
- A favor: As correlações foram consistentes nas quatro frequências e nos dois grupos de dispositivos.
- A favor: O exame foi feito em campo livre, com o dispositivo em uso, o que se aproxima da situação clínica.
- Poucos pacientes: Apenas 33 crianças (49 orelhas) sustentam as correlações por frequência em dois grupos de dispositivos diferentes.
- Não localizado no material consultado: Concordância individual entre os métodos, além da diferença média
- Não localizado no material consultado: Características dos participantes, como tempo de uso do dispositivo e grau de perda por orelha
Na prática
Para o fonoaudiólogo e o otorrinolaringologista que acompanham crianças pequenas ou com dificuldade de cooperar com a audiometria comportamental, os potenciais corticais em campo livre aparecem como uma medida objetiva que caminha junto com os limiares comportamentais, tanto com aparelho auditivo quanto com implante coclear. O que o estudo não testou foi a capacidade do exame de substituir a audiometria comportamental ou de prever o benefício funcional do dispositivo, e a dispersão em torno da diferença média importa mais quanto menor a criança. No Brasil, a utilidade prática depende de o serviço ter equipamento para potenciais corticais, estímulo tone burst em campo livre e profissional treinado, além de condições de sedação ou de sono para crianças que não colaboram; nada disso é informado pelo estudo.
Contexto
A avaliação do resultado de aparelhos auditivos e implantes cocleares em crianças pequenas depende muitas vezes de respostas comportamentais, que exigem cooperação e podem ser difíceis de obter. Os potenciais evocados auditivos corticais são uma medida objetiva da via auditiva e, segundo os autores, poderiam complementar essa avaliação quando há dificuldade de colaboração.
Referência
Ruan Y, Wang Y, Shi W et al.. Correlation between free-field cortical auditory evoked potentials and behavioral audiometry thresholds in pediatric patients with hearing aids or cochlear implants. Braz J Otorhinolaryngol 2026.
DOI: 10.1016/j.bjorl.2026.101922 · PubMed: 42981830
Texto completo gratuito: doi.org, licença CC BY.
Matéria escrita com inteligência artificial e publicada automaticamente; o editor responsável, Andrey Barbosa Pimenta, acompanha o que vai ao ar e corrige quando necessário.
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